Lira & Wotan: Os Novos Lanças Prateadas!

Finalmente avançamos para a segunda temporada, onde essa tal de vida real provocou as primeiras mudanças na nossa roda de jogo… Teve gente que saiu, teve gente que foi e voltou, teve gente nova… Esse post curtinho apresenta os recém-chegados para a segunda temporada!

Chegando na segunda temporada:

Lira Lightstep

Lira é uma Halfling ladina. E foi a primeira pessoa a ser ajudada pelos Lanças de Prata logo depois de serem jogados no futuro (200 anos) pelo Cataclisma que devastou a região Noroeste de Alderon.

Salva pelos heróis de ser vendida como escrava pelo líder da guilda de ladrões de Pirenaar, por ter se recusado a assassinar uma sacerdotisa de Kallas idosa, que cuidava das crianças órfãs da cidade.

Ela foi a primeira integrante dos Lanças Prateadas Pós Cataclisma, esperta e caótica, adora “encontrar” itens “perdidos” pelo chão, quanto mais interessantes ou brilhantes melhor, tem um coração bom e acredita na amizade acima de tudo. Gosta de se gabar que é a única que entende o bárbaro Thoran. Frequentemente pregava peças em Victor, que mesmo assim não conseguia se irritar com a ladina, em compensação levava Voros à loucura com sua curiosidade e buscar por “aventuras emocionantes” (e às vezes beirando a insanidade de tão arriscadas).


Wotan Rochanegra

Wotan é um humano Paladino de Heironeus, com um posto alto em sua Ordem. A ele foi dada a tarefa de construir uma fortaleza de paladinos nas terras de Aranwen, onde conheceu os Lanças Prateadas, juntando-se a eles nas primeiras aventuras nessa nova era. 

Disciplinado e sério, com uma mente privilegiada e um talento natural para táticas e estratégias, Wotan é um líder nato, que apesar de seu modo um tanto o quanto silencioso, inspira lealdade e coragem a todos que o cercam.

Um pouco orgulhoso, já se meteu em enrascadas (e por tabela seus companheiros), por ser absolutamente intransigente com o mal.

Dos heróis, possui uma grande afinidade com Lira e Victor, enquanto por diversas vezes colidia com Thoran por suas naturezas completamente antagônicas, para desespero de Voros e Wallace, que tentavam manter o equilíbrio e foco durante as aventuras do grupo.


Estes foram as adições para a roda, que começa com a cabeça de todo mundo rodando para entender o que estava acontecendo, mas isso eu deixo para explicar no próximo post… 😉

Primeira Temporada – Sessão Final

Anões, Gigantes & Vampiros

Motivados pela proximidade do fim da jornada, os Lanças Prateadas preparam-se para o maior desafio das suas vidas: Invadir a famigerada Necrópole em uma sessão que tem de tudo um pouco: Descobertas, tesouros, combates, revelações e mistérios…

Alarme, que Alarme?

Após uma breve pausa, os heróis continuaram sua avançando até encontrar a entrada da antiga cidade de anões, agora em ruínas. Com um pequeno lago à sua frente e a neve cobrindo toda a região, era difícil acreditar que a área estava tomada por um dragão branco e seus lacaios. Nem mesmo pegadas ou vestígios estavam à mostra, fato que impressionou bastante Keifan.

Externamente, pareciam ruínas de uma fortificação outrora majestosa, com um grande portal de entrada, agora sem nenhuma barreira, pois o que sobrou dos portões foi desfeito pela passagem do tempo, das intempéries do clima e ação de pilhagem dos muitos que habitaram essas ruínas desde sua queda, tantos anos atrás.

Movendo-se o mais furtivamente possível, os heróis adentram o grande Hall de pedra, e surpreendem-se com o que veem: A passagem vai aumentando de tamanho conforme se alonga pra dentro da montanha até chegar a um grande salão, onde podiam ver mais ruínas de construções imensas. Grandes colunas, estátuas e residências esculpidas na pedra bruta com tamanha habilidade e beleza que nem mesmo a passagem do tempo diminuiu a sua beleza. Embora bastante danificadas pelas batalhas travadas em seus domínios, as estruturas da cidade ainda assim continuavam majestosas e imponentes, arrebatando suspiros de admiração dos Lanças de Prata.

Conseguiram evitar duas patrulhas de gigantes de gelo, estes sem seus imensos lobos invernais para sorte dos heróis e se esgueiraram para o que parecia ser algum tipo de depósito utilizado no passado e agora permanecia vazio. Lá sentaram, descansaram e se alimentaram, antes de decidir continuar a exploração.

Toravin, curioso como sempre, se ofereceu para dar uma olhada em volta. Keifan ainda argumentou que ele seria o mais furtivo do grupo após Xistus, mas Toravin disse que usando de magia, ficaria invisível e poderia andar com mais segurança. Resolveram arriscar e o jovem elfo mago foi se aventurando para dentro das ruínas daquela que outrora foi uma grande cidade de anões naquele Norte gelado. Com cautela, não teve dificuldades para evitar os poucos gigantes que perambulavam pelas ruínas. Não sabia se eles estavam evitando a região próxima à cidadela por saber que seus senhores desmortos estavam retornando ou por medo do jovem dragão que havia tomado para si aquele território. Seja por qual motivo fosse, Toravin estava grato pela facilidade em se deslocar.

Chegou a uma pequena construção que parecia ter sido erguida há pouco tempo feita inteiramente de gelo. Pelas dimensões da entrada, obviamente era obra dos gigantes. Toravin entrou furtivamente observando seu interior quase vazio: Em um dos cantos havia um anão dormindo, preso a correntes. No centro da estrutura havia um pedestal com uma bola de cristal repousando em um almofada no centro, com diversas inscrições feitas em volta do pedestal e no próprio pedestal. Toravin era um estudioso de itens mágicos e já havia visto algumas raras bolas de cristal, muito valiosas para magos de alto poder, que dizem que são capazes de ver e achar lugares e pessoas com tal artefato, mas nunca tinha visto uma tão bela e cristalina como esta que repousava no pedestal.

Toravin e a bola de cristal encontrada

Não conseguiu se conter e resolveu levar esse tesouro. Decidiu que pegaria antes de tentar salvar o anão cativo, que provavelmente serviria de comida para os gigantes. Usando de suas magias, viu que uma aura poderosa emanava do bola, mas também auras mais fracas do pedestal e das runas no chão. Riu aliviado pelos saqueadores da cidade terem pouco domínio de magia e com confiança desfez as magias e do chão e do pedestal, se aproximou da bola de cristal e a pegou com segurança.

Foi nesse momento que um alarme disparou! Um toque alto como de vinte trombetas ecoava, emanando da própria bola de cristal! A poderosa aura mágica da bola ocultou a tênue aura mágica da magia de alarme, e agora ele tinha que se apressar!

O barulho acordou o anão que imediatamente se levantou assustado, mas que reagiu rapidamente ao compreender a situação. Toravin usou um encanto simples de abertura de mecanismos e abriu o cadeado que prendia o anão, que agradeceu com um aceno de cabeça e disse numa língua comum carregada de sotaque:

“Obrigado meu jovem! Deixe-me retribuir, siga-me depressa e o levarei para segurança!”

“Sim mestre anão! Mas precisamos encontrar meus amigos naquela direção!” – Respondeu Toravin, já apontando para a entrada da cidade, onde seus companheiros estavam naquela grande casa de gelo ainda.

O anão então tirou de dentro de sua veste um pequeno símbolo de martelo, pendurado em seu pescoço, entoou uma prece e de repente o som do alarme parou. Era um sacerdote de Moradin, o deus maior dos anões, que estava ali! Que sorte! Enquanto Toravin respirou aliviado, o anão deu um sorriso e falou:

“Me chame de Irmão Drognir rapaz e me acompanhe! Temos poucos momentos de vantagem, até eles chegarem aqui e virem que a bola de cristal sumiu! Mas temos tempo de buscar seus amigos, apenas teremos que correr!

E juntos correram de volta para a grande casa de gelo.

O Avatar Morto

Com o máximo possível de furtividade e aproveitando as habilidades mágicas de Toravin, os Lanças Prateadas adentraram nas ruínas da cidade, seguindo as orientações de Drognir. Enquanto andavam, Drognir se apresentou com mais calma. Ele vinha de Szecsa junto de seu clã, que fazia parte dos que fugiram da queda dessa cidade – Brandur – durante as Guerras Esquecidas, milhares de anos atrás.

O Anão, jovem para os padrões de seu povo, era um sacerdote de Moradin recém ordenado e na sua primeira noite como clérigo, teve um sonho com uma poderosa voz vindo da montanha ao norte chamando por ele e dizendo que o “O fogo liberta!!”. Mesmo sem entender exatamente o que tinha que significava, sentia que a vontade Moradin o direcionava de volta à antiga Badur. Juntou um grupo de voluntários do seu clã – Battonar – e partiu para a montanha, mas a inexperiência em aventuras fez com que fossem capturados antes mesmo de entrar nas ruínas.

Agora, conseguiram evitar as poucas patrulhas que ainda estavam alertas por causa do alarme de mais cedo e além do mais, uma consequência afortunada foi que os gigantes deixaram os anões prisioneiros sozinhos. Os heróis rapidamente soltaram a todos, e Drognir os guiou até uma grande parede de pedra que tinha o que seriam pedaços de um mosaico colorido em homenagem ao panteão dos Anões nos dias de glória daquela cidade.

Fazendo jus à habilidade de sua raça em túneis e minas, Drognir achou uma passagem secreta na parede sob os restos do mosaico. Rapidamente todos entraram e seguiram um túnel estreito, que terminava em um grande salão de pedra que tinha um imenso túmulo de pedra cuja esquife era um majestoso anão em armadura de combate, mas tinha o dobro de tamanho de um humano adulto!

O túmulo misterioso

Todos estavam chocados com a descoberta, mas ninguém tinha coragem de dizer nada, até que Drognir quebrou o silêncio:

“Moradin, meu senhor!” – suspirou o jovem sacerdote.

Respeitosamente, ele se aproximou, mas quando estava quase tocando no grande túmulo, Toravin o puxa pelo braço e avisa:

“Cuidado meu amigo, há uma magia profana emanando deste túmulo!”

Com muito cuidado e com a orientação dos utilizadores de magia presentes, Victor, Thoran e os anões ergueram a tampa do túmulo e viram o que seria um poderoso anão em armadura de combate, carregando um grande machado, mas que era de um tamanho muito maior do que um humano normal. Wallace disse que deveriam estar na presença de um corpo de um Avatar talvez do próprio Moradin. Fez uma prece silenciosa para Kallas, e se perguntou porque o corpo ainda estava ali. Avatares ao morrer se desfazem das suas formas materiais e retornam para o plano de existência da divindade. Por que este Avatar não retornou para Moradin?

Então perceberam que haviam runas e magias aplicadas no corpo, que estava com a garganta cortada. O sangue divino foi usado para algum propósito profano, sem dúvida, e usaram de magias profanas para impedir o real descanso do Avatar. O horror na face dos Lanças Prateadas só era menor que o presente nos rostos dos anões!

Depois de conversarem bastante sobre o que fazer (não se ouvia falar de avatares desde as guerras esquecidas e provavelmente este era desta época), Voros consegue convencer a todos que deveriam usar de fogo para queimar o Avatar. Assim o fazem e o fogo destrói as runas, quebrando as magias que aprisionavam a essência do Avatar. O corpo finalmente se desfaz, e os aventureiros respiram um pouco aliviados.

Então, na frente deles aparece uma imagem majestosa, que eles reconhecem com as feições presentes no esquife. Com uma voz poderosa mas reconfortante, ele se dirigiu a Voros (que foi quem teve a ideia de libertá-lo pelo fogo):

“Muito obrigado meu amigo! Sua ideia permitiu que eu me libertasse, e agora vou poder retornar à plenitude do meu ser! As energias desse Avatar estão se esvaindo, contudo posso lhe dar uma benção poderosa, ou dividi-la para todos vocês!”

“Muito obrigado senhor, mas não quero nada somente para mim! Ficarei alegre em dividir sua benção com todos.”

“Que assim seja!”

Bônus: Nesse momento o Avatar deu para todos os jogadores +2 para aumentar em qualquer atributo que desejassem. Foi o primeiro “boost” de atributos livres que os Lanças receberam!

Antes de partir, o Avatar de Moradin compartilhou com seus salvadores de que Brandur foi a primeira cidade a cair, pois os vampiros da necrópole o atacaram de surpresa através de um espelho mágico que estava na sala de tesouros e assim conseguiram surpreendê-lo e derrotá-lo. Seu sangue foi utilizado para rituais e os desmortos quase conseguiram seu objetivo. Foi ali o início da Guerra Profana.

Ensinou os heróis a palavra pra acionar o espelho, desejou boa sorte e partiu de volta para seu plano de existência.

A Batalha da Necrópole!

Rumaram imediatamente para a sala do tesouro, onde viram o espelho mencionado pelo avatar de Moradin. O que chamou atenção deles foi uma imagem de alguém que parecia muito com Victor (seria um antepassado?). Cautelosamente, usaram a palavra secreta que ativava o espelho, e as imagens refletidas se distorcem como se estivessem em um redemoinho, para desaparecer por completo e mostrar em seu lugar um outro aposento com uma arquitetura diferente da que viram até agora nas ruínas de Brandur.

Os Lanças de Prata se prepararam com magias de proteção, poções, óleos… Tudo o que poderia lhes dar uma vantagem em caso de encontrarem algum dos habitantes da necrópole, por mais improvável que fosse. Cruzaram o inusitado portal mágico e se infiltraram sorrateiramente na cidade maldita. Pela primeira vez em milhares de anos, os vivos pisavam novamente na capital dos mortos! Estavam em um aposento, agora abandonado, em algo que parecia ser uma torre. Havia luz entrando por uma janela com vitral, Voros se aproximou para ver de onde vinha e ficou surpreso em notar que grandes cristais espalhados pelas paredes e teto da gigantesca caverna pulsavam com energia mística. Chamou Toravin e perguntou o por quê daquele fenômeno e a resposta o deixou inquieto: “Algum ritual de magia poderoso está sendo preparado, os cristais reagem à magia sendo usada.”

Olhando de cima, o mago apontou para o que parecia ser uma praça em meio aos prédios arruinados, tanto pelo tempo quanto pela última batalha travada aqui, uma espécie de ritual estava se iniciando com alguns encapuzados, não mais do que uma dúzia. Porém, se fossem vampiros, isso já seria mais do que poderiam enfrentar. Foi quando Wallace puxou a Orbe do Sol, e disse: “É para isso que temos este artefato sagrado! Tudo o que precisamos é chegar próximo o suficiente deles para eu puxar a Orbe e utilizá-la, eles serão destruídos na hora, não importa quão forte sejam. ” – Concordaram com sacerdote de que apesar de arriscado, era o melhor plano que teriam, e resolveram se esgueirar pelas ruínas da cidade para chegar nessa praça sem serem notados.

Com Thoran um pouco à frente, os heróis vão se infiltrando entre as paredes e escombros, nas pequenas ruas e vielas que ainda tinham passagem. Quando repentinamente são surpreendidos pelo Ogre Mage que os emboscou anteriormente! O combate vai começar, todos se posicionam, mas Thoran ganha a iniciativa e arremessa o seu machado! Com uma rapidez e força impressionantes, ele arremessa um machado de mão, que vai direto para o meio da cara do monstruoso guerreiro místico, que tomba sem vida no chão! (maldito 20-20-18 no d20! 😉 )

Regra Opcional que uso: Quando o d20 dá um 20 natural em um ataque e 20 novamente na hora de confirmar o crítico, a gente joga mais uma vez, se der “hit”, INSTA-KILL do alvo (se for sujeito a crítico)!

Os Lanças prateadas se apressaram e seguiram adiante, quando depois de algumas construções, avistaram o que deve ter sido no passado uma praça de algum templo profano, onde estavam reunidos algumas figuras sinistras, que Wallace prontamente identificou como vampiros! A antiga ameaça estava de volta!

Mas algo parecia estar errado. Enquanto o que parecia ser o líder demonstrava confiança, os outros o cobravam pela perda do sangue de uma divindade… Mais uma das pequenas vitórias dos heróis.

De repente, eles começaram a lutar entre si, com o líder sendo morto por um de seus ajudantes, que numa cena grotesca, crava seus dentes no pescoço e se alimenta do próprio senhor!

Aproveitando o caos momentâneo, os Lanças de Prata se lançam ao ataque antes que os vampiros se recuperassem do combate, e graças aos poderosos artefatos que carregavam (em particular a Orbe do Sol), e pela segunda vez, as forças do mal são destruídas na Necrópole! Depois de 3000 anos, a luz toca novamente no solo da Cidade dos Mortos!

Mesmo cansados, os heróis vasculham as ruínas agora realmente desertas e recuperam diversos itens valiosos como ouro, joias e até mesmo objetos mágicos, enquanto se certificam que nenhum vampiro sobrou para ameaçar o continente de Alderon mais uma vez.

Exaustos, mas triunfantes, os Lanças de Prata partem da Necrópole para retornar para sua casa, no distante reino ao sul. Depois de um longo dia de marcha, resolvem passar a noite para descansar no esconderijo mágico invocado por Toravin, através de uma corda que leva a uma portinhola que uma vez fechada, desaparece e só pode ser reaberta por dentro, deixando a todos seguros em outra mini dimensão e qualquer um que estivesse seguindo seus rastros ficaria confuso com as pegadas na neve desaparecendo no topo daquela montanha no meio da cordilheira das Montanhas do Norte.

…E assim, descansam os heróis, até a próxima temporada! 🙂

Primeira Temporada – IV

Ogres, Gigantes e Ruínas

Satisfeitos por terem eliminado vampiros e salvo inocentes, o grupo continua sua jornada. Agora com um novo membro, Thoran – o bárbaro do Rex, para compensar a ausência da paladina e do ladino do grupo… Com espírito renovado, continuam a jornada a caminho da Necrópole…

Emboscados por Ogres? Sério Isso ?

Ainda eufóricos por terem eliminado os vampiros e descoberto um atalho secreto que facilitava como chegar ao ancestral reino dos anões do norte, os Lanças de Prata retornaram ao nível de entrada do fortim, apenas para serem surpreendidos por uma emboscada de ogres (Sim, emboscada! Não passaram em um check de percepção sequer!) aguardando por eles nos portões!

O combate foi intenso, Victor e Thoran penando para segurar os ataques poderosos dos ogres, enquanto Keifan, Voros, Wallace e Thoravin usavam suas magias à distância, dando suporte, curo e alguns ataques ao bando que os emboscava, virando a maré da batalha. E claro, lutando de forma surpreendente no meio deles, Thoran ajudou os Lanças Prateadas a vencer seus agressores, quase tão rapidamente quanto começou, a emboscada terminou, e os heróis estavam novamente no silencio das montanhas nevadas. Iam começar a examinar os corpos dos seus inimigos quando de repente tudo ficou escuro. Não como a noite, mas como se todos estivessem de olhos fechados. Ao mesmo tempo, ouviram uma voz ameaçadora ecoando em seus ouvidos:

“Então, vocês acham que seria fácil assim? Agora sei como lutam, tornaram mais fácil a minha vitória!”

Wallace desfaz as trevas invocando a luz do dia.

E Wallace sentiu um golpe cortante doloroso, que só não foi mais letal por que sua armadura diminuiu consideravelmente o impacto. Ele tentou reagir com sua maça, mas sem enxergar nada, golpeou o ar inutilmente. Voros tentou iniciar uma magia, mas a mesma foi contida por alguém nas sombras.

Os guerreiros não sabiam para onde atacar, e seus golpes não atingiam ninguém naquelas trevas sobrenaturais. Por um momento, os Lanças sofrem alguns ataques sem conseguir um único revide! Toravin e Voros tentaram invocar magias, mas ambas foram interrompidas novamente, enquanto Victor e Keifan tentavam achar o dono daquela voz naquela escuridão, desferindo diversos ataques a esmo, e em duas oportunidades, quase atingindo seus companheiros!

Apenas Thoran parecia ter alguma noção de seu oponente. Acostumado à lutar nas florestas e ermos nas noites escuras do norte, aprendeu a confiar em seus outros sentidos, e por duas vezes chegou a tocar seu oponente, mas este era muito ágil e forte e a todo momento se deslocava com grande agilidade, enquanto fazia magias ao mesmo tempo em que atacava os heróis, numa dança sombria, que cedo ou tarde acabaria por derrotá-los.

Nesse momento enquanto Thoran, Victor e Keifan atacavam em frentes diferentes ao mesmo tempo que Toravin e Voros tiveram suas magias frustradas, Wallace consegue se desvencilhar o suficiente para chamar a magia da luz do dia, que desfez as trevas e revelou o último remanescente do grupo que os atacou:

O primeiro Ogre-Mage a gente nunca esquece!

Passado o primeiro momento de susto, tanto para o Ogre-Mage, que não esperava que as trevas fossem desfeitas quanto para os heróis, que se depararam com uma figura maciça à frente, com uma espada enorme que já havia feito um estrago nos Lanças Prateadas, que por sorte não teve nenhum dos seus integrantes abatido até o momento.

O Ogre-Mage!

Já sem o elemento de surpresa, as bravatas ameaçadores não são mais ditas, e o Ogre teve muito mais trabalho para manter a pressão e atacar sem se expor demais às magias e armas dos jovens heróis. Um ataque mais forte em Victor, uma magia de Toravin negada… Mas ele não consegue manter o momento e decide bater em retirada. Antes que a batalha fosse decidida, se tornou invisível e desapareceu, mas não sem antes deixar uma ameaça no ar: “Isto não acaba aqui, crianças!” – Os Lanças Prateadas ficam exultantes, foi uma bela vitória para eles!

Agora, precisavam de um abrigo e de algum tempo para se recuperar, então eles seguem o caminho que descobriram com os vampiros que levava até uma cidade de anões encravada em uma cadeia de montanhas, ainda a algumas milhas ao norte. Keifan foi à frente, certificando-se de que não havia perigos aguardando por eles. Antes de escurecer, encontraram um abrigo em uma pequena gruta, mas já viam na distância a enorme entrada da cidade abandonada escavada na montanha. Resolveram descansar e se preparar ali, para o caso de outros terem feito das antigas ruínas seu lar.

Surpreendendo o Gigante de Gelo

O gigante de gelo no caminho para as ruínas

Revigorados e prontos, o grupo de amigos segue em direção às ruínas, ainda com Keifan a frente como batedor. Seguiram pela trilha na montanha, difícil de localizar, pois a neve e o desgaste do tempo fizeram com que a trilha quase desaparecesse por completo.

Nem precisaram andar muito para Keifan retornar bastante espantado: Cerca de uma milha adiante no caminho em direção ao cume, tinham algumas árvores, das quais ele se aproximou se esgueirando próximo de um grande guerreiro de pele clara e cabelos e barba azuis, com cerca de 3 metros de altura: Um gigante de gelo, que estava conversando com dois lobos enormes de pelo branco com um certo tom azulado. E o que chamou mais atenção do jovem rastreador era que os lobos tinham olhares inteligentes e pareciam entender o que o gigante dizia.

E o que o gigante disse preocupou a todos os Lanças Prateadas: Um dragão branco havia tomado para si as ruínas, forçando a tribo do gigante e seus companheiros (presumiu que os companheiros seriam mais lobos como aqueles que estavam com ele) o servissem e vasculhassem todas as ruínas da cidade em busca de tesouros que pudessem ter sobrevivido ao tempo.

Com um pouco de planejamento, resolvem emboscar o gigante e os lobos. Enquanto Victor partia no combate corpo a corpo, Voros e Keifan lidavam com os lobos, com flechas, magias e criaturas invocadas pelo jovem druida, antes dele se transformar em um grande urso e se juntar ao combate. Toravin também usava magias de fogo enquanto Thoran continuava desequilibrando o combate, com ataques poderosos e resistindo aos ferimentos como se nada fossem.

Uma vez vencido o combate, novamente para desgosto de Voros, Thoran saqueia o corpo dos vencidos, conseguindo alguns itens de valor para vender depois. Decidem continuar indo na direção das ruínas, afinal a chave para conseguirem chegar na Necrópole passaria por lá, seja lá como for. Apenas combinaram de fazer da forma mais sorrateira e segura possível, com magias para ocultar suas presenças e mascarar seus ruídos. Tentariam o caminho de evitar o dragão e seus lacaios, pois sabia que se confrontassem Voros, a influência da Orbe de Banaktar fatalmente faria com que qualquer chance de conversação voasse pelos ares.

O Destino dos Lanças Prateadas estava próximo, e eles ainda não faziam ideia do que estava em jogo…

Mãos às rodas!

Muito bem, 3 anos já se passaram desde o primeiro post para quebrar o gelo falando da primeira vez que ouvi sobre RPG, acho que agora que resolvi tirar a poeira e colocar esse blog para andar, vale a pena elaborar um pouco mais…

Depois que comecei a jogar DC Heroes, rapidamente tomei gosto pela coisa, e jogava quase que diariamente depois da escola, na casa do Groo na Tijuca, na minha casa, no playground do meu prédio… Onde desse uma brecha, estávamos rolando os dadinhos. O mais interessante é que essa primeira roda que joguei veio que por acaso, Groo me apresentou ao Ximu, que já conhecia o BB e o Kadão, que por sua vez é meu amigo de infância, e cada um deles conhecia mais alguns outros que já tiveram contato com Role-Playing Games.

Acabou que naquele início dos anos 90, tínhamos um grupo de uns 20 garotos nerds (naquela época era bem raro meninas interessadas nesses jogos) que se organizavam em dezenas de jogos com mestres diferentes e aventuras de tudo o quanto é tipo que se possa imaginar, majoritariamente em rodas de 4 a 5 jogadores.  Em comum na maioria delas praticamente só o Ximu, que conseguia arrumar tempo para estar em todas as campanhas simultaneamente.  E nesse tráfego entre grupos, ele levava um para apresentar pra outro, outro para jogar na campanha de um,  e circulava…

Em determinado momento, cada um dos meus amigos mestrou (não gosto do termo “narrou”, sou preso às minhas vicissitudes mesmo), jogou e se divertiu pra caramba. Alguns aproveitaram as idéias que tiveram e escreveram livros de sucesso sobre suas aventuras (estou olhando pra você mesmo, Dudu Titã! Você é “O” cara! ), e quando nos reunimos pra tomar chopp, dá pra virar a noite rindo e lembrando das histórias que amamos e imaginávamos, sem precisar repetir nenhuma, e ainda vai faltar tempo.

E uma dessas noites, nos meados de 2013, estavam tomando cerveja e batendo um papinho Eu, Ximu, Charles e Dedé, relembrando jogos memoráveis que conduzimos em algum momento: Eu e meu mundo de AD&D na saga dos cavaleiros,  Ximu e sua roda épica de Lobisomem, Charles e suas rodas de Marvel e Forgotten Realms que duraram mais do que 10 anos cada, e Dedé que apesar de gostar mais de ser jogador do que mestrar, disse que tinha vontade de continuar algumas campanhas que pararam de repente, e queria dar continuidade a jogos de Marvel que ele gostava tanto.

Estávamos lamentando que, com tantos sistemas bacanas para jogar, o grupo de amigos estava bem disperso, e cada um de nós com saudades de algum sistema/jogo, de nossos jogadores que desapareceram com o tempo… nesse ponto, eu perguntei: “Por que não fazemos um rodízio entre nós?”

Cada um de nós 4 poderia ser o mestre do jogo em algum sistema durante um arco de aventuras, como uma “temporada” de seriado, e os outros seriam jogadores. Quando terminasse o arco, o próximo seria o mestre e escolheria outro sistema, e por aí vai.. Nada novo, vários grupos fazem isso, mas sei lá porque não tínhamos pensado nisso antes. Gostamos da ideia e combinamos que cada um escolheria o sistema em que jogaríamos quando fosse sua vez de ser mestre. Acabou que combinamos uma ordem inicial que ficou assim:

Eu começaria com D&D em uma ambientação própria, Ximu, com um DC bacana, num futuro alternativo em 20 anos, Charles, com o seu famoso Marvel e fecharia o “turno” com o Dedé, inicialmente com uma ambientação própria também. Jogaríamos aos sábados, a cada 15 dias, na casa do Dedé e pronto! Era só rolar os dadinhos!

Logo de começo, alguns outros amigos também se interessaram, e do nada, de quatro dinossauros saudosistas, viramos um grupo de 7 pessoas veteraníssimas de RPG e bastante empolgados. Esse arranjo prometia!

E agora, 5 anos de pois de muita coisa acontecendo (muita coisa!), vou começar contando aos poucos sobre nossos jogos, as tramas, os personagens… E de repente alguns áudios da nossa bagunça…

…quem sabe daqui a alguns anos, vai que alguém além do nosso grupo se interessa pelas histórias, né?

Destaque

Quebrando o gelo

Bem, por onde começar?

Talvez contando a primeira vez que ouvi sobre RPG (e não, não estou falando de Reeducação Postural Global): Estava eu andando pelas ruas da Tijuca, voltando pra casa depois de algum filme que nem lembro mais o nome, junto com dois amigos, B.B. e Kadão. Sei lá por que também (me dêem um desconto, isso foi a mais de 20 anos atrás!), um de nós falou sobre o filme História Sem Fim. Foi quando o B.B. disparou: “Pô, esse filme é muito a cara de RPG.”, quando prontamente, Kadão concorda. “É mesmo.”.

Lógico que eu na mesma hora perguntei que parangolé seria esse… E os dois começaram a explicar sobre livros, dados de muitas faces, mundos de fantasia, espionagem, e super-heróis. Ambos começaram a narrar uma vez que o B.B. foi o mestre de jogo para o Kadão e outros amigos. Eram super-heróis no RJ no, agora um clássico, DC Heroes da Mayfair.

E lá foi a caminhada da Saens Pena até o Largo da Segunda-feira (Tijucanos entenderão) ouvindo um papo absurdo sobre como fizeram pra achar um supervilão escondido nas praias de Copacabana (dica: pense naquele avião com faixas, passeando pela praia com um xingamento pro dito-cujo), como cada um dos jogadores fez várias ações heroicas, vitórias, derrotas…

Lembro como se fosse hoje de na época pensar:”Isso deve ser o maior caô… Um jogo com tantas regras assim… Impossível! Imagina o tamanho do livro de regras”, mas mesmo sem acreditar eu fui achando fascinante a pequena aventura que tinha ouvido.

Uns dois anos depois, durante o meu terceiro ano do colegial, conheci um sujeito (carinhosamente conhecido por Groo então), que além de me ensinar a matar aula pra esperar a Gibimania abrir, me convidou para jogar pela primeira vez… RPG.

Topei, fui na casa dele em um sábado à tarde, onde conheci o Ximu e o onipresente Nielsen. Eles me explicaram as regras e joguei uma partidinha básica de DC Heroes…

… Quase 25 anos depois, continuo jogando, a maioria dos amigos que fiz nessas partidas segue firme e forte até hoje, e não tenho maneira de expressar o quanto RPG foi significantemente importante para minha vida social.

E esse era justamente o ponto. Nos últimos anos, com casamentos, separações, trabalho, falta de trabalho, estudo, etc, o RPG foi minguando, minguando… Até que sentamos pra conversar alguns dos jogadores e mestres das antigas, e resolvemos criar um “rodízio de  mestres”: A cada quinze dias, iríamos nos reunir, e cada um de nós seria o mestre de uma pequena campanha, geralmente entre cinco e oito encontros, para rolar uns dadinhos, matar as saudades (do jogo, e dos amigos), e rir um cadinho. A ideia colou, e hoje, passados dois anos, virou um hábito o reencontro a cada 2 sábados, para “confusões e altas aventuras, dessa turma do barulho!”.

Daí veio a vontade de compartilhar essas aventuras, ter algum lugar que registre pelo menos as histórias mais engraçadas,  e depois de muita enrolação, botei a mão na massa e criei esse blog, para a gente postar nosso dia a dia de RPG…

…Então, rumo à reunião de 50 anos! 😉