Primeira Temporada:

Primavera Sombria!

Agora, com todos os personagens criados, o mundo inicialmente definido, divindades e backgrounds, nós estávamos prontos para começar a jogar. Combinamos que cada rotação, o mestre tentaria fechar o arco em 5-8 sessões, e passaríamos para o próximo. O problema é que a primeira temporada do meu jogo (e dos outros também), eu anotava só superficialmente o que aconteceu na aventura, e não gravava as sessões ainda… Em 2013!!!

Então, vou tentar descrever os acontecimentos em poucos posts, mas prometo que a partir da segunda temporada, tudo melhora! 😉

Juntos no Leão Manco

A primavera chegou e os heróis se reuniram na taverna “Leão Manco”, como combinaram anteriormente. Trocaram experiências, novidades, risadas e piadas. Sentiam-se bem todos eles juntos novamente. Havia muito o que compartilhar e a taverna, que já estava cheia, ficou ainda mais animada com a comemoração dos Lanças Prateadas

Leão Manco em noite de festa
A lança de prata

Voros aproveitou a ocasião e presenteou seus amigos com um singelo pingente de prata que encomendou para cada um dos 7 amigos. Todos ficaram bastante tocados com a gentileza do jovem aprendiz de druida, geralmente tão reservado quando na sua ordem, mas que parecia ter encontrado um lugar especial de alegria perante jovens heróis como ele.

Claro que isso não impediu que entrasse em discussões acaloradas com Wallace e Toravin sobre a natureza, magia, deuses e a vida, para deleite de Xistus e Victor, enquanto Linda rolava os olhos para os céus, durante o embate interminável regado a cerveja, pernil e pão.

A noite transcorreu com alegria e diversão, e somente depois de bastante tempo os heróis notaram uma dupla destoando daquele ambiente festivo: Dois homens sombrios conversavam furtivamente em uma mesa em um dos poucos lugares vazios, próximo a um dos cantos ao lado da entrada da taverna. Prontamente Xistus reconheceu algo de suspeito e avisou seus companheiros para repararem na cena que se desenrolava.

A negociação na taverna

Foi quando um dos homens entregou um pergaminho para o outro, que tinha uma bolsa de moedas na mão. Foi nesse exato momento que ao invés de entregar as moedas, o homem deu um rápido golpe no pescoço do primeiro, que caiu no chão com a cabeça praticamente separada do seu corpo. Enquanto a taverna explodia em reação ao movimento, o misterioso comprador fugiu para as ruas carregando consigo o documento.

Os heróis seguiram o comprador e conseguiram interpelá-lo, mas ele não quis conversar e partiu para o combate. Por um momento, foram surpreendidos pelo fato de que o homem possuía longas garras no lugar das unhas e as usou para matar o contrabandista na taverna… Sob a luz da lua perceberam que estavam enfrentando a cria de um vampiro!

Mas com a liderança de Wallace e Linda derrotaram a criatura das sombras, que virou pó ao fim do combate. Sim, os heróis haviam encontrado uma cria de vampiro, 3 milênios depois da Guerra da Necrópole! Inspecionaram os pertences que ficaram para trás e encontraram moedas, o pergaminho e um diário.

O conteúdo do diário era aterrador… Contava que seu dono havia sido recrutado por vampiros descendentes dos senhores da Necrópole, que finalmente iram retornar para a cidade maldita e todos os servos dos novos Senhores Vampiros deveriam procurar os mapas restantes espalhados pelas cidades para guiar seu retorno.

E isso era o conteúdo do pergaminho: Um mapa que mostrava como chegar na Necrópole. Imediatamente concordaram que tinham que visitar o lugar, pois se os vampiros estavam se reunindo novamente, o mundo não estava pronto para outra guerra como aquelas. Polandis não era uma cidade muito grande e aventureiros dispostos a se arriscar rumo ao norte do continente eram tão pouco experientes quanto eles. No final, os Lanças de Prata seriam uma alternativa tão boa quanto possível. Sem maiores delongas, juntaram os suprimentos necessários e partiram em jornada naquele mesmo dia.

“Tormenta” na Estrada…
… Ou Quando Estranhos Se Ajudam

Os Lanças de Prata seguiram viagem e rapidamente deixaram Polandis para trás, seguindo pela estrada na planície que levava às terras do norte. Tiveram um primeiro dia tranquilo e sem grandes eventos, cruzando com uma ou outra caravana em direção aos mercados da cidade e fazendeiros levando ou trazendo mantimentos.

No segundo dia, enquanto ainda descansavam, um grupo de cavaleiros, com pesadas armaduras de diferentes tipos e fortemente armados passou por eles. Lançaram olhares hostis ao grupo e seguiram viagem. Durante uma das paradas para descansar os heróis conversaram sobre o estranho grupo, e concordaram em ficar alertas para possíveis reencontros. Voros resolveu seguir os cavaleiros, usou seus poderes de druida e transformou-se em um falcão. Seguiu os homens de armadura por algumas horas e viu quando eles abordaram um velho guerreiro sentado à beira da estrada. Pousou em uma árvore próxima e ouviu uma estranha conversa entre eles, os quatro chamavam o ancião de “Tormenta” e o chamava para dominar “Os macacos”. Quando o velho recusou, os cavaleiros foram embora com desprezo no olhar. Voros então retornou aos seus companheiros e os encontrou no cair da noite.

Tormenta, o velho na estrada

Ao final do terceiro dia, quando a tarde de primavera tornava-se ainda mais fria e com nuvens de chuva se aproximando mais rápido do que o esperado naquela época do ano, chamou atenção deles que o homem sentado na pedra na beira da estrada permanecia no mesmo lugar onde Voros o encontrara no dia anterior. Parecia ser um guerreiro veterano, seus cabelos e barbas completamente brancos. Usava uma armadura leve bastante surrada, apoiava-se em um bastão de madeira e olhava fixamente para o grupo de heróis. Algo chamava atenção de Wallace, mas não sabia o que ainda… (Espírito de porco como os jogadores eram, passaram e voltaram pelo velho umas quatro vezes antes de resolver parar pra conversar com ele, e só fizeram isso porque não acharam a trilha dos cavaleiros de armadura)

Logo que começaram a conversar, Wallace entendeu o que estava lhe intrigando: O velho guerreiro se apresentou como Tormenta, disse que era um dos servos de Thor, o deus do trovão. Wallace reconheceu o homem e após saudá-lo respeitosamente, explicou aos seus amigos de que no passado, contam as lendas que os deuses caminhavam entre os mortais na forma de poderosos avatares. E que estes avatares tinham a seu serviço espíritos que encarnaram em forma mortal, vindos dos domínios celestes onde os deuses habitam. Tormenta confirmou que sim, era um deles, e lutou na Guerra da Necrópole, 3.000 anos atrás, para defender os mortais ao lado de seu deus. Os Lanças de Prata ficaram boquiabertos de estarem encontrando um enviado de um deus pessoalmente… Mas porque eles?

Tormenta explicou que depois da guerra, os deuses desapareceram e não conseguia mais se comunicar com Thor no plano material. Foi quando caiu em um sono profundo. Há pouco tempo despertou, mas estava cansado e sozinho, e queria encontrar sua contraparte. Sua companheira eterna era Ingra, uma serva da Lady Sif, a deusa consorte do poderoso Thor. Ela também adormeceu por isso, pediu a ajuda dos heróis para buscá-la de modo a ficarem juntos novamente.

Ingra, serva de Sif

Mas Voros estava incomodado, pois sentia que algo faltava. Pediu a palavra e perguntou para Tormenta: “Porque nós? Porque você mesmo não foi atrás dela? E por último: Quem eram aqueles homens de armadura que lhe chamavam para dominar os macacos?” – Embora os companheiros de Voros tenham ficado surpresos na maneira direta do druida falar, Tormenta não aparentou contrariedade ou surpresa, e respondeu as perguntas do jovem meio-elfo.

“Os cavaleiros de armadura são servos, assim como eu, mas de avatares de diferentes divindades da guerra. Eles também despertaram recentemente, mas diferente de mim, o impulso que sentem é de guerrear e dominar. Ainda procuram outros como eu, e relíquias que aumentem seu poder para se libertar das regras que nos impedem de ferir mortais. Quando isso acontecer, temo pelo seu mundo. Quanto a eu não ter ido em busca de minha amada, é porque diferente de mim, ela adormeceu em um lugar sagrado, onde servos como eu também adormeceriam, e ficaríamos assim até o retorno dos deuses, além de acabar mostrando o caminho para outros que estivessem me seguindo. Não quis arriscar revelar a localização para possíveis mercenários a serviço dos espíritos da guerra. Esse inclusive é um dos motivos que me fez escolher vocês: Já ouvi falar de seus feitos, e sua reputação é de heróis promissores. Se conseguirem resgatar a minha Ingra, eu lhes direi onde está a minha relíquia que tanto interessa a eles. “

Indagado ainda sobre que regras seriam essas que os tais espíritos encarnados da guerra ansiavam quebrar, Tormenta explicou: “Para garantir que estaríamos aqui no plano terrestre para ajudar aos mortais ao invés de lutarmos entre si, ou nos espalharmos pelo mundo, todos nós que viemos para cá estamos sujeitos a três regras: “

  • Não podemos lutar entre nós;
  • Não podemos atacar os mortais, a menos que nos ataquem;
  • Não podemos nos aproximar das relíquias dos outros deuses, a menos que nos permitam.

“Esses mandamentos estão gravados em nossas essências, nada menos do que um grande poder divino poderia quebrá-los. E eu suspeito que é por isso que os Angorin – assim somos chamados pelos nossos mestres – estão buscando outros, para reunir nossas relíquias nesse propósito maligno. Não posso compactuar com isso, mas tenho que ter certeza de que quem vai guardar minha relíquia tem condições de protegê-la.”

Os servos dos deuses da guerra, os Angorin guerreiros

A sinceridade e honestidade de Tormenta impressionou a comitiva de amigos, e Linda não sentiu maldade alguma no coração daquele velho guerreiro. Sem precisar ponderar muito, decidiram que aquele poderia ser um começo de uma trama que ficaria bem sinistra, e resgatar Ingra não atrasaria muito a jornada para a Necrópole. Concordaram então em ajudar esse estranho, que talvez pudesse ajudá-los também. Afinal relíquias divinas tendem a ser poderosas ferramentas contra mortos-vivos. Pegaram a localização onde Ingra estaria, e rumaram para lá. Não sem antes ouvir um aviso de Tormenta para que tomassem cuidado, afinal era bem provável que o local tivesse um guardião protegendo o sono da serva de Sif…