Primeira Temporada – III

Encontros e Partidas…

Com o grupo já entrosado e com um novo propósito, os heróis continuam a sua jornada rumo à Necrópole ao norte, onde tiveram algumas surpresas boas, outras ruins… E em algum momento, eis que surge… O Rex! Tradições que são mantidas…

A Última Forja

Ainda abatidos pelos eventos da última sessão, os heróis seguem a sua jornada rumo ao norte. Por duas vezes tiveram que lidar com pequenos eventos, como saqueadores goblins que atacavam uma caravana que levava mercadorias para a última grande cidade da região: Szecsa, entreposto agrícola no passado que foi devastada na Grande Guerra quando os campos do vale em que se situa chafurdaram em sangue, fogo e enxofre.

Szecsa queimando na Grande Guerra

Agora, Szecsa jazia no meio de um vasto pântano, formado das cinzas das antigas fazendas e alagadas com a água do antigo rio Vrandur, que teve seu curso quase que completamente bloqueado durante uma das batalhas da antiguidade. As terras inférteis baniram a maioria dos fazendeiros, até que segundo as lendas locais, uma família parou com uma carroça quebrada nas estrada lamacenta, e ao procurar por madeira para fazer os reparos, uma das crianças retornou com um machado de batalha de aparência sombria, e de lâmina completamente negra, para ajudar a cortar troncos de árvore. Com extrema facilidade, cortaram a madeira, e o fazendeiro ficou espantado com aquele machado, imaginando que conseguiria um bom dinheiro por ele ao sul, para trocar por sementes e ter um novo recomeço.

Quando chegou na loja de armas, descobriu que a arma era valiosíssima, o metal, conhecido como “Aço Negro” só era encontrado muito ao norte, e apenas forjas nas cidades anãs conseguiam derretê-lo. Uma vez pronta, uma arma ou armadura de Aço Negro era praticamente indestrutível, e resistente até mesmo a poderosas magias. Era muito procurada por guerreiros, e dizia-se que os guerreiros vampiros utilizavam armas e armaduras desse metal, infligindo grande destruição aos exércitos mortais e divinos ao mesmo tempo.

O fazendeiro ficou muito rico com apenas aquela arma, e resolveu voltar com a sua família para procurar mais Aço Negro no pântano que se formou. Com o passar do tempo e descoberta de mais peças antigas, Szecsa recebeu anões refugiados do norte, que montaram grandes forjas na cidade, e rapidamente ela voltou a crescer, agora com catadores de peças de Aço Negro, vendidas quando inteiras, ou quando muito danificadas, reforjadas na única cidade restante que podia fazê-lo. Foi quando Szecsa ficou conhecida como “A Última Forja”, a contragosto dos refugiados anões, que esperavam um dia retornar para a sua cidade perdida.

Mestre Anão forjando uma espada de Aço Negro

Os heróis resolveram acompanhar a caravana até Szecsa, passando a maior parte do tempo aprendendo sobre a cidade e olhando aquele vasto pântano que os cercava, outrora fazendas com seus campos cheios de vida. Em um dos dias de viagem pelo pântano, Victor encontrou uma pequena espada feita de Aço Negro, que apesar de ter alguns milhares de anos, ainda tinha um fio formidável e tão forte quanto as melhores espadas que o guerreiro já tinha visto.

Pararam nos mercados de Szecsa para negociar a espada, quando notaram uma certa agitação nas ruas. Xistus se misturou ao povo e foi buscar informação enquanto o resto do grupo foi vender a espada e reabastecer provisões e adquirir montarias novas. Quando se reuniram, Xistus contou ao grupo o motivo da agitação nas ruas do mercado: Um cavaleiro em uma armadura de aparência ameaçadora e feita de placas de aço atacou as famílias que viviam nos arredores de Szecsa, matando todos os homens e capturando todas as mulheres. Um mercador de escravos solitário? E nenhuma cidade ao norte do continente permitia escravidão. Seria ele o tal cavaleiro que os Angorin da guerra recrutaram? Essa história estava estranha…

Linda e Keifan apressaram seus amigos. Todos deveriam partir logo, o frio outono se aproximava e estavam muito preocupados com as mulheres capturadas. Os Lanças Prateadas partiram na direção para onde o cavaleiro teria ido. Após alguns dias de marcha, saíram do terreno do pântano quando Keifan conseguiu achar o rastro da marcha com facilidade. Estava muito angustiado, pois as prisioneiras marchavam descalças na terra dura. Rumaram para a cadeia de montanhas que circundava o norte dos pântanos. Não deveria ser uma coincidência que marchavam em direção da Necrópole.

A Surpresa na Montanha

Os heróis saíram de Szecsa e seguiram o curso contrário ao do rio Vrandur, acompanhando pela antiga estrada que o margeava, rumo à sua nascente nas primeiras montanhas da grande cordilheira que cercava todo o vale e se estendia por centenas de milhas de altas montanhas em todo o norte. Levando apenas suprimentos para alguns dias para viajarem leves, e com Keifan um pouco à frente procurando por rastros, não demorou muito para os Lanças Prateadas finalmente encontrarem ao pé das montanhas, vestígios de um grupo de mulheres aparentemente andando em fila atrás de um cavalo de batalha pesado, há apenas alguns dias ! Aceleram o passo, e encontraram uma pequena surpresa no caminho:

Thoran crucificado no caminho

Um jovem de aparência rústica e forte estava pregado em uma estrutura de madeira na beira da estrada. Todos os heróis ficaram chocados, mas Linda e Wallace correram para resgatá-lo, enquanto Voros observava incrédulo e um pouco receoso de quem seria esse estranho, só por ter sido vítima de um mal não necessariamente seria alguém digno. Mas seus questionamentos foram ignorados pelos seus amigos e sua desconfiança somente diminuiu quando Linda lhe assegurou que não sentia maldade no coração do rapaz.

Thoran era seu nome. Um jovem de uma das tribos do extremo norte, chamadas de “tribos bárbaras” pelos habitantes das cidades mais ao sul. Esse povo estava acostumado às condições difíceis de vida da região e não era incomum ver clãs inteiros de nômades que migravam constantemente buscando melhores condições de vida, mas nunca saindo do norte, pois desconfiavam do povo do sul. Mas quando Wallace curou seus ferimentos, o jovem se sentiu mais seguro em compartilhar informações com os também jovens heróis.

Disse ele que estava no encalço de um homem cruel, com uma daquelas roupas de metal pesado tão difíceis de matar, fortemente armado e montado em um grande cavalo de guerra. Era um cavaleiro habilidoso, e matou os homens de uma família que conhecia, levando as mulheres prisioneiras, junto daquelas que ele mesmo já trazia. Em especial, a pequena Shira, uma menina de linhagem venerada, que estava sob a sua guarda, e que ele havia deixado com a família enquanto caçava. Thoran seguiu seu rastro até aqui, quando encontrou o cavaleiro ainda na estrada. Atacou e tentou vencê-lo, mas não foi páreo para o guerreiro mais experiente e bem equipado. A última coisa que lembrava, era a agonia de ser crucificado em uma estrutura de madeira antiga, onde provavelmente outros sofreram uma morte lenta e dolorosa à beira da estrada.

Uma vez recuperado, Thoran pediu para se juntar ao grupo, já que todos queriam libertar as cativas do guerreiro a cavalo. Continuaram a jornada por mais dois dias, até que em um pequeno vale que ficava no meio de um grupo de montanhas, finalmente encontraram o homem que levava as mulheres acorrentadas. Todas estavam em fila em péssimas condições, acorrentadas pelos pulsos e completamente nuas. Essa visão tirou Keifan do sério, que antes de qualquer planejamento partiu em carga, gritando enfurecido, eliminando assim qualquer chance de surpresa. Provavelmente a intenção do cavaleiro era causar este tipo de reação, pois agiu como se já esperasse um ataque assim.

O homem largou a corrente que puxava no chão e virou seu cavalo na direção do grupo que o atacava. Abaixou a lança e disparou em direção aos Lanças de Prata. O chão parecia tremer sob os cascos daquele maciço cavalo acinzentado, que conduzia aquele monstro de armadura contra os heróis.

E ele fez valer a experiência e o despreparo dos Lanças de Prata contra um cavaleiro acostumado a justas em equipamento completo. Em um único movimento, acertou Keifan em cheio, que já caiu no chão completamente atordoado, e enquanto fazia a volta, ainda desequilibrou Thoran, que caiu no chão, enquanto galopava novamente para finalizar Keifan. Foi Toravin que o salvou, fazendo um feitiço que tornou o chão escorregadio, enquanto Voros conjurou raízes do solo, para atrapalhar o movimento. Em momentos, os heróis recuperaram a vantagem, e Victor correu para desmontá-lo, onde a tática em equipe e a superioridade numérica ajudaram os heróis a vencer um oponente mais forte. Recusando-se a se entregar, ou mesmo revelar qualquer detalhe do porque tinha capturado as mulheres, o homem foi finalmente eliminado quando Victor o atingiu, para proteger Wallace.

As prisioneiras foram libertas, mas a falta de vestimentas adequadas e alimentação tornariam impossível para que sobrevivessem a mais uma jornada longa. Foi aí que os heróis conversaram entre si e resolveram que deixariam seus cavalos para que as mulheres montassem. Como estavam cobertas apenas pelos mantos e cobertores que os heróis haviam levado, estavam leves e poderiam cavalgar em duplas e até mesmo um cavalo levou um trio de meninas com pouco mais de 8 anos. Linda e Xistus concordaram em escoltá-las até a última cidade que de onde vieram, já que eram os mais leves e conseguiriam levar outras nas suas garupas, para em seguida retornarem para seus amigos, com Xistus seguindo a trilha deixada por eles.

Thoran ficou incomodado de não poder voltar com Shira, mas entendeu que não haveria como ele acompanhá-las sem atrasá-las, e tempo era inimigo das mulheres libertas. Além disso, queria retribuir a ajuda que os heróis lhe deram e disse que faria o melhor para que não sentissem falta dos dois heróis que estavam retornando com elas, ou de suas espadas. Disse isso e virou-se para o corpo do guerreiro maligno que vencera, e pegou tudo o que achava que seria valioso, para desgosto de Voros, que não apreciava a atitude de saquear os inimigos derrotados.

Os Três Túmulos

Agora a pé, continuaram a jornada rumo ao norte, seguindo na direção que Tormenta indicou no mapa. Pelas estimativas, estavam cruzando o território que já pertencia a um antigo reino anão, que diziam as lendas, foi o primeiro a cair frente ao ataque avassalador da Necrópole. Mas por onde olhavam, só viam montanhas, nenhum sinal de fortificação ou batalha. Wallace estava apreensivo, pois a região onde estaria a Necrópole era muito extensa. Perguntava a Kallas como fariam para chegar lá?

O fortim abandonado

Logo acharam um pequeno fortim encravado na encosta da montanha. Provavelmente outrora um entreposto anão, visivelmente abandonado, mas que serviria de abrigo, e mais importante, alimentou a esperança dos Lanças de Prata estarem no caminho certo! Entraram cautelosamente, e Toravin invocou luzes para iluminar o caminho para seus amigos humanos. O interior era praticamente apenas ruínas, com sinais de combate feroz, mas já bastante desgastados, depois de milhares de anos. Para se certificarem que estavam seguros, resolveram vasculhar o fortim, para evitar surpresas desagradáveis.

Mas antes de descansar, encontram em um pavimento inferior, três túmulos lacrados, cercados por símbolos sagrados, e uma leve aura mágica remanescente ao seu redor, detectada por Toravin. Runas na língua dos anões estavam entalhadas em suas tampas, e Wallace, que conhecia a língua, traduziu para seus companheiros:

“Dentro deste túmulo jaz um vampiro da Necrópole. Não dispomos dos meios para destruí-los em definitivo, nosso sacerdote morreu e o sol não brilha há meses. Nós o Imobilizamos com estacas e neste túmulo. Fiz um pequeno truque que preserva a pedra, e vamos em busca do resto das tropas. NÃO ABRA O TÚMULO SE NÃO ESTIVER PRONTO!”

Todos ficaram espantados e preocupados. TRÊS VAMPIROS? (um ou outro jogador me xingando por ser sem noção, e eu enquanto ria, continuava descrevendo) Depois de discutirem bastante, fizeram um plano e se organizaram. Victor e Thoran levantariam a tampa de pedra do primeiro túmulo, Keifan retiraria a estaca e Toravin ficaria preparado para conjurar uma magia se fosse necessário enquanto Wallace empunharia a Orbe do Sol para destruir o vampiro, já que eles a acionariam antes de abrir a tumba, para preencher o ambiente com a luz do sol.

Tiveram um pouco de receio para abrir o primeiro túmulo, mas quando viram que o vampiro virou pó em pouquíssimos segundos, ganharam confiança e abriram mais um… Mais uma vez, o vampiro destruído, e os heróis confiantes. Quando foram abrir o terceiro…

“Para! Para!! Por favor, faz isso comigo não, profeta!!”

E viram dedos cadavéricos segurando a tampa de pedra, pra impedir que a luz entrasse no túmulo… (Todos se escangalharam de rir com a cena, mas continuamos)

O terceiro vampiro tinha conseguido despertar com muita dificuldade, e tinha ouvido a destruição de seus dois aliados… Em pânico, tentou barganhar com os heróis pra não ser destruído, e revelou tudo o que sabia: Que cinco vampiros vieram aqui com a missão de descobrir a passagem que levava para a capital do reino dos anões, e preparar a invasão lá de dentro, para tomar a cidade. Dois descobriram e se infiltraram, enquanto os que ficaram fazendo guarda foram surpreendidos pelos defensores do fortim, e acabaram aprisionando-os. Sem hesitar, revelou aos Lanças de Prata onde ficava a passagem e perguntou se depois disso deixariam que ele fugisse.

Voros respondeu: “Não!” e em seguida Victor e Thoran levantaram a tampa da tumba, e o vampiro virou pó…

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