Enquanto fechamos o primeiro arco de aventuras, seguimos a rotação dos mestres, e infelizmente não tínhamos anotações ou gravações, mas tenho esse textinho aqui que fiz pro jogo do Ximu, apresentação de personagem, e o pessoal curtiu bastante.
World of Darkness: 2054
O trovão ecoava à distância.
Sob a escuridão da noite, as cinco figuras que se moviam pelo cenário desolado às margens do lago Cheko, na região de Tunguska, pareciam ignorar a tempestade que se aproximava. Conhecidos como Operandos Ômega, estavam habituados a missões em lugares ermos e raras foram as ocasiões em que se depararam com um cenário tão desolado. Prédios com estruturas maciças repousavam com nítidos indícios de abandono, mas os anos expostos ao clima inclemente daquela região da Rússia não fizeram nada que diminuísse a sua imponência.
“Tem todo jeito de uma prisão, mas absurdamente exagerada. Paredes de 12 metros de altura, as portas de uma liga metálica estranha. Acho que eu precisaria de todas as cargas do meu cinto para abrir este portão. Comandante, coitado do sujeito que vinha pra cá.” – Blake, o especialista em demolições do time falava fascinado no commlink .
“Eu estou captando um reflexo incomum vindo dessa porta senhor, o material reflete até mesmo na nossa visão noturna, mas o material parece que não aumenta a densidade ou resistência da parede. Estranho. Não lembro instalações prisionais que o usem.“ – Disse o sniper do time, demonstrando atenção a detalhes do lugar.
“O material é prata. Sua presença confirma a razão de estarmos aqui.” – Interrompeu Morrison, o líder do time – “. Creed, dê cobertura a partir daquela torre. Quero uma visão de 360º, qualquer coisa que se mova no perímetro a não seja um de nós está viva por mais tempo que o necessário. Batista e Harumi, instalem os sensores. Quero saber o que temos aqui. “
De imediato, interromperam as conversas e seguiram as ordens de Morrison. Durante anos de missões e intensos treinamentos, já agiam como um grupo eficiente e sabiam seus papéis. Mesmo que não houvesse o comando, já estariam tomando suas ações. Morrison movia-se silenciosamente e com fluidez. Algo naquele complexo chamava atenção. Não sabia definir exatamente o que, mas o ambiente era familiar.
“Seis focos de movimento. No perímetro. Todos orgânicos. Pequenos roedores, morcegos e nos níveis inferiores, provavelmente grandes ursos que fizeram tocas. Enormes, mas aparentemente em repouso.“ – Batista examinava os sensores com um pouco de curiosidade.
“Não são ursos.” – Morrison responde. – “São os nossos alvos. Só temos dois?”.
“Positivo. Movimentação cinco níveis abaixo, segundo a planta do complexo.” – A resposta de Batista foi sucedida por momentos de silêncio.
“Será possível? Achei que haviam sido extintos!” – Pensou o líder, mal conseguindo conter certo tom de entusiasmo. Ficou pensativo por um momento e disse: “Blake, existem outras saídas do complexo? Ou brechas nas muralhas?”
“Negativo senhor, apesar de abandonada, os danos à estrutura foram externos. E mínimos. A menos que consigam se esgueirar por ralos menores que um palmo, o que quer que esteja lá dentro está preso até agora.”
“Creed, atenção dobrada à porta. Nada sai vivo desse lugar se não estiver identificado, contido e acorrentado, entendido?”
“Sim senhor.”
“Harumi, ponta, Blake, retaguarda, quero armadilhas de imobilização em todo nosso trajeto de volta. Batista, eu e você ficamos na cobertura de Harumi, se algum alvo se tentar se aproximar dele, ele vai pro inferno dos cachorros.”
O comentário seria alvo de risos, se não viesse de seu líder. Morrison não era afeito a brincadeiras, e seu comentário confirmara que seus alvos eram as criaturas mais perigosas que já ouviram falar. Lobisomens.
Lobisomens! Enquanto se moviam pelo complexo, Harumi não conseguia conectar a palavra à realidade a sua frente. Os cinco homens na missão eram alguns dos melhores agentes de missões especiais da Organização, e haviam sido treinados para eliminar ameaças que não fossem naturais. Mas gângsteres com sangue sintético era uma coisa, lobisomens eram conceitos tão estranhos quanto fascinantes.
Mas não podiam ignorar as estranhas pinturas e marcas nas paredes, enquanto seguia o caminho para os níveis inferiores, runas? Marcas de garras? Pela altura, teriam que ser maiores do que um urso cinzento para fazê-las.
O silêncio de seus pensamentos foi interrompido pelo comentário de Batista: – “Nível três limpo. Realmente parece uma estrutura prisional. Este deveria ser o nível de entrada para a carceragem. Tirando carcaças de ratos, nem sinal de vida. Será que vamos encontrar uma das tais espadas de prata? Ficaria excelente sobre a minha lareira… Como era o nome mesmo?“.
“Grande Klaive, se não me engano.”- Respondeu Blake – “Mas não creio que encontraremos uma aqui. Essas armas eram de grande prestígio. E que tipo de prisioneiro tem grande prestígio?”.
“O que foi injustiçado. “ – O comentário seco de Morrison terminou com toda disposição de conversação entre os homens. – “A partir do próximo nível, silêncio absoluto. Eles já têm toda a vantagem sobre nós para nos encontrar, não vamos facilitar o trabalho. ”
E continuaram sua jornada pelas trevas do complexo.
Por duas vezes, Blake parou e olhou para trás. O silêncio sepulcral do lugar, e as evidências de que tudo foi abandonado às pressas o deixavam inquieto. Para onde foram todos? Teriam sido dizimados? E que eventos transpassaram para que essa prisão inescapável fosse evacuada? Anos se passaram, mas nenhum informe foi repassado.
“Malditos burocratas” – Pensava enquanto preparava mais uma carga de impacto na lateral da escada que dava para o quinto nível. Todo cuidado naquele momento era pouco, estavam se aproximando do local de movimento.
Alguns metros à frente, Harumi sinalizou que parassem e assumissem posições de guarda. Uma das celas estava aberta, e por entre as grossas barras daquela estranha liga metálica, havia um esqueleto de algo grande. Batista aproximou-se cautelosamente, e notou algo estranho: Pegadas descalças recentes. Alguém entrou, mexeu no esqueleto e saiu, indo para o fundo da galeria. Ele olhou para Morrison, que aquiesceu o ocorrido, e com um movimento silencioso ordenou para continuarem com ainda mais atenção em direção que as pegadas levavam.
Chegando próximo a uma porta, que estava entreaberta. Na sua frente aparentava um grilhão, que fora jogado no chão. Próximo ao grilhão, um longo pedaço de osso, e um pouco de sangue. Ainda fresco. Estava ainda voltando para a formação, quando a parede ao lado da porta entreaberta explodiu com violência. Batista não teve tempo de esboçar reação, quando uma imensa figura, muito maior do que um urso cinzento, partiu seu corpo ao meio com extrema facilidade, na altura do abdômen. Garras incrivelmente longas moveram-se com velocidade inesperada, e o agente estava morto antes mesmo da parte superior de seu tronco tocar o chão.
“Batista!” – Blake gritava em fúria, enquanto descarregava seu fuzil tático na imensa criatura que surgira. Corpo maciço, mas humanoide, coberto de pelos cor-de-cobre, garras longas como facas e afiadas como nada que tinha visto, e uma cabeça lupina, com olhos vermelhos e injetados que brilhavam ainda mais assustadoramente vistos pelo seu visor noturno, a imagem era tão impressionante que ele não esboçou reação nem quando Harumi foi dilacerado na sua frente com um simples movimento de mordida da imensa cabeça. Somente conseguiu se mover quando Morrison gritou em fúria, e acertou diversos tiros no torso da criatura.
“Morra seu idiota! Você merece!” – E acertou diversos tiros no tronco massivo que se voltava e ainda conseguira dar dois passos na direção de Morrison enquanto recebia uma saraivada de balas. Seus ferimentos foram inúmeros, e a criatura tombou perante os dois agentes antes que conseguisse se aproximar ainda mais. Foi quando notaram que ela carregava uma bolsa rudimentar nas costas, e dela caíram duas grandes espadas rústicas, de um brilho intenso e com diversas runas entalhadas.
Seguiu-se o silêncio, e Morrison recarregava sua arma, enquanto olhava para seus dois companheiros, evidentemente mortos. Foi quando notou Blake pegando as espadas do chão, e comentando: “Grandes Klaives, ambas!” – Antes que pudesse falar qualquer outra coisa, a criatura em um último movimento desferiu um ataque ao agente, que ao se desviar, tropeçou e caiu em um imenso vergalhão de ferro, exposto da parede de onde a criatura saiu. O vergalhão perfurou seu pescoço, e ele ficou pendurado de forma patética, como um espantalho macabro.
O ataque da criatura foi o último que dera antes de receber diversos tiros na cabeça, que ficou completamente despedaçada. Dessa vez não teria volta, Morrison pensava para si mesmo. Lamentaria a perda de seus operativos mais tarde, mas não podia parar. A missão tinha que ser cumprida. Enquanto se dirigia para as escadas, notou que o corpo da criatura mudou de forma. Era o corpo de um homem nu, grande, com imensas tatuagens no dorso, e sua etnia deveria ser escandinava, mas era impossível se certificar agora que não havia mais uma cabeça, embora as tatuagens não correspondessem às do alvo.
Pegou o sensor de Batista, a arma de Harumi, e desceu o último nível, seguindo a trilha para o segundo alvo. Desceu rapidamente, e lançou seu olhar para onde o sensor de movimento mostrava.
Chegou a um corredor com diversas celas. Uma delas estava com uma parede que cedeu, e uma das barras entortada o suficiente para que um homem adulto passasse. Teria sido dali que a criatura escapou. Andando mais alguns metros, Morrison encontrou a fonte do sinal de movimento daquele último nível. Uma cela ainda inteira, e seu prisioneiro.
Encontrou o que parecia ser uma cela de grossas barras prateadas. A Lanterna no topo da arma iluminou um homem grande e muito forte, ainda preso à parede por grossos elos prateados. À sua volta, carcaças de pequenos animais mostram como estava se alimentando. Sua aparência maltrapilha e com longos cabelos maltratados mostravam que estava preso há tempos. Mas havia algo em seu olhar que preocupava Morrison. Não sabia dizer se era fúria, determinação ou desprezo, a única coisa que tinha certeza é que todo o período que este homem estava aprisionado nessas condições não quebrou o seu espírito. Ele era o alvo. Ele era o perigo que a organização queria capturado para descobrir como ele ainda existia.
Nesse momento, o prisioneiro encarou o agente com a mesma expressão impassível que mantinha e quando os olhares se cruzaram, um entendimento silencioso se fez entre eles. Por um momento, Morrison sentiu a humanidade do prisioneiro, humanidade que seria arrancada pedaço por pedaço até que a organização tivesse a resposta do porquê alguém se recusava a desaparecer quando não havia mais para onde ir. Chegava até a admirar a presença do prisioneiro. Ali, naquela cela escura e abandonada, se manteve vivo por sabe-se lá quanto tempo. Desafiante, com alguma nobreza abstrata que não se desfez nem mesmo ali.
Morrison apontou a arma de Harumi vagarosamente para o prisioneiro, e quebrou o silêncio: “Te jogaram aqui e te esqueceram quando fugiram, você deve ter feito algo terrível mesmo. Pode ter certeza que quando estiverem te cortando em pedaços, a primeira pergunta que vão te fazer é: ‘Por que você fez o que fez?’” – e destravou a arma de tranquilizantes – “Eu realmente queria saber esse porque. “
“Dlya Gaia” – Respondeu calmamente o prisioneiro.
“O que?” – Perguntou Morrison com um pouco de surpresa em sua voz.
“Por Gaia.” – Veio a resposta serena, vinda de trás de Morrison. Antes que pudesse se virar, uma estranha pistola com runas brilhantes em toda a sua extensão saía das sombras do corredor atrás dele, e disparava de forma certeira na nuca do Comandante, cujo corpo desabou pesadamente no chão.
Creed olhou para o prisioneiro e disparou mais duas vezes, dessa vez nos grilhões que o prendiam. E estendeu sua outra mão para o prisioneiro que lentamente se erguia, enquanto pegava a sacola com as espadas de prata que o Sniper lhe entregava. Quando seus olhares se cruzaram, o prisioneiro acenou com a cabeça e enquanto saía da cela, repetiu serenamente:
“Por Gaia.”
… E foi assim que meu personagem encontrou o personagem do Charlebows! Ximu liberou para criar um background em conjunto e saiu isso aí. A roda era muito bacana, pena que só durou uma temporada! Um dia desses o X adapta pro blog! 😉








































Criado no orfanato da ordem de Kallas em Polandis, no reino de Tarpas, o menino Wallace cresceu muito apegado à sua fé, e como era de se esperar, se identificou com a vida simples e desprendida dos sacerdotes. Sentiu o chamado divino e se tornou um dos iniciados mais novos na ordem do deus do sol, aos cuidados do frei Tordek e do Alto Sacerdote Targos. 
Um dos jovens rastreadores mais promissores da região, Keifan é tão habilidoso com o arco que várias vezes perguntaram-lhe se possuía sangue élfico. Esta pergunta sempre arrancava boas risadas do rapaz, que se orgulhava de tal prestígio, muito alto para um humano.
Xistus é o sujeito que todos gostam, mas poucos podem contar. O rapaz tem um coração gentil, mente afiada, mas muito distraído. Talvez por conta de sua extensa rede de amizades, talvez por uma habilidade singular de passar despercebido por qualquer lugar, o fato é que Xistus, bem quisto por todos, não cria raízes em lugar algum por muito tempo. Apesar disso, passa muito tempo junto de Keifan, Wallace e Toravin, o quarteto é visto com alguma frequência na taverna Leão Manco, palco das reuniões dos jovens aventureiros, prestes a partir em missões arriscadas, e muitas vezes, gloriosas. 
Alterna comportamentos heróicos com um hedonismo feroz, nenhum dos seus companheiros consegue entender a mente rebelde do jovem bárbaro. 


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