Mãos às rodas!

Muito bem, 3 anos já se passaram desde o primeiro post para quebrar o gelo falando da primeira vez que ouvi sobre RPG, acho que agora que resolvi tirar a poeira e colocar esse blog para andar, vale a pena elaborar um pouco mais…

Depois que comecei a jogar DC Heroes, rapidamente tomei gosto pela coisa, e jogava quase que diariamente depois da escola, na casa do Groo na Tijuca, na minha casa, no playground do meu prédio… Onde desse uma brecha, estávamos rolando os dadinhos. O mais interessante é que essa primeira roda que joguei veio que por acaso, Groo me apresentou ao Ximu, que já conhecia o BB e o Kadão, que por sua vez é meu amigo de infância, e cada um deles conhecia mais alguns outros que já tiveram contato com Role-Playing Games.

Acabou que naquele início dos anos 90, tínhamos um grupo de uns 20 garotos nerds (naquela época era bem raro meninas interessadas nesses jogos) que se organizavam em dezenas de jogos com mestres diferentes e aventuras de tudo o quanto é tipo que se possa imaginar, majoritariamente em rodas de 4 a 5 jogadores.  Em comum na maioria delas praticamente só o Ximu, que conseguia arrumar tempo para estar em todas as campanhas simultaneamente.  E nesse tráfego entre grupos, ele levava um para apresentar pra outro, outro para jogar na campanha de um,  e circulava…

Em determinado momento, cada um dos meus amigos mestrou (não gosto do termo “narrou”, sou preso às minhas vicissitudes mesmo), jogou e se divertiu pra caramba. Alguns aproveitaram as idéias que tiveram e escreveram livros de sucesso sobre suas aventuras (estou olhando pra você mesmo, Dudu Titã! Você é “O” cara! ), e quando nos reunimos pra tomar chopp, dá pra virar a noite rindo e lembrando das histórias que amamos e imaginávamos, sem precisar repetir nenhuma, e ainda vai faltar tempo.

E uma dessas noites, nos meados de 2013, estavam tomando cerveja e batendo um papinho Eu, Ximu, Charles e Dedé, relembrando jogos memoráveis que conduzimos em algum momento: Eu e meu mundo de AD&D na saga dos cavaleiros,  Ximu e sua roda épica de Lobisomem, Charles e suas rodas de Marvel e Forgotten Realms que duraram mais do que 10 anos cada, e Dedé que apesar de gostar mais de ser jogador do que mestrar, disse que tinha vontade de continuar algumas campanhas que pararam de repente, e queria dar continuidade a jogos de Marvel que ele gostava tanto.

Estávamos lamentando que, com tantos sistemas bacanas para jogar, o grupo de amigos estava bem disperso, e cada um de nós com saudades de algum sistema/jogo, de nossos jogadores que desapareceram com o tempo… nesse ponto, eu perguntei: “Por que não fazemos um rodízio entre nós?”

Cada um de nós 4 poderia ser o mestre do jogo em algum sistema durante um arco de aventuras, como uma “temporada” de seriado, e os outros seriam jogadores. Quando terminasse o arco, o próximo seria o mestre e escolheria outro sistema, e por aí vai.. Nada novo, vários grupos fazem isso, mas sei lá porque não tínhamos pensado nisso antes. Gostamos da ideia e combinamos que cada um escolheria o sistema em que jogaríamos quando fosse sua vez de ser mestre. Acabou que combinamos uma ordem inicial que ficou assim:

Eu começaria com D&D em uma ambientação própria, Ximu, com um DC bacana, num futuro alternativo em 20 anos, Charles, com o seu famoso Marvel e fecharia o “turno” com o Dedé, inicialmente com uma ambientação própria também. Jogaríamos aos sábados, a cada 15 dias, na casa do Dedé e pronto! Era só rolar os dadinhos!

Logo de começo, alguns outros amigos também se interessaram, e do nada, de quatro dinossauros saudosistas, viramos um grupo de 7 pessoas veteraníssimas de RPG e bastante empolgados. Esse arranjo prometia!

E agora, 5 anos de pois de muita coisa acontecendo (muita coisa!), vou começar contando aos poucos sobre nossos jogos, as tramas, os personagens… E de repente alguns áudios da nossa bagunça…

…quem sabe daqui a alguns anos, vai que alguém além do nosso grupo se interessa pelas histórias, né?

Destaque

Quebrando o gelo

Bem, por onde começar?

Talvez contando a primeira vez que ouvi sobre RPG (e não, não estou falando de Reeducação Postural Global): Estava eu andando pelas ruas da Tijuca, voltando pra casa depois de algum filme que nem lembro mais o nome, junto com dois amigos, B.B. e Kadão. Sei lá por que também (me dêem um desconto, isso foi a mais de 20 anos atrás!), um de nós falou sobre o filme História Sem Fim. Foi quando o B.B. disparou: “Pô, esse filme é muito a cara de RPG.”, quando prontamente, Kadão concorda. “É mesmo.”.

Lógico que eu na mesma hora perguntei que parangolé seria esse… E os dois começaram a explicar sobre livros, dados de muitas faces, mundos de fantasia, espionagem, e super-heróis. Ambos começaram a narrar uma vez que o B.B. foi o mestre de jogo para o Kadão e outros amigos. Eram super-heróis no RJ no, agora um clássico, DC Heroes da Mayfair.

E lá foi a caminhada da Saens Pena até o Largo da Segunda-feira (Tijucanos entenderão) ouvindo um papo absurdo sobre como fizeram pra achar um supervilão escondido nas praias de Copacabana (dica: pense naquele avião com faixas, passeando pela praia com um xingamento pro dito-cujo), como cada um dos jogadores fez várias ações heroicas, vitórias, derrotas…

Lembro como se fosse hoje de na época pensar:”Isso deve ser o maior caô… Um jogo com tantas regras assim… Impossível! Imagina o tamanho do livro de regras”, mas mesmo sem acreditar eu fui achando fascinante a pequena aventura que tinha ouvido.

Uns dois anos depois, durante o meu terceiro ano do colegial, conheci um sujeito (carinhosamente conhecido por Groo então), que além de me ensinar a matar aula pra esperar a Gibimania abrir, me convidou para jogar pela primeira vez… RPG.

Topei, fui na casa dele em um sábado à tarde, onde conheci o Ximu e o onipresente Nielsen. Eles me explicaram as regras e joguei uma partidinha básica de DC Heroes…

… Quase 25 anos depois, continuo jogando, a maioria dos amigos que fiz nessas partidas segue firme e forte até hoje, e não tenho maneira de expressar o quanto RPG foi significantemente importante para minha vida social.

E esse era justamente o ponto. Nos últimos anos, com casamentos, separações, trabalho, falta de trabalho, estudo, etc, o RPG foi minguando, minguando… Até que sentamos pra conversar alguns dos jogadores e mestres das antigas, e resolvemos criar um “rodízio de  mestres”: A cada quinze dias, iríamos nos reunir, e cada um de nós seria o mestre de uma pequena campanha, geralmente entre cinco e oito encontros, para rolar uns dadinhos, matar as saudades (do jogo, e dos amigos), e rir um cadinho. A ideia colou, e hoje, passados dois anos, virou um hábito o reencontro a cada 2 sábados, para “confusões e altas aventuras, dessa turma do barulho!”.

Daí veio a vontade de compartilhar essas aventuras, ter algum lugar que registre pelo menos as histórias mais engraçadas,  e depois de muita enrolação, botei a mão na massa e criei esse blog, para a gente postar nosso dia a dia de RPG…

…Então, rumo à reunião de 50 anos! 😉