Bem, no início do nosso grupo já tínhamos definido uma ordem, o sistema escolhido, jogadores, mestre, lugar… Faltando uma semana pra começarmos, nossa roda já tinha tudo pronto… menos uma ambientação! Como assim?
… Bem, eu tenho um mundo criado desde 1993 onde já criei umas cinco campanhas diferentes em meia dúzia de continentes, tudo com muita história, muito detalhe, e alguns jogadores não estavam familiarizados com isso. Então, resolvi criar um cenário novo, tão novo que nem nome tinha (O Ximu que sugeriu Alderon, quase um ano depois!), e começar a aventura de uma forma bem local, e à medida que os heróis fossem explorando, mais iriam saber do mundo, de uma forma que tudo fosse uma novidade tanto para jogadores, quanto para seus personagens. Seria divertido!
Então, por onde começar… Eu gosto de estruturar o mundo de “cima pra baixo”, vou primeiro criando os grandes fatos, e estes vão me ajudando a definir os menores em sequência, até eu já ter um “esqueleto” básico do mundo onde meus jogadores estão. Assim foi como comecei…
Criando Alderon

O jogo seria no continente de Alderon, uma larga massa de terra, com o tamanho aproximado da América do Norte. Cercado de ilhas menores, e com uma massa gelada no extremo norte. Nossos heróis estariam no noroeste do continente (Até então não tinha nem nome, imagina mapa! Publico isso nos próximos posts).
A civilização nunca havia se recuperado de uma guerra devastadora que aniquilou 90% de todos os reinos do continente 3000 anos atrás. Dizem que antes dessas guerras, os deuses viviam entre os mortais, e as civilizações floresceram e conviviam em paz. Reinos élficos, anões, humanos, entre tantas outras raças fantásticas compartilhavam o vasto continente. Exceto uma cidade isolada ao norte. A Necrópole.
A Necrópole, segundo as lendas, era uma cidade subterrânea, onde viviam vampiros tão velhos quanto os primeiros reinos. Poderosos, ardilosos e sedentos por poder ainda mais do que por sangue, eles arquitetaram um plano: Usariam seus poderes para capturar um deus e beber seu sangue, a imortalidade não era nada, queriam provar do poder que corria na veias divinas. Tal plano parece loucura, mas fazendo um paralelo com outro sistema, esses vampiros seriam como Antediluvianos do Mundo das Trevas, mas ainda mais poderosos.
Conseguiram consumir o sangue de um deus menor, e sentiram o gostinho do poder. E sua ambição despertou. Se conseguissem repetir o processo com outros deuses, poderiam ascender à condição divina, e se livrar para sempre das amarras mortais. Seriam indestrutíveis, e não dependeriam mais de beber vastas quantidades de sangue para sobreviver. A Necrópole marchou para a guerra.
Essa guerra durou séculos e se estendeu por todo continente. Os deuses interviram diretamente, e junto com seus servos, mortais e imortais, campeões e comuns, lutaram lado a lado contra as hordas da Necrópole.
Por fim, todos os vampiros foram vencidos e destruídos, mas todos os reinos foram afetados, e cerca de 9 em cada 10 mortais pereceram nessa guerra. Para sobreviver na terra desolada que o continente se tornou, os sobreviventes se juntaram e novos reinos surgiram. Misturados, heterogêneos e sem a identidade nacional comum dos jogos de fantasia. Não havia mais “O reino dos elfos”, “o reino dos anões”. Haviam um punhado de reinos, muitas cidades-estado independentes e uma extensão imensa de terra selvagem e cheia de perigos para se aventurar.
Três mil anos curaram a maior parte da terra, a xenofobia clássica entre raças foi trocada por desconfiança de estranhos, um pouco de isolacionismo e tendências a aventuras locais. O Todo foi sendo esquecido em prol da sobrevivência das partes.
Essa integração, mistura dos povos sobreviventes me levou ao segundo passo, quando fui criando…
O Panteão

Tenho um panteão bem definido ao longo de mais de 25 anos de RPG, que está presente em várias das minhas ambientações, funcionando como alguns dos deuses do AD&D, que se repetem em mundos diferentes, mas alguns dos jogadores não conheciam meus deuses, então eu deixei em aberto escolherem quem quisessem, que “tinha espaço pra todo mundo”, dado os eventos que criaram a civilização em que viviam.
A origem do mundo foi perdida na grande guerra há cerca de três mil anos no passado. Segundo os sacerdotes quando os deuses viviam entre seus fiéis, cuidando do mundo que criaram, contavam com ajuda de poderosos espíritos que encarnaram assim como seus senhores em formas humanas. Era uma era dourada de paz e harmonia. Mas quando as hordas da Necrópole queimaram inúmeros reinos até as cinzas, quase todo conhecimento foi perdido.
Após a guerra, os deuses triunfaram, mas deixaram o mundo e voltaram para as estrelas. Alguns dizem que foi por medo de outro levante, outros por entender que sua mera presença entre os mortais influenciava-os mais do que imaginavam, tanto para o bem quanto para o mal. Outros ainda dizem que se assustaram quando um dos seus caiu nessa guerra contra aqueles que julgavam reles mortais. Qualquer que seja o motivo, eles partiram e fizeram um pacto de nunca mais influenciar diretamente o mundo material. O controle do destino dos mortais era dos próprios.
Começaram o jogo na cidade de Polandis, nesta região, os deuses mais cultuados eram o deus do sol, a da natureza, a deusa protetora das família e a deusa da fertilidade e agricultura, Kallas, Adriel, Lael e Kashma, a “Família Divina”, todos do meu panteão. Mas não seriam incomuns deuses nórdicos (como Odin), dos elfos e outros humanoides. Tudo meio misturado, como consequência do processo que criou aquele mundo, e os jogadores ficaram a vontade de escolher suas divindades, ou nenhuma até, se quisessem.
A maioria dos malfeitores e patifes cultuavam Loki (sim, ele mesmo), Set ou Corbus (esse é do meu panteão), divindades associadas desde a traquinagens até assassinatos e torturas das mais cruéis. Ser reconhecido como devoto de um desses seria um estigma pesado, e quase certamente pedir para que autoridades e justiceiros fossem ao seu encalço ao menor sinal de problemas.
Também haviam muitos, muitos outros deuses, mas os aventureiros iriam descobrir mais a respeito do mundo à medida que explorassem a região. A modesta cidade de Polandis não tinha uma população grande o suficiente para abrigar uma quantidade elevada de templos para muitos deuses. Tanto que na cidade o maior templo era para “a Família Divina”, aos cuidados do Alto Sacerdote Targos e do Frei Torpek, e era onde os adoradores dos 4 deuses mais populares conviviam e oravam em harmonia, embora pequenos oratórios para os outros deuses fossem comuns na cidade.
Em volta da cidade haviam montanhas e florestas, onde havia um culto de druidas, que prezavam a vida isolada e tranquila da Floresta Partida (tinha esse nome porque uma enorme fenda cortava léguas de floresta, sem ninguém saber como ela surgiu). Tinha uma estrada que cortava o vale entre as montanhas, que levava ao pequeno Reino de Tarpas, de onde vinha a maioria do comércio da região.
Era uma cidade do interior, mas que tinha algum movimento de viajantes. Florestas, montanhas e místicos por perto. Com possibilidades de personagens de todos os tipos e origens básicas de fantasia…
…E assim, o cenário básico estava armado, o próximo passo… Os personagens!!! 😉

Você precisa fazer login para comentar.