Primeira Temporada – Sessão Final

Anões, Gigantes & Vampiros

Motivados pela proximidade do fim da jornada, os Lanças Prateadas preparam-se para o maior desafio das suas vidas: Invadir a famigerada Necrópole em uma sessão que tem de tudo um pouco: Descobertas, tesouros, combates, revelações e mistérios…

Alarme, que Alarme?

Após uma breve pausa, os heróis continuaram sua avançando até encontrar a entrada da antiga cidade de anões, agora em ruínas. Com um pequeno lago à sua frente e a neve cobrindo toda a região, era difícil acreditar que a área estava tomada por um dragão branco e seus lacaios. Nem mesmo pegadas ou vestígios estavam à mostra, fato que impressionou bastante Keifan.

Externamente, pareciam ruínas de uma fortificação outrora majestosa, com um grande portal de entrada, agora sem nenhuma barreira, pois o que sobrou dos portões foi desfeito pela passagem do tempo, das intempéries do clima e ação de pilhagem dos muitos que habitaram essas ruínas desde sua queda, tantos anos atrás.

Movendo-se o mais furtivamente possível, os heróis adentram o grande Hall de pedra, e surpreendem-se com o que veem: A passagem vai aumentando de tamanho conforme se alonga pra dentro da montanha até chegar a um grande salão, onde podiam ver mais ruínas de construções imensas. Grandes colunas, estátuas e residências esculpidas na pedra bruta com tamanha habilidade e beleza que nem mesmo a passagem do tempo diminuiu a sua beleza. Embora bastante danificadas pelas batalhas travadas em seus domínios, as estruturas da cidade ainda assim continuavam majestosas e imponentes, arrebatando suspiros de admiração dos Lanças de Prata.

Conseguiram evitar duas patrulhas de gigantes de gelo, estes sem seus imensos lobos invernais para sorte dos heróis e se esgueiraram para o que parecia ser algum tipo de depósito utilizado no passado e agora permanecia vazio. Lá sentaram, descansaram e se alimentaram, antes de decidir continuar a exploração.

Toravin, curioso como sempre, se ofereceu para dar uma olhada em volta. Keifan ainda argumentou que ele seria o mais furtivo do grupo após Xistus, mas Toravin disse que usando de magia, ficaria invisível e poderia andar com mais segurança. Resolveram arriscar e o jovem elfo mago foi se aventurando para dentro das ruínas daquela que outrora foi uma grande cidade de anões naquele Norte gelado. Com cautela, não teve dificuldades para evitar os poucos gigantes que perambulavam pelas ruínas. Não sabia se eles estavam evitando a região próxima à cidadela por saber que seus senhores desmortos estavam retornando ou por medo do jovem dragão que havia tomado para si aquele território. Seja por qual motivo fosse, Toravin estava grato pela facilidade em se deslocar.

Chegou a uma pequena construção que parecia ter sido erguida há pouco tempo feita inteiramente de gelo. Pelas dimensões da entrada, obviamente era obra dos gigantes. Toravin entrou furtivamente observando seu interior quase vazio: Em um dos cantos havia um anão dormindo, preso a correntes. No centro da estrutura havia um pedestal com uma bola de cristal repousando em um almofada no centro, com diversas inscrições feitas em volta do pedestal e no próprio pedestal. Toravin era um estudioso de itens mágicos e já havia visto algumas raras bolas de cristal, muito valiosas para magos de alto poder, que dizem que são capazes de ver e achar lugares e pessoas com tal artefato, mas nunca tinha visto uma tão bela e cristalina como esta que repousava no pedestal.

Toravin e a bola de cristal encontrada

Não conseguiu se conter e resolveu levar esse tesouro. Decidiu que pegaria antes de tentar salvar o anão cativo, que provavelmente serviria de comida para os gigantes. Usando de suas magias, viu que uma aura poderosa emanava do bola, mas também auras mais fracas do pedestal e das runas no chão. Riu aliviado pelos saqueadores da cidade terem pouco domínio de magia e com confiança desfez as magias e do chão e do pedestal, se aproximou da bola de cristal e a pegou com segurança.

Foi nesse momento que um alarme disparou! Um toque alto como de vinte trombetas ecoava, emanando da própria bola de cristal! A poderosa aura mágica da bola ocultou a tênue aura mágica da magia de alarme, e agora ele tinha que se apressar!

O barulho acordou o anão que imediatamente se levantou assustado, mas que reagiu rapidamente ao compreender a situação. Toravin usou um encanto simples de abertura de mecanismos e abriu o cadeado que prendia o anão, que agradeceu com um aceno de cabeça e disse numa língua comum carregada de sotaque:

“Obrigado meu jovem! Deixe-me retribuir, siga-me depressa e o levarei para segurança!”

“Sim mestre anão! Mas precisamos encontrar meus amigos naquela direção!” – Respondeu Toravin, já apontando para a entrada da cidade, onde seus companheiros estavam naquela grande casa de gelo ainda.

O anão então tirou de dentro de sua veste um pequeno símbolo de martelo, pendurado em seu pescoço, entoou uma prece e de repente o som do alarme parou. Era um sacerdote de Moradin, o deus maior dos anões, que estava ali! Que sorte! Enquanto Toravin respirou aliviado, o anão deu um sorriso e falou:

“Me chame de Irmão Drognir rapaz e me acompanhe! Temos poucos momentos de vantagem, até eles chegarem aqui e virem que a bola de cristal sumiu! Mas temos tempo de buscar seus amigos, apenas teremos que correr!

E juntos correram de volta para a grande casa de gelo.

O Avatar Morto

Com o máximo possível de furtividade e aproveitando as habilidades mágicas de Toravin, os Lanças Prateadas adentraram nas ruínas da cidade, seguindo as orientações de Drognir. Enquanto andavam, Drognir se apresentou com mais calma. Ele vinha de Szecsa junto de seu clã, que fazia parte dos que fugiram da queda dessa cidade – Brandur – durante as Guerras Esquecidas, milhares de anos atrás.

O Anão, jovem para os padrões de seu povo, era um sacerdote de Moradin recém ordenado e na sua primeira noite como clérigo, teve um sonho com uma poderosa voz vindo da montanha ao norte chamando por ele e dizendo que o “O fogo liberta!!”. Mesmo sem entender exatamente o que tinha que significava, sentia que a vontade Moradin o direcionava de volta à antiga Badur. Juntou um grupo de voluntários do seu clã – Battonar – e partiu para a montanha, mas a inexperiência em aventuras fez com que fossem capturados antes mesmo de entrar nas ruínas.

Agora, conseguiram evitar as poucas patrulhas que ainda estavam alertas por causa do alarme de mais cedo e além do mais, uma consequência afortunada foi que os gigantes deixaram os anões prisioneiros sozinhos. Os heróis rapidamente soltaram a todos, e Drognir os guiou até uma grande parede de pedra que tinha o que seriam pedaços de um mosaico colorido em homenagem ao panteão dos Anões nos dias de glória daquela cidade.

Fazendo jus à habilidade de sua raça em túneis e minas, Drognir achou uma passagem secreta na parede sob os restos do mosaico. Rapidamente todos entraram e seguiram um túnel estreito, que terminava em um grande salão de pedra que tinha um imenso túmulo de pedra cuja esquife era um majestoso anão em armadura de combate, mas tinha o dobro de tamanho de um humano adulto!

O túmulo misterioso

Todos estavam chocados com a descoberta, mas ninguém tinha coragem de dizer nada, até que Drognir quebrou o silêncio:

“Moradin, meu senhor!” – suspirou o jovem sacerdote.

Respeitosamente, ele se aproximou, mas quando estava quase tocando no grande túmulo, Toravin o puxa pelo braço e avisa:

“Cuidado meu amigo, há uma magia profana emanando deste túmulo!”

Com muito cuidado e com a orientação dos utilizadores de magia presentes, Victor, Thoran e os anões ergueram a tampa do túmulo e viram o que seria um poderoso anão em armadura de combate, carregando um grande machado, mas que era de um tamanho muito maior do que um humano normal. Wallace disse que deveriam estar na presença de um corpo de um Avatar talvez do próprio Moradin. Fez uma prece silenciosa para Kallas, e se perguntou porque o corpo ainda estava ali. Avatares ao morrer se desfazem das suas formas materiais e retornam para o plano de existência da divindade. Por que este Avatar não retornou para Moradin?

Então perceberam que haviam runas e magias aplicadas no corpo, que estava com a garganta cortada. O sangue divino foi usado para algum propósito profano, sem dúvida, e usaram de magias profanas para impedir o real descanso do Avatar. O horror na face dos Lanças Prateadas só era menor que o presente nos rostos dos anões!

Depois de conversarem bastante sobre o que fazer (não se ouvia falar de avatares desde as guerras esquecidas e provavelmente este era desta época), Voros consegue convencer a todos que deveriam usar de fogo para queimar o Avatar. Assim o fazem e o fogo destrói as runas, quebrando as magias que aprisionavam a essência do Avatar. O corpo finalmente se desfaz, e os aventureiros respiram um pouco aliviados.

Então, na frente deles aparece uma imagem majestosa, que eles reconhecem com as feições presentes no esquife. Com uma voz poderosa mas reconfortante, ele se dirigiu a Voros (que foi quem teve a ideia de libertá-lo pelo fogo):

“Muito obrigado meu amigo! Sua ideia permitiu que eu me libertasse, e agora vou poder retornar à plenitude do meu ser! As energias desse Avatar estão se esvaindo, contudo posso lhe dar uma benção poderosa, ou dividi-la para todos vocês!”

“Muito obrigado senhor, mas não quero nada somente para mim! Ficarei alegre em dividir sua benção com todos.”

“Que assim seja!”

Bônus: Nesse momento o Avatar deu para todos os jogadores +2 para aumentar em qualquer atributo que desejassem. Foi o primeiro “boost” de atributos livres que os Lanças receberam!

Antes de partir, o Avatar de Moradin compartilhou com seus salvadores de que Brandur foi a primeira cidade a cair, pois os vampiros da necrópole o atacaram de surpresa através de um espelho mágico que estava na sala de tesouros e assim conseguiram surpreendê-lo e derrotá-lo. Seu sangue foi utilizado para rituais e os desmortos quase conseguiram seu objetivo. Foi ali o início da Guerra Profana.

Ensinou os heróis a palavra pra acionar o espelho, desejou boa sorte e partiu de volta para seu plano de existência.

A Batalha da Necrópole!

Rumaram imediatamente para a sala do tesouro, onde viram o espelho mencionado pelo avatar de Moradin. O que chamou atenção deles foi uma imagem de alguém que parecia muito com Victor (seria um antepassado?). Cautelosamente, usaram a palavra secreta que ativava o espelho, e as imagens refletidas se distorcem como se estivessem em um redemoinho, para desaparecer por completo e mostrar em seu lugar um outro aposento com uma arquitetura diferente da que viram até agora nas ruínas de Brandur.

Os Lanças de Prata se prepararam com magias de proteção, poções, óleos… Tudo o que poderia lhes dar uma vantagem em caso de encontrarem algum dos habitantes da necrópole, por mais improvável que fosse. Cruzaram o inusitado portal mágico e se infiltraram sorrateiramente na cidade maldita. Pela primeira vez em milhares de anos, os vivos pisavam novamente na capital dos mortos! Estavam em um aposento, agora abandonado, em algo que parecia ser uma torre. Havia luz entrando por uma janela com vitral, Voros se aproximou para ver de onde vinha e ficou surpreso em notar que grandes cristais espalhados pelas paredes e teto da gigantesca caverna pulsavam com energia mística. Chamou Toravin e perguntou o por quê daquele fenômeno e a resposta o deixou inquieto: “Algum ritual de magia poderoso está sendo preparado, os cristais reagem à magia sendo usada.”

Olhando de cima, o mago apontou para o que parecia ser uma praça em meio aos prédios arruinados, tanto pelo tempo quanto pela última batalha travada aqui, uma espécie de ritual estava se iniciando com alguns encapuzados, não mais do que uma dúzia. Porém, se fossem vampiros, isso já seria mais do que poderiam enfrentar. Foi quando Wallace puxou a Orbe do Sol, e disse: “É para isso que temos este artefato sagrado! Tudo o que precisamos é chegar próximo o suficiente deles para eu puxar a Orbe e utilizá-la, eles serão destruídos na hora, não importa quão forte sejam. ” – Concordaram com sacerdote de que apesar de arriscado, era o melhor plano que teriam, e resolveram se esgueirar pelas ruínas da cidade para chegar nessa praça sem serem notados.

Com Thoran um pouco à frente, os heróis vão se infiltrando entre as paredes e escombros, nas pequenas ruas e vielas que ainda tinham passagem. Quando repentinamente são surpreendidos pelo Ogre Mage que os emboscou anteriormente! O combate vai começar, todos se posicionam, mas Thoran ganha a iniciativa e arremessa o seu machado! Com uma rapidez e força impressionantes, ele arremessa um machado de mão, que vai direto para o meio da cara do monstruoso guerreiro místico, que tomba sem vida no chão! (maldito 20-20-18 no d20! 😉 )

Regra Opcional que uso: Quando o d20 dá um 20 natural em um ataque e 20 novamente na hora de confirmar o crítico, a gente joga mais uma vez, se der “hit”, INSTA-KILL do alvo (se for sujeito a crítico)!

Os Lanças prateadas se apressaram e seguiram adiante, quando depois de algumas construções, avistaram o que deve ter sido no passado uma praça de algum templo profano, onde estavam reunidos algumas figuras sinistras, que Wallace prontamente identificou como vampiros! A antiga ameaça estava de volta!

Mas algo parecia estar errado. Enquanto o que parecia ser o líder demonstrava confiança, os outros o cobravam pela perda do sangue de uma divindade… Mais uma das pequenas vitórias dos heróis.

De repente, eles começaram a lutar entre si, com o líder sendo morto por um de seus ajudantes, que numa cena grotesca, crava seus dentes no pescoço e se alimenta do próprio senhor!

Aproveitando o caos momentâneo, os Lanças de Prata se lançam ao ataque antes que os vampiros se recuperassem do combate, e graças aos poderosos artefatos que carregavam (em particular a Orbe do Sol), e pela segunda vez, as forças do mal são destruídas na Necrópole! Depois de 3000 anos, a luz toca novamente no solo da Cidade dos Mortos!

Mesmo cansados, os heróis vasculham as ruínas agora realmente desertas e recuperam diversos itens valiosos como ouro, joias e até mesmo objetos mágicos, enquanto se certificam que nenhum vampiro sobrou para ameaçar o continente de Alderon mais uma vez.

Exaustos, mas triunfantes, os Lanças de Prata partem da Necrópole para retornar para sua casa, no distante reino ao sul. Depois de um longo dia de marcha, resolvem passar a noite para descansar no esconderijo mágico invocado por Toravin, através de uma corda que leva a uma portinhola que uma vez fechada, desaparece e só pode ser reaberta por dentro, deixando a todos seguros em outra mini dimensão e qualquer um que estivesse seguindo seus rastros ficaria confuso com as pegadas na neve desaparecendo no topo daquela montanha no meio da cordilheira das Montanhas do Norte.

…E assim, descansam os heróis, até a próxima temporada! 🙂

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