Interlúdio

Enquanto fechamos o primeiro arco de aventuras, seguimos a rotação dos mestres, e infelizmente não tínhamos anotações ou gravações, mas tenho esse textinho aqui que fiz pro jogo do Ximu, apresentação de personagem, e o pessoal curtiu bastante.

World of Darkness: 2054

O trovão ecoava à distância.

Sob a escuridão da noite, as cinco figuras que se moviam pelo cenário desolado às margens do lago Cheko, na região de Tunguska, pareciam ignorar a tempestade que se aproximava. Conhecidos como Operandos Ômega, estavam habituados a missões em lugares ermos e raras foram as ocasiões em que se depararam com um cenário tão desolado.  Prédios com estruturas maciças repousavam com nítidos indícios de abandono, mas os anos expostos ao clima inclemente daquela região da Rússia não fizeram nada que diminuísse a sua imponência.

Os Operandos Ômega

“Tem todo jeito de uma prisão, mas absurdamente exagerada. Paredes de 12 metros de altura, as portas de uma liga metálica estranha. Acho que eu precisaria de todas as cargas do meu cinto para abrir este portão. Comandante, coitado do sujeito que vinha pra cá.” – Blake, o especialista em demolições do time falava fascinado no commlink .

“Eu estou captando um reflexo incomum vindo dessa porta senhor, o material reflete até mesmo na nossa visão noturna, mas o material parece que não aumenta a densidade ou resistência da parede. Estranho. Não lembro instalações prisionais que o usem.“ – Disse o sniper do time, demonstrando atenção a detalhes do lugar.

“O material é prata. Sua presença confirma a razão de estarmos aqui.” – Interrompeu Morrison, o líder do time – “. Creed, dê cobertura a partir daquela torre. Quero uma visão de 360º, qualquer coisa que se mova no perímetro a não seja um de nós está viva por mais tempo que o necessário. Batista  e Harumi, instalem os sensores. Quero saber o que temos aqui. “

De imediato, interromperam as conversas e seguiram as ordens de Morrison. Durante anos de missões e intensos treinamentos, já agiam como um grupo eficiente e sabiam seus papéis. Mesmo que não houvesse o comando, já estariam tomando suas ações.  Morrison movia-se silenciosamente e com fluidez. Algo naquele complexo chamava atenção. Não sabia definir exatamente o que, mas o ambiente era familiar.

“Seis focos de movimento. No perímetro. Todos orgânicos. Pequenos roedores, morcegos e nos níveis inferiores, provavelmente grandes ursos que fizeram tocas. Enormes, mas aparentemente em repouso.“ – Batista examinava os sensores com um pouco de curiosidade.

“Não são ursos.” – Morrison responde. – “São os nossos alvos. Só temos dois?”.

“Positivo. Movimentação cinco níveis abaixo, segundo a planta do complexo.” – A resposta de Batista foi sucedida por momentos de silêncio.

“Será possível? Achei que haviam sido extintos!” – Pensou o líder, mal conseguindo conter certo tom de entusiasmo.  Ficou pensativo por um momento e disse: “Blake, existem outras saídas do complexo? Ou brechas nas muralhas?”

“Negativo senhor, apesar de abandonada, os danos à estrutura foram externos. E mínimos. A menos que consigam se esgueirar por ralos menores que um palmo, o que quer que esteja lá dentro está preso até agora.”

“Creed, atenção dobrada à porta. Nada sai vivo desse lugar se não estiver identificado, contido e acorrentado, entendido?”

“Sim senhor.”

“Harumi, ponta, Blake, retaguarda, quero armadilhas de imobilização em todo nosso trajeto de volta. Batista, eu e você ficamos na cobertura de Harumi, se algum alvo se tentar se aproximar dele, ele vai pro inferno dos cachorros.”

O comentário seria alvo de risos, se não viesse de seu líder. Morrison não era afeito a brincadeiras, e seu comentário confirmara que seus alvos eram as criaturas mais perigosas que já ouviram falar.  Lobisomens.

                Lobisomens! Enquanto se moviam pelo complexo, Harumi não conseguia conectar a palavra à realidade a sua frente. Os cinco homens na missão eram alguns dos melhores agentes de missões especiais da Organização, e haviam sido treinados para eliminar ameaças que não fossem naturais. Mas gângsteres com sangue sintético era uma coisa, lobisomens eram conceitos tão estranhos quanto fascinantes.

Mas não podiam ignorar as estranhas pinturas e marcas nas paredes, enquanto seguia o caminho para os níveis inferiores, runas? Marcas de garras? Pela altura, teriam que ser maiores do que um urso cinzento para fazê-las.

O silêncio de seus pensamentos foi interrompido pelo comentário de Batista: – “Nível três limpo. Realmente parece uma estrutura prisional. Este deveria ser o nível de entrada para a carceragem. Tirando carcaças de ratos, nem sinal de vida. Será que vamos encontrar uma das tais espadas de prata? Ficaria excelente sobre a minha lareira… Como era o nome mesmo?“.

“Grande Klaive, se não me engano.”- Respondeu Blake – “Mas não creio que encontraremos uma aqui. Essas armas eram de grande prestígio. E que tipo de prisioneiro tem grande prestígio?”.

“O que foi injustiçado. “ – O comentário seco de Morrison terminou com toda disposição de conversação entre os homens. – “A partir do próximo nível, silêncio absoluto. Eles já têm toda a vantagem sobre nós para nos encontrar, não vamos facilitar o trabalho. ”

E continuaram sua jornada pelas trevas do complexo.

Por duas vezes, Blake parou e olhou para trás. O silêncio sepulcral do lugar, e as evidências de que tudo foi abandonado às pressas o deixavam inquieto. Para onde foram todos? Teriam sido dizimados? E que eventos transpassaram para que essa prisão inescapável fosse evacuada?  Anos se passaram, mas nenhum informe foi repassado.

“Malditos burocratas” – Pensava enquanto preparava mais uma carga de impacto na lateral da escada que dava para o quinto nível.  Todo cuidado naquele momento era pouco, estavam se aproximando do local de movimento.

Alguns metros à frente, Harumi sinalizou que parassem e assumissem posições de guarda.  Uma das celas estava aberta, e por entre as grossas barras daquela estranha liga metálica, havia um esqueleto de algo grande. Batista aproximou-se cautelosamente, e notou algo estranho: Pegadas descalças recentes. Alguém entrou, mexeu no esqueleto e saiu, indo para o fundo da galeria.  Ele olhou para Morrison, que aquiesceu o ocorrido, e com um movimento silencioso ordenou para continuarem com ainda mais atenção em direção que as pegadas levavam.

                Chegando próximo a uma porta, que estava entreaberta. Na sua frente aparentava um grilhão, que fora jogado no chão. Próximo ao grilhão, um longo pedaço de osso, e um pouco de sangue. Ainda fresco.  Estava ainda voltando para a formação, quando a parede ao lado da porta entreaberta explodiu com violência.  Batista não teve tempo de esboçar reação, quando uma imensa figura, muito maior do que um urso cinzento, partiu seu corpo ao meio com extrema facilidade, na altura do abdômen. Garras incrivelmente longas moveram-se com velocidade inesperada, e o agente estava morto antes mesmo da parte superior de seu tronco tocar o chão.

 “Batista!” – Blake gritava em fúria, enquanto descarregava seu fuzil tático na imensa criatura que surgira. Corpo maciço, mas humanoide, coberto de pelos cor-de-cobre, garras longas como facas e afiadas como nada que tinha visto, e uma cabeça lupina, com olhos vermelhos e injetados que brilhavam ainda mais assustadoramente vistos pelo seu visor noturno, a imagem era tão impressionante que ele não esboçou reação nem quando Harumi foi dilacerado na sua frente com um simples movimento de mordida da imensa cabeça. Somente conseguiu se mover quando Morrison gritou em fúria, e acertou diversos tiros no torso da criatura.

Um Lobisomem atacando de surpresa

“Morra seu idiota! Você merece!” – E acertou diversos tiros no tronco massivo que se voltava e ainda conseguira dar dois passos na direção de Morrison enquanto recebia uma saraivada de balas. Seus ferimentos foram inúmeros, e a criatura tombou perante os dois agentes antes que conseguisse se aproximar ainda mais. Foi quando notaram que ela carregava uma bolsa rudimentar nas costas, e dela caíram duas grandes espadas rústicas, de um brilho intenso e com diversas runas entalhadas.

Seguiu-se o silêncio, e Morrison recarregava sua arma, enquanto olhava para seus dois companheiros, evidentemente mortos. Foi quando notou Blake pegando as espadas do chão, e comentando: “Grandes Klaives, ambas!” – Antes que pudesse falar qualquer outra coisa, a criatura em um último movimento desferiu um ataque ao agente, que ao se desviar, tropeçou e caiu em um imenso vergalhão de ferro, exposto da parede de onde a criatura saiu. O vergalhão perfurou seu pescoço, e ele ficou pendurado de forma patética, como um espantalho macabro.

O ataque da criatura foi o último que dera antes de receber diversos tiros na cabeça, que ficou completamente despedaçada. Dessa vez não teria volta, Morrison pensava para si mesmo. Lamentaria a perda de seus operativos mais tarde, mas não podia parar. A missão tinha que ser cumprida.  Enquanto se dirigia para as escadas, notou que o corpo da criatura mudou de forma. Era o corpo de um homem nu, grande, com imensas tatuagens no dorso, e sua etnia deveria ser escandinava, mas era impossível se certificar agora que não havia mais uma cabeça, embora as tatuagens não correspondessem às do alvo.

Pegou o sensor de Batista, a arma de Harumi, e desceu o último nível, seguindo a trilha para o segundo alvo.  Desceu rapidamente, e lançou seu olhar para onde o sensor de movimento mostrava.

Chegou a um corredor com diversas celas. Uma delas estava com uma parede que cedeu, e uma das barras entortada o suficiente para que um homem adulto passasse. Teria sido dali que a criatura escapou. Andando mais alguns metros, Morrison encontrou a fonte do sinal de movimento daquele último nível. Uma cela ainda inteira, e seu prisioneiro.

Encontrou o que parecia ser uma cela de grossas barras prateadas. A Lanterna no topo da arma iluminou um homem grande e muito forte, ainda preso à parede por grossos elos prateados. À sua volta, carcaças de pequenos animais mostram como estava se alimentando.  Sua aparência maltrapilha e com longos cabelos maltratados mostravam que estava preso há tempos. Mas havia algo em seu olhar que preocupava Morrison. Não sabia dizer se era fúria, determinação ou desprezo, a única coisa que tinha certeza é que todo o período que este homem estava aprisionado nessas condições não quebrou o seu espírito. Ele era o alvo. Ele era o perigo que a organização queria capturado para descobrir como ele ainda existia.

Nesse momento, o prisioneiro encarou o agente com a mesma expressão impassível que mantinha e quando os olhares se cruzaram, um entendimento silencioso se fez entre eles. Por um momento, Morrison sentiu a humanidade do prisioneiro, humanidade que seria arrancada pedaço por pedaço até que a organização tivesse a resposta do porquê alguém se recusava a desaparecer quando não havia mais para onde ir. Chegava até a admirar a presença do prisioneiro. Ali, naquela cela escura e abandonada, se manteve vivo por sabe-se lá quanto tempo. Desafiante, com alguma nobreza abstrata que não se desfez nem mesmo ali.

Morrison apontou a arma de Harumi vagarosamente para o prisioneiro, e quebrou o silêncio: “Te jogaram aqui e te esqueceram quando fugiram, você deve ter feito algo terrível mesmo. Pode ter certeza que quando estiverem te cortando em pedaços, a primeira pergunta que vão te fazer é: ‘Por que você fez o que fez?’” – e destravou a arma de tranquilizantes – “Eu realmente queria saber esse porque. “

Porque você fez o que fez?

Dlya Gaia” – Respondeu calmamente o prisioneiro.

“O que?” – Perguntou Morrison com um pouco de surpresa em sua voz.

“Por Gaia.” – Veio a resposta serena, vinda de trás de Morrison.  Antes que pudesse se virar, uma estranha pistola com runas brilhantes em toda a sua extensão saía das sombras do corredor atrás dele, e disparava de forma certeira na nuca do Comandante, cujo corpo desabou pesadamente no chão.

Creed olhou para o prisioneiro e disparou mais duas vezes, dessa vez nos grilhões que o prendiam. E estendeu sua outra mão para o prisioneiro que lentamente se erguia, enquanto pegava a sacola com as espadas de prata que o Sniper lhe entregava. Quando seus olhares se cruzaram, o prisioneiro acenou com a cabeça e enquanto saía da cela, repetiu serenamente:

“Por Gaia.”


… E foi assim que meu personagem encontrou o personagem do Charlebows! Ximu liberou para criar um background em conjunto e saiu isso aí. A roda era muito bacana, pena que só durou uma temporada! Um dia desses o X adapta pro blog! 😉

Primeira Temporada – Sessão Final

Anões, Gigantes & Vampiros

Motivados pela proximidade do fim da jornada, os Lanças Prateadas preparam-se para o maior desafio das suas vidas: Invadir a famigerada Necrópole em uma sessão que tem de tudo um pouco: Descobertas, tesouros, combates, revelações e mistérios…

Alarme, que Alarme?

Após uma breve pausa, os heróis continuaram sua avançando até encontrar a entrada da antiga cidade de anões, agora em ruínas. Com um pequeno lago à sua frente e a neve cobrindo toda a região, era difícil acreditar que a área estava tomada por um dragão branco e seus lacaios. Nem mesmo pegadas ou vestígios estavam à mostra, fato que impressionou bastante Keifan.

Externamente, pareciam ruínas de uma fortificação outrora majestosa, com um grande portal de entrada, agora sem nenhuma barreira, pois o que sobrou dos portões foi desfeito pela passagem do tempo, das intempéries do clima e ação de pilhagem dos muitos que habitaram essas ruínas desde sua queda, tantos anos atrás.

Movendo-se o mais furtivamente possível, os heróis adentram o grande Hall de pedra, e surpreendem-se com o que veem: A passagem vai aumentando de tamanho conforme se alonga pra dentro da montanha até chegar a um grande salão, onde podiam ver mais ruínas de construções imensas. Grandes colunas, estátuas e residências esculpidas na pedra bruta com tamanha habilidade e beleza que nem mesmo a passagem do tempo diminuiu a sua beleza. Embora bastante danificadas pelas batalhas travadas em seus domínios, as estruturas da cidade ainda assim continuavam majestosas e imponentes, arrebatando suspiros de admiração dos Lanças de Prata.

Conseguiram evitar duas patrulhas de gigantes de gelo, estes sem seus imensos lobos invernais para sorte dos heróis e se esgueiraram para o que parecia ser algum tipo de depósito utilizado no passado e agora permanecia vazio. Lá sentaram, descansaram e se alimentaram, antes de decidir continuar a exploração.

Toravin, curioso como sempre, se ofereceu para dar uma olhada em volta. Keifan ainda argumentou que ele seria o mais furtivo do grupo após Xistus, mas Toravin disse que usando de magia, ficaria invisível e poderia andar com mais segurança. Resolveram arriscar e o jovem elfo mago foi se aventurando para dentro das ruínas daquela que outrora foi uma grande cidade de anões naquele Norte gelado. Com cautela, não teve dificuldades para evitar os poucos gigantes que perambulavam pelas ruínas. Não sabia se eles estavam evitando a região próxima à cidadela por saber que seus senhores desmortos estavam retornando ou por medo do jovem dragão que havia tomado para si aquele território. Seja por qual motivo fosse, Toravin estava grato pela facilidade em se deslocar.

Chegou a uma pequena construção que parecia ter sido erguida há pouco tempo feita inteiramente de gelo. Pelas dimensões da entrada, obviamente era obra dos gigantes. Toravin entrou furtivamente observando seu interior quase vazio: Em um dos cantos havia um anão dormindo, preso a correntes. No centro da estrutura havia um pedestal com uma bola de cristal repousando em um almofada no centro, com diversas inscrições feitas em volta do pedestal e no próprio pedestal. Toravin era um estudioso de itens mágicos e já havia visto algumas raras bolas de cristal, muito valiosas para magos de alto poder, que dizem que são capazes de ver e achar lugares e pessoas com tal artefato, mas nunca tinha visto uma tão bela e cristalina como esta que repousava no pedestal.

Toravin e a bola de cristal encontrada

Não conseguiu se conter e resolveu levar esse tesouro. Decidiu que pegaria antes de tentar salvar o anão cativo, que provavelmente serviria de comida para os gigantes. Usando de suas magias, viu que uma aura poderosa emanava do bola, mas também auras mais fracas do pedestal e das runas no chão. Riu aliviado pelos saqueadores da cidade terem pouco domínio de magia e com confiança desfez as magias e do chão e do pedestal, se aproximou da bola de cristal e a pegou com segurança.

Foi nesse momento que um alarme disparou! Um toque alto como de vinte trombetas ecoava, emanando da própria bola de cristal! A poderosa aura mágica da bola ocultou a tênue aura mágica da magia de alarme, e agora ele tinha que se apressar!

O barulho acordou o anão que imediatamente se levantou assustado, mas que reagiu rapidamente ao compreender a situação. Toravin usou um encanto simples de abertura de mecanismos e abriu o cadeado que prendia o anão, que agradeceu com um aceno de cabeça e disse numa língua comum carregada de sotaque:

“Obrigado meu jovem! Deixe-me retribuir, siga-me depressa e o levarei para segurança!”

“Sim mestre anão! Mas precisamos encontrar meus amigos naquela direção!” – Respondeu Toravin, já apontando para a entrada da cidade, onde seus companheiros estavam naquela grande casa de gelo ainda.

O anão então tirou de dentro de sua veste um pequeno símbolo de martelo, pendurado em seu pescoço, entoou uma prece e de repente o som do alarme parou. Era um sacerdote de Moradin, o deus maior dos anões, que estava ali! Que sorte! Enquanto Toravin respirou aliviado, o anão deu um sorriso e falou:

“Me chame de Irmão Drognir rapaz e me acompanhe! Temos poucos momentos de vantagem, até eles chegarem aqui e virem que a bola de cristal sumiu! Mas temos tempo de buscar seus amigos, apenas teremos que correr!

E juntos correram de volta para a grande casa de gelo.

O Avatar Morto

Com o máximo possível de furtividade e aproveitando as habilidades mágicas de Toravin, os Lanças Prateadas adentraram nas ruínas da cidade, seguindo as orientações de Drognir. Enquanto andavam, Drognir se apresentou com mais calma. Ele vinha de Szecsa junto de seu clã, que fazia parte dos que fugiram da queda dessa cidade – Brandur – durante as Guerras Esquecidas, milhares de anos atrás.

O Anão, jovem para os padrões de seu povo, era um sacerdote de Moradin recém ordenado e na sua primeira noite como clérigo, teve um sonho com uma poderosa voz vindo da montanha ao norte chamando por ele e dizendo que o “O fogo liberta!!”. Mesmo sem entender exatamente o que tinha que significava, sentia que a vontade Moradin o direcionava de volta à antiga Badur. Juntou um grupo de voluntários do seu clã – Battonar – e partiu para a montanha, mas a inexperiência em aventuras fez com que fossem capturados antes mesmo de entrar nas ruínas.

Agora, conseguiram evitar as poucas patrulhas que ainda estavam alertas por causa do alarme de mais cedo e além do mais, uma consequência afortunada foi que os gigantes deixaram os anões prisioneiros sozinhos. Os heróis rapidamente soltaram a todos, e Drognir os guiou até uma grande parede de pedra que tinha o que seriam pedaços de um mosaico colorido em homenagem ao panteão dos Anões nos dias de glória daquela cidade.

Fazendo jus à habilidade de sua raça em túneis e minas, Drognir achou uma passagem secreta na parede sob os restos do mosaico. Rapidamente todos entraram e seguiram um túnel estreito, que terminava em um grande salão de pedra que tinha um imenso túmulo de pedra cuja esquife era um majestoso anão em armadura de combate, mas tinha o dobro de tamanho de um humano adulto!

O túmulo misterioso

Todos estavam chocados com a descoberta, mas ninguém tinha coragem de dizer nada, até que Drognir quebrou o silêncio:

“Moradin, meu senhor!” – suspirou o jovem sacerdote.

Respeitosamente, ele se aproximou, mas quando estava quase tocando no grande túmulo, Toravin o puxa pelo braço e avisa:

“Cuidado meu amigo, há uma magia profana emanando deste túmulo!”

Com muito cuidado e com a orientação dos utilizadores de magia presentes, Victor, Thoran e os anões ergueram a tampa do túmulo e viram o que seria um poderoso anão em armadura de combate, carregando um grande machado, mas que era de um tamanho muito maior do que um humano normal. Wallace disse que deveriam estar na presença de um corpo de um Avatar talvez do próprio Moradin. Fez uma prece silenciosa para Kallas, e se perguntou porque o corpo ainda estava ali. Avatares ao morrer se desfazem das suas formas materiais e retornam para o plano de existência da divindade. Por que este Avatar não retornou para Moradin?

Então perceberam que haviam runas e magias aplicadas no corpo, que estava com a garganta cortada. O sangue divino foi usado para algum propósito profano, sem dúvida, e usaram de magias profanas para impedir o real descanso do Avatar. O horror na face dos Lanças Prateadas só era menor que o presente nos rostos dos anões!

Depois de conversarem bastante sobre o que fazer (não se ouvia falar de avatares desde as guerras esquecidas e provavelmente este era desta época), Voros consegue convencer a todos que deveriam usar de fogo para queimar o Avatar. Assim o fazem e o fogo destrói as runas, quebrando as magias que aprisionavam a essência do Avatar. O corpo finalmente se desfaz, e os aventureiros respiram um pouco aliviados.

Então, na frente deles aparece uma imagem majestosa, que eles reconhecem com as feições presentes no esquife. Com uma voz poderosa mas reconfortante, ele se dirigiu a Voros (que foi quem teve a ideia de libertá-lo pelo fogo):

“Muito obrigado meu amigo! Sua ideia permitiu que eu me libertasse, e agora vou poder retornar à plenitude do meu ser! As energias desse Avatar estão se esvaindo, contudo posso lhe dar uma benção poderosa, ou dividi-la para todos vocês!”

“Muito obrigado senhor, mas não quero nada somente para mim! Ficarei alegre em dividir sua benção com todos.”

“Que assim seja!”

Bônus: Nesse momento o Avatar deu para todos os jogadores +2 para aumentar em qualquer atributo que desejassem. Foi o primeiro “boost” de atributos livres que os Lanças receberam!

Antes de partir, o Avatar de Moradin compartilhou com seus salvadores de que Brandur foi a primeira cidade a cair, pois os vampiros da necrópole o atacaram de surpresa através de um espelho mágico que estava na sala de tesouros e assim conseguiram surpreendê-lo e derrotá-lo. Seu sangue foi utilizado para rituais e os desmortos quase conseguiram seu objetivo. Foi ali o início da Guerra Profana.

Ensinou os heróis a palavra pra acionar o espelho, desejou boa sorte e partiu de volta para seu plano de existência.

A Batalha da Necrópole!

Rumaram imediatamente para a sala do tesouro, onde viram o espelho mencionado pelo avatar de Moradin. O que chamou atenção deles foi uma imagem de alguém que parecia muito com Victor (seria um antepassado?). Cautelosamente, usaram a palavra secreta que ativava o espelho, e as imagens refletidas se distorcem como se estivessem em um redemoinho, para desaparecer por completo e mostrar em seu lugar um outro aposento com uma arquitetura diferente da que viram até agora nas ruínas de Brandur.

Os Lanças de Prata se prepararam com magias de proteção, poções, óleos… Tudo o que poderia lhes dar uma vantagem em caso de encontrarem algum dos habitantes da necrópole, por mais improvável que fosse. Cruzaram o inusitado portal mágico e se infiltraram sorrateiramente na cidade maldita. Pela primeira vez em milhares de anos, os vivos pisavam novamente na capital dos mortos! Estavam em um aposento, agora abandonado, em algo que parecia ser uma torre. Havia luz entrando por uma janela com vitral, Voros se aproximou para ver de onde vinha e ficou surpreso em notar que grandes cristais espalhados pelas paredes e teto da gigantesca caverna pulsavam com energia mística. Chamou Toravin e perguntou o por quê daquele fenômeno e a resposta o deixou inquieto: “Algum ritual de magia poderoso está sendo preparado, os cristais reagem à magia sendo usada.”

Olhando de cima, o mago apontou para o que parecia ser uma praça em meio aos prédios arruinados, tanto pelo tempo quanto pela última batalha travada aqui, uma espécie de ritual estava se iniciando com alguns encapuzados, não mais do que uma dúzia. Porém, se fossem vampiros, isso já seria mais do que poderiam enfrentar. Foi quando Wallace puxou a Orbe do Sol, e disse: “É para isso que temos este artefato sagrado! Tudo o que precisamos é chegar próximo o suficiente deles para eu puxar a Orbe e utilizá-la, eles serão destruídos na hora, não importa quão forte sejam. ” – Concordaram com sacerdote de que apesar de arriscado, era o melhor plano que teriam, e resolveram se esgueirar pelas ruínas da cidade para chegar nessa praça sem serem notados.

Com Thoran um pouco à frente, os heróis vão se infiltrando entre as paredes e escombros, nas pequenas ruas e vielas que ainda tinham passagem. Quando repentinamente são surpreendidos pelo Ogre Mage que os emboscou anteriormente! O combate vai começar, todos se posicionam, mas Thoran ganha a iniciativa e arremessa o seu machado! Com uma rapidez e força impressionantes, ele arremessa um machado de mão, que vai direto para o meio da cara do monstruoso guerreiro místico, que tomba sem vida no chão! (maldito 20-20-18 no d20! 😉 )

Regra Opcional que uso: Quando o d20 dá um 20 natural em um ataque e 20 novamente na hora de confirmar o crítico, a gente joga mais uma vez, se der “hit”, INSTA-KILL do alvo (se for sujeito a crítico)!

Os Lanças prateadas se apressaram e seguiram adiante, quando depois de algumas construções, avistaram o que deve ter sido no passado uma praça de algum templo profano, onde estavam reunidos algumas figuras sinistras, que Wallace prontamente identificou como vampiros! A antiga ameaça estava de volta!

Mas algo parecia estar errado. Enquanto o que parecia ser o líder demonstrava confiança, os outros o cobravam pela perda do sangue de uma divindade… Mais uma das pequenas vitórias dos heróis.

De repente, eles começaram a lutar entre si, com o líder sendo morto por um de seus ajudantes, que numa cena grotesca, crava seus dentes no pescoço e se alimenta do próprio senhor!

Aproveitando o caos momentâneo, os Lanças de Prata se lançam ao ataque antes que os vampiros se recuperassem do combate, e graças aos poderosos artefatos que carregavam (em particular a Orbe do Sol), e pela segunda vez, as forças do mal são destruídas na Necrópole! Depois de 3000 anos, a luz toca novamente no solo da Cidade dos Mortos!

Mesmo cansados, os heróis vasculham as ruínas agora realmente desertas e recuperam diversos itens valiosos como ouro, joias e até mesmo objetos mágicos, enquanto se certificam que nenhum vampiro sobrou para ameaçar o continente de Alderon mais uma vez.

Exaustos, mas triunfantes, os Lanças de Prata partem da Necrópole para retornar para sua casa, no distante reino ao sul. Depois de um longo dia de marcha, resolvem passar a noite para descansar no esconderijo mágico invocado por Toravin, através de uma corda que leva a uma portinhola que uma vez fechada, desaparece e só pode ser reaberta por dentro, deixando a todos seguros em outra mini dimensão e qualquer um que estivesse seguindo seus rastros ficaria confuso com as pegadas na neve desaparecendo no topo daquela montanha no meio da cordilheira das Montanhas do Norte.

…E assim, descansam os heróis, até a próxima temporada! 🙂

Primeira Temporada – IV

Ogres, Gigantes e Ruínas

Satisfeitos por terem eliminado vampiros e salvo inocentes, o grupo continua sua jornada. Agora com um novo membro, Thoran – o bárbaro do Rex, para compensar a ausência da paladina e do ladino do grupo… Com espírito renovado, continuam a jornada a caminho da Necrópole…

Emboscados por Ogres? Sério Isso ?

Ainda eufóricos por terem eliminado os vampiros e descoberto um atalho secreto que facilitava como chegar ao ancestral reino dos anões do norte, os Lanças de Prata retornaram ao nível de entrada do fortim, apenas para serem surpreendidos por uma emboscada de ogres (Sim, emboscada! Não passaram em um check de percepção sequer!) aguardando por eles nos portões!

O combate foi intenso, Victor e Thoran penando para segurar os ataques poderosos dos ogres, enquanto Keifan, Voros, Wallace e Thoravin usavam suas magias à distância, dando suporte, curo e alguns ataques ao bando que os emboscava, virando a maré da batalha. E claro, lutando de forma surpreendente no meio deles, Thoran ajudou os Lanças Prateadas a vencer seus agressores, quase tão rapidamente quanto começou, a emboscada terminou, e os heróis estavam novamente no silencio das montanhas nevadas. Iam começar a examinar os corpos dos seus inimigos quando de repente tudo ficou escuro. Não como a noite, mas como se todos estivessem de olhos fechados. Ao mesmo tempo, ouviram uma voz ameaçadora ecoando em seus ouvidos:

“Então, vocês acham que seria fácil assim? Agora sei como lutam, tornaram mais fácil a minha vitória!”

Wallace desfaz as trevas invocando a luz do dia.

E Wallace sentiu um golpe cortante doloroso, que só não foi mais letal por que sua armadura diminuiu consideravelmente o impacto. Ele tentou reagir com sua maça, mas sem enxergar nada, golpeou o ar inutilmente. Voros tentou iniciar uma magia, mas a mesma foi contida por alguém nas sombras.

Os guerreiros não sabiam para onde atacar, e seus golpes não atingiam ninguém naquelas trevas sobrenaturais. Por um momento, os Lanças sofrem alguns ataques sem conseguir um único revide! Toravin e Voros tentaram invocar magias, mas ambas foram interrompidas novamente, enquanto Victor e Keifan tentavam achar o dono daquela voz naquela escuridão, desferindo diversos ataques a esmo, e em duas oportunidades, quase atingindo seus companheiros!

Apenas Thoran parecia ter alguma noção de seu oponente. Acostumado à lutar nas florestas e ermos nas noites escuras do norte, aprendeu a confiar em seus outros sentidos, e por duas vezes chegou a tocar seu oponente, mas este era muito ágil e forte e a todo momento se deslocava com grande agilidade, enquanto fazia magias ao mesmo tempo em que atacava os heróis, numa dança sombria, que cedo ou tarde acabaria por derrotá-los.

Nesse momento enquanto Thoran, Victor e Keifan atacavam em frentes diferentes ao mesmo tempo que Toravin e Voros tiveram suas magias frustradas, Wallace consegue se desvencilhar o suficiente para chamar a magia da luz do dia, que desfez as trevas e revelou o último remanescente do grupo que os atacou:

O primeiro Ogre-Mage a gente nunca esquece!

Passado o primeiro momento de susto, tanto para o Ogre-Mage, que não esperava que as trevas fossem desfeitas quanto para os heróis, que se depararam com uma figura maciça à frente, com uma espada enorme que já havia feito um estrago nos Lanças Prateadas, que por sorte não teve nenhum dos seus integrantes abatido até o momento.

O Ogre-Mage!

Já sem o elemento de surpresa, as bravatas ameaçadores não são mais ditas, e o Ogre teve muito mais trabalho para manter a pressão e atacar sem se expor demais às magias e armas dos jovens heróis. Um ataque mais forte em Victor, uma magia de Toravin negada… Mas ele não consegue manter o momento e decide bater em retirada. Antes que a batalha fosse decidida, se tornou invisível e desapareceu, mas não sem antes deixar uma ameaça no ar: “Isto não acaba aqui, crianças!” – Os Lanças Prateadas ficam exultantes, foi uma bela vitória para eles!

Agora, precisavam de um abrigo e de algum tempo para se recuperar, então eles seguem o caminho que descobriram com os vampiros que levava até uma cidade de anões encravada em uma cadeia de montanhas, ainda a algumas milhas ao norte. Keifan foi à frente, certificando-se de que não havia perigos aguardando por eles. Antes de escurecer, encontraram um abrigo em uma pequena gruta, mas já viam na distância a enorme entrada da cidade abandonada escavada na montanha. Resolveram descansar e se preparar ali, para o caso de outros terem feito das antigas ruínas seu lar.

Surpreendendo o Gigante de Gelo

O gigante de gelo no caminho para as ruínas

Revigorados e prontos, o grupo de amigos segue em direção às ruínas, ainda com Keifan a frente como batedor. Seguiram pela trilha na montanha, difícil de localizar, pois a neve e o desgaste do tempo fizeram com que a trilha quase desaparecesse por completo.

Nem precisaram andar muito para Keifan retornar bastante espantado: Cerca de uma milha adiante no caminho em direção ao cume, tinham algumas árvores, das quais ele se aproximou se esgueirando próximo de um grande guerreiro de pele clara e cabelos e barba azuis, com cerca de 3 metros de altura: Um gigante de gelo, que estava conversando com dois lobos enormes de pelo branco com um certo tom azulado. E o que chamou mais atenção do jovem rastreador era que os lobos tinham olhares inteligentes e pareciam entender o que o gigante dizia.

E o que o gigante disse preocupou a todos os Lanças Prateadas: Um dragão branco havia tomado para si as ruínas, forçando a tribo do gigante e seus companheiros (presumiu que os companheiros seriam mais lobos como aqueles que estavam com ele) o servissem e vasculhassem todas as ruínas da cidade em busca de tesouros que pudessem ter sobrevivido ao tempo.

Com um pouco de planejamento, resolvem emboscar o gigante e os lobos. Enquanto Victor partia no combate corpo a corpo, Voros e Keifan lidavam com os lobos, com flechas, magias e criaturas invocadas pelo jovem druida, antes dele se transformar em um grande urso e se juntar ao combate. Toravin também usava magias de fogo enquanto Thoran continuava desequilibrando o combate, com ataques poderosos e resistindo aos ferimentos como se nada fossem.

Uma vez vencido o combate, novamente para desgosto de Voros, Thoran saqueia o corpo dos vencidos, conseguindo alguns itens de valor para vender depois. Decidem continuar indo na direção das ruínas, afinal a chave para conseguirem chegar na Necrópole passaria por lá, seja lá como for. Apenas combinaram de fazer da forma mais sorrateira e segura possível, com magias para ocultar suas presenças e mascarar seus ruídos. Tentariam o caminho de evitar o dragão e seus lacaios, pois sabia que se confrontassem Voros, a influência da Orbe de Banaktar fatalmente faria com que qualquer chance de conversação voasse pelos ares.

O Destino dos Lanças Prateadas estava próximo, e eles ainda não faziam ideia do que estava em jogo…

Primeira Temporada – III

Encontros e Partidas…

Com o grupo já entrosado e com um novo propósito, os heróis continuam a sua jornada rumo à Necrópole ao norte, onde tiveram algumas surpresas boas, outras ruins… E em algum momento, eis que surge… O Rex! Tradições que são mantidas…

A Última Forja

Ainda abatidos pelos eventos da última sessão, os heróis seguem a sua jornada rumo ao norte. Por duas vezes tiveram que lidar com pequenos eventos, como saqueadores goblins que atacavam uma caravana que levava mercadorias para a última grande cidade da região: Szecsa, entreposto agrícola no passado que foi devastada na Grande Guerra quando os campos do vale em que se situa chafurdaram em sangue, fogo e enxofre.

Szecsa queimando na Grande Guerra

Agora, Szecsa jazia no meio de um vasto pântano, formado das cinzas das antigas fazendas e alagadas com a água do antigo rio Vrandur, que teve seu curso quase que completamente bloqueado durante uma das batalhas da antiguidade. As terras inférteis baniram a maioria dos fazendeiros, até que segundo as lendas locais, uma família parou com uma carroça quebrada nas estrada lamacenta, e ao procurar por madeira para fazer os reparos, uma das crianças retornou com um machado de batalha de aparência sombria, e de lâmina completamente negra, para ajudar a cortar troncos de árvore. Com extrema facilidade, cortaram a madeira, e o fazendeiro ficou espantado com aquele machado, imaginando que conseguiria um bom dinheiro por ele ao sul, para trocar por sementes e ter um novo recomeço.

Quando chegou na loja de armas, descobriu que a arma era valiosíssima, o metal, conhecido como “Aço Negro” só era encontrado muito ao norte, e apenas forjas nas cidades anãs conseguiam derretê-lo. Uma vez pronta, uma arma ou armadura de Aço Negro era praticamente indestrutível, e resistente até mesmo a poderosas magias. Era muito procurada por guerreiros, e dizia-se que os guerreiros vampiros utilizavam armas e armaduras desse metal, infligindo grande destruição aos exércitos mortais e divinos ao mesmo tempo.

O fazendeiro ficou muito rico com apenas aquela arma, e resolveu voltar com a sua família para procurar mais Aço Negro no pântano que se formou. Com o passar do tempo e descoberta de mais peças antigas, Szecsa recebeu anões refugiados do norte, que montaram grandes forjas na cidade, e rapidamente ela voltou a crescer, agora com catadores de peças de Aço Negro, vendidas quando inteiras, ou quando muito danificadas, reforjadas na única cidade restante que podia fazê-lo. Foi quando Szecsa ficou conhecida como “A Última Forja”, a contragosto dos refugiados anões, que esperavam um dia retornar para a sua cidade perdida.

Mestre Anão forjando uma espada de Aço Negro

Os heróis resolveram acompanhar a caravana até Szecsa, passando a maior parte do tempo aprendendo sobre a cidade e olhando aquele vasto pântano que os cercava, outrora fazendas com seus campos cheios de vida. Em um dos dias de viagem pelo pântano, Victor encontrou uma pequena espada feita de Aço Negro, que apesar de ter alguns milhares de anos, ainda tinha um fio formidável e tão forte quanto as melhores espadas que o guerreiro já tinha visto.

Pararam nos mercados de Szecsa para negociar a espada, quando notaram uma certa agitação nas ruas. Xistus se misturou ao povo e foi buscar informação enquanto o resto do grupo foi vender a espada e reabastecer provisões e adquirir montarias novas. Quando se reuniram, Xistus contou ao grupo o motivo da agitação nas ruas do mercado: Um cavaleiro em uma armadura de aparência ameaçadora e feita de placas de aço atacou as famílias que viviam nos arredores de Szecsa, matando todos os homens e capturando todas as mulheres. Um mercador de escravos solitário? E nenhuma cidade ao norte do continente permitia escravidão. Seria ele o tal cavaleiro que os Angorin da guerra recrutaram? Essa história estava estranha…

Linda e Keifan apressaram seus amigos. Todos deveriam partir logo, o frio outono se aproximava e estavam muito preocupados com as mulheres capturadas. Os Lanças Prateadas partiram na direção para onde o cavaleiro teria ido. Após alguns dias de marcha, saíram do terreno do pântano quando Keifan conseguiu achar o rastro da marcha com facilidade. Estava muito angustiado, pois as prisioneiras marchavam descalças na terra dura. Rumaram para a cadeia de montanhas que circundava o norte dos pântanos. Não deveria ser uma coincidência que marchavam em direção da Necrópole.

A Surpresa na Montanha

Os heróis saíram de Szecsa e seguiram o curso contrário ao do rio Vrandur, acompanhando pela antiga estrada que o margeava, rumo à sua nascente nas primeiras montanhas da grande cordilheira que cercava todo o vale e se estendia por centenas de milhas de altas montanhas em todo o norte. Levando apenas suprimentos para alguns dias para viajarem leves, e com Keifan um pouco à frente procurando por rastros, não demorou muito para os Lanças Prateadas finalmente encontrarem ao pé das montanhas, vestígios de um grupo de mulheres aparentemente andando em fila atrás de um cavalo de batalha pesado, há apenas alguns dias ! Aceleram o passo, e encontraram uma pequena surpresa no caminho:

Thoran crucificado no caminho

Um jovem de aparência rústica e forte estava pregado em uma estrutura de madeira na beira da estrada. Todos os heróis ficaram chocados, mas Linda e Wallace correram para resgatá-lo, enquanto Voros observava incrédulo e um pouco receoso de quem seria esse estranho, só por ter sido vítima de um mal não necessariamente seria alguém digno. Mas seus questionamentos foram ignorados pelos seus amigos e sua desconfiança somente diminuiu quando Linda lhe assegurou que não sentia maldade no coração do rapaz.

Thoran era seu nome. Um jovem de uma das tribos do extremo norte, chamadas de “tribos bárbaras” pelos habitantes das cidades mais ao sul. Esse povo estava acostumado às condições difíceis de vida da região e não era incomum ver clãs inteiros de nômades que migravam constantemente buscando melhores condições de vida, mas nunca saindo do norte, pois desconfiavam do povo do sul. Mas quando Wallace curou seus ferimentos, o jovem se sentiu mais seguro em compartilhar informações com os também jovens heróis.

Disse ele que estava no encalço de um homem cruel, com uma daquelas roupas de metal pesado tão difíceis de matar, fortemente armado e montado em um grande cavalo de guerra. Era um cavaleiro habilidoso, e matou os homens de uma família que conhecia, levando as mulheres prisioneiras, junto daquelas que ele mesmo já trazia. Em especial, a pequena Shira, uma menina de linhagem venerada, que estava sob a sua guarda, e que ele havia deixado com a família enquanto caçava. Thoran seguiu seu rastro até aqui, quando encontrou o cavaleiro ainda na estrada. Atacou e tentou vencê-lo, mas não foi páreo para o guerreiro mais experiente e bem equipado. A última coisa que lembrava, era a agonia de ser crucificado em uma estrutura de madeira antiga, onde provavelmente outros sofreram uma morte lenta e dolorosa à beira da estrada.

Uma vez recuperado, Thoran pediu para se juntar ao grupo, já que todos queriam libertar as cativas do guerreiro a cavalo. Continuaram a jornada por mais dois dias, até que em um pequeno vale que ficava no meio de um grupo de montanhas, finalmente encontraram o homem que levava as mulheres acorrentadas. Todas estavam em fila em péssimas condições, acorrentadas pelos pulsos e completamente nuas. Essa visão tirou Keifan do sério, que antes de qualquer planejamento partiu em carga, gritando enfurecido, eliminando assim qualquer chance de surpresa. Provavelmente a intenção do cavaleiro era causar este tipo de reação, pois agiu como se já esperasse um ataque assim.

O homem largou a corrente que puxava no chão e virou seu cavalo na direção do grupo que o atacava. Abaixou a lança e disparou em direção aos Lanças de Prata. O chão parecia tremer sob os cascos daquele maciço cavalo acinzentado, que conduzia aquele monstro de armadura contra os heróis.

E ele fez valer a experiência e o despreparo dos Lanças de Prata contra um cavaleiro acostumado a justas em equipamento completo. Em um único movimento, acertou Keifan em cheio, que já caiu no chão completamente atordoado, e enquanto fazia a volta, ainda desequilibrou Thoran, que caiu no chão, enquanto galopava novamente para finalizar Keifan. Foi Toravin que o salvou, fazendo um feitiço que tornou o chão escorregadio, enquanto Voros conjurou raízes do solo, para atrapalhar o movimento. Em momentos, os heróis recuperaram a vantagem, e Victor correu para desmontá-lo, onde a tática em equipe e a superioridade numérica ajudaram os heróis a vencer um oponente mais forte. Recusando-se a se entregar, ou mesmo revelar qualquer detalhe do porque tinha capturado as mulheres, o homem foi finalmente eliminado quando Victor o atingiu, para proteger Wallace.

As prisioneiras foram libertas, mas a falta de vestimentas adequadas e alimentação tornariam impossível para que sobrevivessem a mais uma jornada longa. Foi aí que os heróis conversaram entre si e resolveram que deixariam seus cavalos para que as mulheres montassem. Como estavam cobertas apenas pelos mantos e cobertores que os heróis haviam levado, estavam leves e poderiam cavalgar em duplas e até mesmo um cavalo levou um trio de meninas com pouco mais de 8 anos. Linda e Xistus concordaram em escoltá-las até a última cidade que de onde vieram, já que eram os mais leves e conseguiriam levar outras nas suas garupas, para em seguida retornarem para seus amigos, com Xistus seguindo a trilha deixada por eles.

Thoran ficou incomodado de não poder voltar com Shira, mas entendeu que não haveria como ele acompanhá-las sem atrasá-las, e tempo era inimigo das mulheres libertas. Além disso, queria retribuir a ajuda que os heróis lhe deram e disse que faria o melhor para que não sentissem falta dos dois heróis que estavam retornando com elas, ou de suas espadas. Disse isso e virou-se para o corpo do guerreiro maligno que vencera, e pegou tudo o que achava que seria valioso, para desgosto de Voros, que não apreciava a atitude de saquear os inimigos derrotados.

Os Três Túmulos

Agora a pé, continuaram a jornada rumo ao norte, seguindo na direção que Tormenta indicou no mapa. Pelas estimativas, estavam cruzando o território que já pertencia a um antigo reino anão, que diziam as lendas, foi o primeiro a cair frente ao ataque avassalador da Necrópole. Mas por onde olhavam, só viam montanhas, nenhum sinal de fortificação ou batalha. Wallace estava apreensivo, pois a região onde estaria a Necrópole era muito extensa. Perguntava a Kallas como fariam para chegar lá?

O fortim abandonado

Logo acharam um pequeno fortim encravado na encosta da montanha. Provavelmente outrora um entreposto anão, visivelmente abandonado, mas que serviria de abrigo, e mais importante, alimentou a esperança dos Lanças de Prata estarem no caminho certo! Entraram cautelosamente, e Toravin invocou luzes para iluminar o caminho para seus amigos humanos. O interior era praticamente apenas ruínas, com sinais de combate feroz, mas já bastante desgastados, depois de milhares de anos. Para se certificarem que estavam seguros, resolveram vasculhar o fortim, para evitar surpresas desagradáveis.

Mas antes de descansar, encontram em um pavimento inferior, três túmulos lacrados, cercados por símbolos sagrados, e uma leve aura mágica remanescente ao seu redor, detectada por Toravin. Runas na língua dos anões estavam entalhadas em suas tampas, e Wallace, que conhecia a língua, traduziu para seus companheiros:

“Dentro deste túmulo jaz um vampiro da Necrópole. Não dispomos dos meios para destruí-los em definitivo, nosso sacerdote morreu e o sol não brilha há meses. Nós o Imobilizamos com estacas e neste túmulo. Fiz um pequeno truque que preserva a pedra, e vamos em busca do resto das tropas. NÃO ABRA O TÚMULO SE NÃO ESTIVER PRONTO!”

Todos ficaram espantados e preocupados. TRÊS VAMPIROS? (um ou outro jogador me xingando por ser sem noção, e eu enquanto ria, continuava descrevendo) Depois de discutirem bastante, fizeram um plano e se organizaram. Victor e Thoran levantariam a tampa de pedra do primeiro túmulo, Keifan retiraria a estaca e Toravin ficaria preparado para conjurar uma magia se fosse necessário enquanto Wallace empunharia a Orbe do Sol para destruir o vampiro, já que eles a acionariam antes de abrir a tumba, para preencher o ambiente com a luz do sol.

Tiveram um pouco de receio para abrir o primeiro túmulo, mas quando viram que o vampiro virou pó em pouquíssimos segundos, ganharam confiança e abriram mais um… Mais uma vez, o vampiro destruído, e os heróis confiantes. Quando foram abrir o terceiro…

“Para! Para!! Por favor, faz isso comigo não, profeta!!”

E viram dedos cadavéricos segurando a tampa de pedra, pra impedir que a luz entrasse no túmulo… (Todos se escangalharam de rir com a cena, mas continuamos)

O terceiro vampiro tinha conseguido despertar com muita dificuldade, e tinha ouvido a destruição de seus dois aliados… Em pânico, tentou barganhar com os heróis pra não ser destruído, e revelou tudo o que sabia: Que cinco vampiros vieram aqui com a missão de descobrir a passagem que levava para a capital do reino dos anões, e preparar a invasão lá de dentro, para tomar a cidade. Dois descobriram e se infiltraram, enquanto os que ficaram fazendo guarda foram surpreendidos pelos defensores do fortim, e acabaram aprisionando-os. Sem hesitar, revelou aos Lanças de Prata onde ficava a passagem e perguntou se depois disso deixariam que ele fugisse.

Voros respondeu: “Não!” e em seguida Victor e Thoran levantaram a tampa da tumba, e o vampiro virou pó…

Primeira Temporada – II

A Jornada Continua…

Depois da sessão de introdução, foram mais duas sessões com bastante ação, combate e… quase nada registrado! Agora, seis anos depois, eu fico tentando decifrar minhas anotações e refazer todos os passos que os heróis deram. Mas tem alguns momentos que serão inesquecíveis…

Uma Estrada Tranquila

Os heróis seguiram o caminho indicado por Tormenta. A estrada antiga quase não era mais utilizada. mas ainda estava em boas condições, por isso cobriram grande distância em poucos dias. Keifan e Xistus preparavam o acampamento para todos, Victor e Linda se revezavam montando guarda enquanto Voros e Wallace conversavam e tentavam lembrar-se de mais detalhes das Guerras Esquecidas. Ambos tinham um bom conhecimento das lendas religiosas antigas, e conversando entre si esperavam lembrar de algo importante. Tudo isso enquanto Toravin ficava com a cabeça enfiada no seu livro de magias, estudando e praticando, como sempre fazia.

Aproveitaram o tempo para conversar mais e aprofundar os laços de amizade que unia os jovens heróis. Em uma das noites, quando todos estavam reunidos em volta da fogueira, Wallace perguntou pra Victor:
“Eu não sou especialista em lutas, mas reparei que quando enfrentamos aqueles salteadores na estrada, você preferiu usar a espada longa de sempre, ao invés dessa sua grande espada bastarda que tem até uma aura ameaçadora… Se você não gosta dela, porque a carrega consigo? Se gosta, porque não a usa?” – Perguntou o jovem sacerdote.

Victor deu um sorriso entre o sarcasmo e ironia, e respondeu ao amigo: “Essa espada está na minha família há muitas gerações… É tão valiosa quanto poderosa, e meu pai me contou que certa vez viu meu avô cortar um ogre ao meio, de armadura e tudo, quando ainda era uma criança.”- Isso despertou o interesse de todos, pois parecia ser uma espada mágica, o que explicaria a aura ameaçadora que Wallace pressentiu.

“Mais um bom motivo para não deixá-la na bainha!” – Disse alegremente Xistus, enquanto saboreava um pedaço de carne assada na fogueira. Tendo sido o único que não riu, Victor respondeu, ainda olhando para as chamas, como se visse cenas do passado nas labaredas:
“O problema é que meu pai me disse que ela tem uma maldição que nossa família tem que carregar: Cada vez que for desembainhada, alguém deve morrer, ou algo terrível acontece com aquele que deve guardá-la. No caso, eu! É por isso que não ouso me separar dela. Não quero que nada me aconteça se alguém a sacar longe de mim.” – Terminou o grande guerreiro com um leve sorriso irônico.

Todos permaneceram espantados com a revelação desse detalhe, já ouviram antes que a espada bastarda demoníaca era algo que os antepassados de Victor carregavam há gerações, mas a revelação dessa maldição surpreendeu as todos, que terminaram suas refeições em silêncio, exceto Toravin, que permaneceu boquiaberto por mais algum tempo.

Conversas em volta da fogueira

Em um dos dias da jornada, quando se preparavam para acampar numa clareira, Toravin teve uma ideia: Uma das magias que estava estudando era um truque com corda, que aprendera de um mago que era famoso por apresentações a nobres e festivais pelo reino, que a fazia se esticar e ao subir até o topo ele desapareceria. Enquanto na verdade, a magia criava ao final da corda um pequeno espaço extra-dimensional indetectável por quem está no plano material, com um “alçapão mágico” na abertura que poderia ser fechado por dentro, tirando todo o acesso ao refúgio. A magia durava cerca de seis horas, e ao termino dela todos seriam retornados ao plano material, sem sustos. O espaço era grande o suficiente para abrigá-los, e perfeitamente seguro. Os Lança Prateadas gostaram bastante da ideia, e até Voros, mais resistente às soluções não-naturais, aceitou. Toravin disse que estava estudando meios de estender a duração dessa magia, e a partir de então, essa virou a forma como os heróis descansavam quando viajavam pela estrada.

Na manhã seguinte, pouco antes do término da magia, Keifan havia descido como sempre fazia para ter um pouco de privacidade, próximo ao local onde acampavam. Quando retornava para esperar seus amigos voltarem, reparou que havia um grupo de pegadas em volta da fogueira, agora apagada, que não era de seus amigos. Depois de uma rápida investigação, identificou que era um grupo de seis ou mais homens em armaduras pesadas.

“Devem ser os Angorin da guerra!” – pensou Keifan. Provavelmente estavam seguindo os heróis e como o rastro dos Lanças Prateadas desapareceu no próprio ar, devem ter ficado confusos, retornaram aos seus cavalos parados a uma centena de metros do acampamento, e se dispersaram. Depois disso, se espalharam procurando uma maneira de reencontrar a trilha. Sem saber, Toravin os livrou de perseguidores que os espreitavam, com um pouco de sorte ganharam alguns dias de vantagem antes de que os guerreiros voltassem ao seu encalço.

O Templo Nem Tão Abandonado…

Logo chegaram ao seu destino, algumas milhas para dentro do Vale Ruak, a noroeste de Polandis, cercado pelas montanhas que fazem as bordas do reino, outrora uma região habitada e rica em produtos para as cidades em volta. Mas desde as Guerras Esquecidas, poucas pessoas restaram no entorno, e as criaturas selvagens e bandidos há séculos fizeram todos migrarem para Polandis, ou cidades em outros reinos. Hoje, o vale era praticamente um santuário livre de civilização. Mas no coração do vale, encontram ruínas de uma construção de pedra, provavelmente algum lugar de oração, construído há milênios pelos antigos habitantes da região.

As ruínas no Vale Ruak

Entraram no que parecia ter sido um pequeno templo, mas o tempo apagou todos os traços que pudessem identificar a divindade. Wallace presumiu que seria um templo para Sif por ela estar associada à terra e aqueles que trabalham nela, mas era só um palpite.

Uma vez dentro do pequeno templo, foram surpreendidos por um grande Umber-Hulk. A fera havia tomado o pequeno recinto como lar, e imediatamente atacou os heróis, ao ter seu território invadido. Apesar de grande e forte, o monstro não fez frente aos Lanças Prateadas, já agindo em conjunto e com grande eficiência, e em poucos momentos, foi abatido sem ferir os aventureiros. A maior consequência do combate foi abrir uma fenda em uma das paredes dos fundos do templo, que deveria ser uma passagem secreta para níveis subterrâneos. Xistus foi quem notou a passagem, e após Victor exercer sua grande força, os heróis seguiram na jornada para o interior do templo nem tão abandonado quanto achavam.

Talvez tenha sido pelo passar dos anos, ou por algum tremor de terra que tenha ocorrido, mas o fato é que grandes fossos jaziam abertos ao longo do caminho, que não era maior do que algumas centenas de passos, e pouco antes do final da passagem, onde havia uma grande porta de pedra fechada, as laterais das paredes cederam, formando uma grande câmara improvisada, maior do que uma casa e com vários tuneis naturais e fissuras se encontrando lá. No final, o cenário era intrigante, e até Voros achou peculiar a maneira como aquela passagem se integrou com o solo. Tudo isso aliado a um frio fora do comum, com bastante gelo cobrindo quase toda a superfície dos túneis, naturais ou não.

O Remorhaz ataca!

Quando se aproximaram da porta de pedra, que tinha pouco mais do que 8 pés de altura, Keifan gritou um alerta a todos: aquela rede de túneis improvisada tinha um novo morador, e ele não estava contente com as visitas. Mas dessa vez, o inimigo era muito mais perigoso do que um Umber Hulk: Um Remorhaz adulto surgiu de uma das cavernas, onde provavelmente aguardava o inverno, e imediatamente começou a enfrentar os heróis!

Logo de imediato, Toravin, Linda e Xistus ficaram fora de combate, e Voros, Wallace e Keifan foram encurralados pela grande besta! O cenário era bastante preocupante, E ficou ainda mais quando Victor atacou a fera com sua espada longa, que prontamente derreteu na couraça quente do monstro. Foi então que o guerreiro tomou uma decisão que marcaria para sempre os Lanças Prateadas:
Ele sacou a sua espada amaldiçoada e gritou: “O golpe derradeiro tem que ser meu!”

Nas mãos de Victor, a espada de lâmina sombria era simplesmente devastadora, e os heróis conseguiram equilibrar o combate com a criatura, ainda que a muito custo de suor e sangue. Voros mal se aguentava de pé, Victor estava bastante ferido, e parou para recuperar o fôlego antes de dar o golpe derradeiro na besta. Foi quando Keifan, ansioso para salvar seus amigos e vencer o Remorhaz, disparou uma única flecha, que acertou o monstruoso artrópode em cheio em um dos olhos, e antes de seu corpo atingir o chão, já estava morto!
…Para desespero de Victor…

A Barganha Fatal

Os heróis nem tiveram tempo de comemorar, quando a fera morreu, um grito sobrenatural pode ser ouvido em toda a câmara, quando a espada de Victor brilhou com fulgor vermelho-sangue e dominou o jovem guerreiro. Gargalhando, com a face desfigurada e feições demoníacas, uma voz gutural agradecia pela oportunidade de provar o sangue dos heróis que estavam completamente esgotados das duas lutas que tiveram naquele dia. Voros ainda tentou argumentar com a entidade, para quase ser decapitado com um poderoso soco, que o deixou atordoado no chão…

Imediatamente, Wallace percebeu que não teriam chances contra quem estava possuindo Victor. Se em condições normais, já seria um desafio formidável, com Linda e Toravin desacordados, Voros atordoado e Keifan e Voros exaustos e feridos, os Lanças Prateadas pereceriam, e aquela entidade estaria livre para propagar o seu mal por toda a terra. Tomou a decisão fatídica, e rapidamente pegou o anel dos desejos que guardava consigo: “Tenho que fazer o desejo de forma que não possa ser usado para nos prejudicar!”

A sombra do gênio atende o pedido de Wallace


“Eu desejo que o problema da espada seja resolvido, mas que nenhum de nós dos Lanças Prateadas sofra pra isso!”

Imediatamente uma lufada de ar quente percorreu a grande câmara, e um dos pequenos diamantes do anel se quebrou. De dentro dele, saiu uma figura espectral que lembrava um gênio, envolto em energias místicas. Wallace não tinha certeza, mas parecia que estava sorrindo, o que lhe deu calafrios…

Enquanto as mãos da imagem do gênio gesticulava, liberando energias para seus encantamentos, os heróis claramente ouviram ressonar no ambiente com um tom bastante debochado: “Assim será feito… ‘Mestre'”!
… Foi quando todos, com exceção de Victor, ainda dominado, foram envoltos em bolhas mágicas transparentes finas como bolhas de sabão, mas em que os golpes frenéticos da entidade que dominava o guerreiro nada faziam.

Após um forte clarão vindo do centro da câmara, enquanto ouvia uma gargalhada maligna sumir nos ecos dos corredores, quando os olhos dos heróis se acostumaram novamente com a escuridão, todos ficaram horrorizados: Em frente ao guerreiro possuído havia um bebê recém-nascido! Todos gritaram desesperados, Voros implorava que o pegassem no lugar da criança, enquanto todos tentavam em vão sair de suas bolhas. Foi quando Victor dominado levantou a espada, e com um único golpe pôs fim à vida do bebê inocente!

Imediatamente, o guerreiro caiu desmaiado, e todos os Lanças Prateadas ficaram livres de novo. Mas o custo foi alto demais… Todos estavam chocados, e lágrimas escorriam no rosto dos heróis, com Wallace sendo aquele que mais se culpava. Soluçando e a todo momento pedindo perdão ao seu deus por essa morte, preparou o cadáver do bebê, determinado a fazer de tudo para reverter essa tragédia, jurando enquanto não conseguisse, levaria a pequenina criança mumificada com ele, e que nunca mais usaria aquele anel maldito!

O Despertar de Ingra

Ainda bastante abalados, Xistus destravou a grande porta de pedra, travada por mecanismos muito antigos enquanto Victor a abriu com facilidade. O jovem guerreiro estava calado, ainda se recuperando do domínio que sofrera, quando assistiu sem poder fazer nada, seu próprio corpo controlado pela entidade da espada tirar a vida do bebê inocente que o gênio largou ali. As sequelas o seguiriam para sempre. Inclusive fisicamente, já que notou algumas mudanças. Seus olhos, antes castanhos, agora estavam vermelho sangue, possuía agora as orelhas pontiagudas, mas não como dos elfos ou meio-elfos, e sim algo que parecia com as orelhas dos demônios retratados em obras de arte. Estranhamente, seus caninos também ficaram mais proeminentes. O outrora guerreiro de feições nobres agora lembrava alguém comprometido com causas demoníacas.

Passaram pela porta e adentraram nesta segunda câmara, onde haviam alguns objetos simples como vasos espalhados e algumas tapeçarias esmaecidas nas paredes, bastante afetadas pela passagem de tempo, embora não vissem qualquer indício de poeira, sujeita ou teias de aranha. Parecia uma grande sala quase vazia e abandonada, com exceção de um imenso bloco de gelo no centro, onde dentro dele podia ser vista uma cama de pedra, onde deitava serenamente uma bela mulher de cabelos curtos e dourados em veste de guerreira, com um escudo e uma espada ao lado dela. Havia um minúsculo canal, que partia do pescoço dela, onde saia sangue em uma quantidade tão pequena, que na saída do bloco, pingava gotas em uma ânfora, que se encontrava vazia naquele momento. Alguém estava se aproveitando do sangue daquela Angal, confirmando as suspeitas dos heróis: Vampiros existiam, e estavam agindo novamente.

Depois de examinarem a câmara e virem que não havia maiores perigos, Keifan disse que ninguém passara naquele lugar há algum tempo, e Toravin viu que havia alguma magia naquele gelo, e que deveriam libertar Inga. Juntos, os Lanças Prateadas desfizeram o bloco de gelo, deixando a bela mulher livre de seu clausuro.

“Ingra!” – Wallace chamou em voz alta pelo nome da Angal, que despertou imediatamente, como se estivesse em um sono leve. Ela olhou em volta e viu o estado envelhecido das coisas ao seu redor. Encarou os heróis na porta e disse:
– “Sinto que dormi muito, quantos anos se passaram?”
– “Não muito… Coisa de três milênios… ” Disse espontaneamente Keifan, para desconcerto do grupo, com o tom informal demais perante alguém celestial.
Se Ingra se surpreendeu, não demonstrou, e após uma rápida conversa com Linda e Wallace, na qual, para tristeza dos heróis, explicou que trazer a criança de volta estava além das suas habilidades, levantou-se e pegou seus objetos pessoais. Em seguida fechou os olhos por um momento e usou de suas habilidades para ocultá-los de seus adversários na jornada de volta. Os jovens heróis mereciam algum descanso depois de tanto sofrimento.
Nada os importunaria até retornarem ao amado Tormenta.

…Nada além da culpa.

A Benção do Sol

A viagem de volta realmente foi rápida e sem eventos, e tão logo se aproximaram do local de partida onde Tormenta se encontrava (parecia que não havia se mexido desde que se encontraram pela última vez, algumas semanas anteriormente), os dois Angorin correram em direção um ao outro. Pareciam dois jovens namorados que se reencontravam depois de uma viagem necessária. Se beijaram apaixonadamente e entre um sorriso da Linda e um olhar marejado de Wallace, os Lanças Prateadas deram alguns momentos preciosos de de reencontro para os amantes.

– “Amigos! Não tenho palavras para descrever o quanto estou agradecido a vocês! Desde o início da Guerra com a Necrópole eu não vejo a minha amada! Finalmente me sinto completo!”
-“Fizemos o que sentimos que era o certo, amigo.” – Disse Voros, e continuou: – “Mas acreditamos que foi mais do que coincidência encontrá-lo, pois estávamos rumando para o norte, em busca das ruínas da Necrópole, para saber se ela estaria retornando. A providência o colocou em nosso destino, pois acho que pode nos indicar o caminho.”
– “Farei mais do que isso!” – Respondeu ainda com lágrimas de alegria nos olhos – “Tome! Esse artefato sagrado me foi dado pelo próprio Angor de Kallas!”

E tirou de seu embornal uma bela orbe dourada, com runas celestes gravadas em sua superfície. Wallace e Linda arregalaram os olhos, pois embora soubessem da existência de itens sagrados por toda Alderon, nunca tinham ouvido falar de algo concedido diretamente pelos alto-seguidores dos deuses.

A Orbe do Sol

“Esta é a Orbe do Sol, uma benção concedida pelo próprio Kallas a seus seguidores durante as Guerras Esquecidas. Dentro dela, uma fagulha do próprio sol descansa, e ao invocar seu poder a luz do dia em sua forma mais pura preenche o ambiente. Nenhum morto vivo pode resistir ao seu poder! Tive a honra de empunhar esta na última batalha, quando caçávamos as forças remanescentes da Necrópole. Quando fui devolvê-la, me disseram que guardasse, pois ela estava destinada a ser usada de novo, desta vez pelos seus campeões mortais!” – Esta última parte, ele disse olhando para Wallace e Linda.

Extremamente emocionados, os heróis relutaram muito em aceitar tão importante prêmio, com Linda chegando a considerar entregar o artefato para Targos, ou Tordek. Foi com alguma insistência de Ingra, que Wallace aceitou carregar a Orbe, até que ela fosse necessária. Afinal, iriam enfrentar vampiros, e nada era maior do que o poder do próprio sol para protegê-los. Por fim, aceitaram o presente e sua responsabilidade e preparam-se para partir.

Tormenta, além de preparar um mapa dizendo por onde deveriam viajar para chegar mais rapidamente e de forma segura à região da Necrópole, também lhes deu alguns avisos: Os Angorin da Guerra estavam ainda em seu encalço, porém o truque de Toravin havia deixado-os tão desnorteados que eles ainda estavam espalhados por toda costa, a oeste de onde estavam. Talvez ainda levassem meses para encontrá-los, mas como não poderiam fazer nada contra os mortais sem que fossem atacados, tudo o que os heróis tinham que fazer era não se intimidarem ou aceitarem provocações caso encontrasse com eles.

Contudo, seus oponentes eram astutos e Tormenta soube que um guerreiro mortal fora contratado pouco depois de seu encontro. Viu que seguiu para o Norte, então estaria à frente dos heróis. Pediu para que tomassem cuidado e ficassem sempre atentos, pois sentia que um destino grandioso aguardava os jovens heróis, mas grandes perigos também.

E com o espírito renovado, os Lanças Prateadas seguiram para o norte, determinados a descobrir se o perigo de Necrópole estava de volta.

… mas Wallace estava com uma segunda missão em mente: Descobrir como trazer o bebê de volta à vida.

Primeira Temporada:

Primavera Sombria!

Agora, com todos os personagens criados, o mundo inicialmente definido, divindades e backgrounds, nós estávamos prontos para começar a jogar. Combinamos que cada rotação, o mestre tentaria fechar o arco em 5-8 sessões, e passaríamos para o próximo. O problema é que a primeira temporada do meu jogo (e dos outros também), eu anotava só superficialmente o que aconteceu na aventura, e não gravava as sessões ainda… Em 2013!!!

Então, vou tentar descrever os acontecimentos em poucos posts, mas prometo que a partir da segunda temporada, tudo melhora! 😉

Juntos no Leão Manco

A primavera chegou e os heróis se reuniram na taverna “Leão Manco”, como combinaram anteriormente. Trocaram experiências, novidades, risadas e piadas. Sentiam-se bem todos eles juntos novamente. Havia muito o que compartilhar e a taverna, que já estava cheia, ficou ainda mais animada com a comemoração dos Lanças Prateadas

Leão Manco em noite de festa
A lança de prata

Voros aproveitou a ocasião e presenteou seus amigos com um singelo pingente de prata que encomendou para cada um dos 7 amigos. Todos ficaram bastante tocados com a gentileza do jovem aprendiz de druida, geralmente tão reservado quando na sua ordem, mas que parecia ter encontrado um lugar especial de alegria perante jovens heróis como ele.

Claro que isso não impediu que entrasse em discussões acaloradas com Wallace e Toravin sobre a natureza, magia, deuses e a vida, para deleite de Xistus e Victor, enquanto Linda rolava os olhos para os céus, durante o embate interminável regado a cerveja, pernil e pão.

A noite transcorreu com alegria e diversão, e somente depois de bastante tempo os heróis notaram uma dupla destoando daquele ambiente festivo: Dois homens sombrios conversavam furtivamente em uma mesa em um dos poucos lugares vazios, próximo a um dos cantos ao lado da entrada da taverna. Prontamente Xistus reconheceu algo de suspeito e avisou seus companheiros para repararem na cena que se desenrolava.

A negociação na taverna

Foi quando um dos homens entregou um pergaminho para o outro, que tinha uma bolsa de moedas na mão. Foi nesse exato momento que ao invés de entregar as moedas, o homem deu um rápido golpe no pescoço do primeiro, que caiu no chão com a cabeça praticamente separada do seu corpo. Enquanto a taverna explodia em reação ao movimento, o misterioso comprador fugiu para as ruas carregando consigo o documento.

Os heróis seguiram o comprador e conseguiram interpelá-lo, mas ele não quis conversar e partiu para o combate. Por um momento, foram surpreendidos pelo fato de que o homem possuía longas garras no lugar das unhas e as usou para matar o contrabandista na taverna… Sob a luz da lua perceberam que estavam enfrentando a cria de um vampiro!

Mas com a liderança de Wallace e Linda derrotaram a criatura das sombras, que virou pó ao fim do combate. Sim, os heróis haviam encontrado uma cria de vampiro, 3 milênios depois da Guerra da Necrópole! Inspecionaram os pertences que ficaram para trás e encontraram moedas, o pergaminho e um diário.

O conteúdo do diário era aterrador… Contava que seu dono havia sido recrutado por vampiros descendentes dos senhores da Necrópole, que finalmente iram retornar para a cidade maldita e todos os servos dos novos Senhores Vampiros deveriam procurar os mapas restantes espalhados pelas cidades para guiar seu retorno.

E isso era o conteúdo do pergaminho: Um mapa que mostrava como chegar na Necrópole. Imediatamente concordaram que tinham que visitar o lugar, pois se os vampiros estavam se reunindo novamente, o mundo não estava pronto para outra guerra como aquelas. Polandis não era uma cidade muito grande e aventureiros dispostos a se arriscar rumo ao norte do continente eram tão pouco experientes quanto eles. No final, os Lanças de Prata seriam uma alternativa tão boa quanto possível. Sem maiores delongas, juntaram os suprimentos necessários e partiram em jornada naquele mesmo dia.

“Tormenta” na Estrada…
… Ou Quando Estranhos Se Ajudam

Os Lanças de Prata seguiram viagem e rapidamente deixaram Polandis para trás, seguindo pela estrada na planície que levava às terras do norte. Tiveram um primeiro dia tranquilo e sem grandes eventos, cruzando com uma ou outra caravana em direção aos mercados da cidade e fazendeiros levando ou trazendo mantimentos.

No segundo dia, enquanto ainda descansavam, um grupo de cavaleiros, com pesadas armaduras de diferentes tipos e fortemente armados passou por eles. Lançaram olhares hostis ao grupo e seguiram viagem. Durante uma das paradas para descansar os heróis conversaram sobre o estranho grupo, e concordaram em ficar alertas para possíveis reencontros. Voros resolveu seguir os cavaleiros, usou seus poderes de druida e transformou-se em um falcão. Seguiu os homens de armadura por algumas horas e viu quando eles abordaram um velho guerreiro sentado à beira da estrada. Pousou em uma árvore próxima e ouviu uma estranha conversa entre eles, os quatro chamavam o ancião de “Tormenta” e o chamava para dominar “Os macacos”. Quando o velho recusou, os cavaleiros foram embora com desprezo no olhar. Voros então retornou aos seus companheiros e os encontrou no cair da noite.

Tormenta, o velho na estrada

Ao final do terceiro dia, quando a tarde de primavera tornava-se ainda mais fria e com nuvens de chuva se aproximando mais rápido do que o esperado naquela época do ano, chamou atenção deles que o homem sentado na pedra na beira da estrada permanecia no mesmo lugar onde Voros o encontrara no dia anterior. Parecia ser um guerreiro veterano, seus cabelos e barbas completamente brancos. Usava uma armadura leve bastante surrada, apoiava-se em um bastão de madeira e olhava fixamente para o grupo de heróis. Algo chamava atenção de Wallace, mas não sabia o que ainda… (Espírito de porco como os jogadores eram, passaram e voltaram pelo velho umas quatro vezes antes de resolver parar pra conversar com ele, e só fizeram isso porque não acharam a trilha dos cavaleiros de armadura)

Logo que começaram a conversar, Wallace entendeu o que estava lhe intrigando: O velho guerreiro se apresentou como Tormenta, disse que era um dos servos de Thor, o deus do trovão. Wallace reconheceu o homem e após saudá-lo respeitosamente, explicou aos seus amigos de que no passado, contam as lendas que os deuses caminhavam entre os mortais na forma de poderosos avatares. E que estes avatares tinham a seu serviço espíritos que encarnaram em forma mortal, vindos dos domínios celestes onde os deuses habitam. Tormenta confirmou que sim, era um deles, e lutou na Guerra da Necrópole, 3.000 anos atrás, para defender os mortais ao lado de seu deus. Os Lanças de Prata ficaram boquiabertos de estarem encontrando um enviado de um deus pessoalmente… Mas porque eles?

Tormenta explicou que depois da guerra, os deuses desapareceram e não conseguia mais se comunicar com Thor no plano material. Foi quando caiu em um sono profundo. Há pouco tempo despertou, mas estava cansado e sozinho, e queria encontrar sua contraparte. Sua companheira eterna era Ingra, uma serva da Lady Sif, a deusa consorte do poderoso Thor. Ela também adormeceu por isso, pediu a ajuda dos heróis para buscá-la de modo a ficarem juntos novamente.

Ingra, serva de Sif

Mas Voros estava incomodado, pois sentia que algo faltava. Pediu a palavra e perguntou para Tormenta: “Porque nós? Porque você mesmo não foi atrás dela? E por último: Quem eram aqueles homens de armadura que lhe chamavam para dominar os macacos?” – Embora os companheiros de Voros tenham ficado surpresos na maneira direta do druida falar, Tormenta não aparentou contrariedade ou surpresa, e respondeu as perguntas do jovem meio-elfo.

“Os cavaleiros de armadura são servos, assim como eu, mas de avatares de diferentes divindades da guerra. Eles também despertaram recentemente, mas diferente de mim, o impulso que sentem é de guerrear e dominar. Ainda procuram outros como eu, e relíquias que aumentem seu poder para se libertar das regras que nos impedem de ferir mortais. Quando isso acontecer, temo pelo seu mundo. Quanto a eu não ter ido em busca de minha amada, é porque diferente de mim, ela adormeceu em um lugar sagrado, onde servos como eu também adormeceriam, e ficaríamos assim até o retorno dos deuses, além de acabar mostrando o caminho para outros que estivessem me seguindo. Não quis arriscar revelar a localização para possíveis mercenários a serviço dos espíritos da guerra. Esse inclusive é um dos motivos que me fez escolher vocês: Já ouvi falar de seus feitos, e sua reputação é de heróis promissores. Se conseguirem resgatar a minha Ingra, eu lhes direi onde está a minha relíquia que tanto interessa a eles. “

Indagado ainda sobre que regras seriam essas que os tais espíritos encarnados da guerra ansiavam quebrar, Tormenta explicou: “Para garantir que estaríamos aqui no plano terrestre para ajudar aos mortais ao invés de lutarmos entre si, ou nos espalharmos pelo mundo, todos nós que viemos para cá estamos sujeitos a três regras: “

  • Não podemos lutar entre nós;
  • Não podemos atacar os mortais, a menos que nos ataquem;
  • Não podemos nos aproximar das relíquias dos outros deuses, a menos que nos permitam.

“Esses mandamentos estão gravados em nossas essências, nada menos do que um grande poder divino poderia quebrá-los. E eu suspeito que é por isso que os Angorin – assim somos chamados pelos nossos mestres – estão buscando outros, para reunir nossas relíquias nesse propósito maligno. Não posso compactuar com isso, mas tenho que ter certeza de que quem vai guardar minha relíquia tem condições de protegê-la.”

Os servos dos deuses da guerra, os Angorin guerreiros

A sinceridade e honestidade de Tormenta impressionou a comitiva de amigos, e Linda não sentiu maldade alguma no coração daquele velho guerreiro. Sem precisar ponderar muito, decidiram que aquele poderia ser um começo de uma trama que ficaria bem sinistra, e resgatar Ingra não atrasaria muito a jornada para a Necrópole. Concordaram então em ajudar esse estranho, que talvez pudesse ajudá-los também. Afinal relíquias divinas tendem a ser poderosas ferramentas contra mortos-vivos. Pegaram a localização onde Ingra estaria, e rumaram para lá. Não sem antes ouvir um aviso de Tormenta para que tomassem cuidado, afinal era bem provável que o local tivesse um guardião protegendo o sono da serva de Sif…

Juntando os Heróis…

Depois da criação, a próxima tarefa era determinar como os heróis haviam se tornado um grupo, pois nessa roda as aventuras iriam começar com eles, embora no início de carreira, não sendo totalmente inexperientes e já com laços de amizade estabelecidos.

O chamado dos druidas

Voros recebe a missão de investigar o desaparecimento de Barnaktar

Na coração da Floresta Partida, vive um jovem dragão verde com um nome inusitado para sua raça, Barnaktar – “Jovem Guardião” na língua dos dragões. Talvez porque tenha crescido sozinho naquela região, talvez por alguma amizade com um dos druidas do círculo – Isso nunca ficou claro – Barnaktar sempre viveu em harmonia com a floresta. Por ser ainda jovem, não costumava se aventurar para longe desses domínios e vivia em uma caverna oculta no cânion principal que dava o nome da floresta. Diziam que as paredes de seu covil eram incrustadas com tantas jóias, que isso amenizou seu apetite por tesouros, tão famoso nos dragões. No final das contas, sua presença acabava por ajudar mais a proteger a floresta do que causar mal, fato que fez surgir ao longo dos anos uma certa cumplicidade, senão amizade entre o dragão e os druidas da floresta.

Porém, já havia algumas semanas que o dragão não era visto em lugar algum da floresta, e até mesmo seu covil dava sinais de abandono. Os druidas resolveram se dividir e procurar por Barnaktar, pois qualquer coisa que fosse capaz de fazer um dragão desaparecer sem deixar vestígios merece ser investigada. Enquanto procuravam na floresta, Illandra, uma jovem ambiciosa que rivalizava com Voros na ordem viu a oportunidade de tirar vantagem da situação. Levou ao conhecimento do conselho a amizade do jovem meio-elfo com os humanos de Polandis, e sugeriu que fosse ele o representante da ordem a buscar informação sobre o dragão entre os aventureiros da cidade. Assim, afastaria qualquer chance do seu jovem rival de conseguir obter êxito encontrando o dragão na floresta.

O conselho acatou a ideia da jovem druida, e lá foi Voros muito a contragosto para a cidade…

Nos mercados de Polandis

Os mercados de Polandis

A caminho da cidade Voros encontra Keifan, seu velho amigo, que estava retornando para Polandis para vender algumas peles de animais que caçou ao longo do inverno, e que nem fazia ideia da existência de Barnaktar, quanto mais de seu desaparecimento. Juntos, mal chegam na cidade e se dirigem para os mercados, onde tomando cerveja e ouvindo música estavam Wallace, Xistus e Toravin. Keifan faz as apresentações, e sem revelar exatamente o motivo, explica que Voros está visitando a cidade a mando dos druidas da Floresta Partida.

Sempre bem informado, Xistus tinha uma pista: Em uma taverna na cidade, a “Leão Manco”, várias vezes nas últimas semanas homens sinistros e discretos tentaram contratar jovens guerreiros fortes para uma tarefa na Floresta Partida, mas lhe chamou atenção de que o mais forte de todos rejeitou a oferta. Seu nome era Victor “Mão de Ferro”. Conhecido dessa forma por sua força descomunal, capaz de nocautear adversários com apenas um soco nos torneios de verão. Keifan já o conhecia também, e resolveram juntos ir ao encontro do guerreiro, por uma pista que levasse aos homens misteriosos.

Victor havia sido emboscado por um grupo grande de bandidos e embora já tivesse derrubado alguns, a ajuda dos heróis foi necessária para garantir a vitória. Voros notou que apesar de carregar consigo uma espada bastarda impressionante, Victor derrubou seus adversários usando uma espada longa comum, sem desembainhar aquela que parecia ser a sua melhor arma. Bastante peculiar.

Revistando os bandidos, encontraram uma ordem escrita para eliminar o guerreiro que havia se recusado a servi-los, não deixando pontas soltas. E em seguida para encontrarem-se com o “outro grupo” na entrada da Cripta da Rocha, no cemitério abandonado da colina ao sul de Polandis. E terminava o bilhete com um selo. Nenhum dos heróis reconheceu o símbolo, embora Wallace o achasse familiar. Sugeriu procurarem Linda, a guerreira sagrada de Kallas, que estaria no templo naquele dia. Ela era bastante estudiosa e conhecedora de heráldica.

Xistus, sorridente, foi o primeiro a concordar.

Do Templo do Sol para a Cripta Sombria

A entrada da Cripta da Rocha, no cemitério abandonado de Polandis

Os heróis se reuniram com a guerreira sagrada no templo de Kallas, que após uma consulta a algumas anotações que fizera nos estudos de heráldica, identificou o símbolo como de um obscuro culto a Loki, para espanto de todos. Procuraram orientação de Tordek, muito conhecedor de cultos e religiões extintas. O frei disse que este culto era muito forte na época das Guerras Esquecidas, principalmente nas terras do norte, foi responsável por muito caos e confusão naquela época, mas acredita-se que em algum momento foi dizimado pelos desmortos da Necrópole.

Os restos mortais dos últimos alto-seguidores deste culto, manifestações no plano material de entidades que servem às divindades, estariam sepultados em uma imensa cripta, escavada na rocha das colinas que circundavam o primeiro cemitério de Polandis, a cerca de um dia de viagem da cidade, e fora abandonado há quase 2000 anos, segundo as lendas por ser mal-assombrada e morada de fantasmas.

Como era de se esperar, resolveram se aventurar e acompanhar Voros, pois o mistério do desaparecimento de Barnaktar, os mercenários contratados na taverna e um culto desaparecido há três milênios formavam um chamado irresistível para jovens ávidos para provar seu valor e ajudar as pessoas. Logo, os sete formaram laços de amizade, e chegaram sem maiores problemas na entrada da Cripta, apenas um bando de goblins tentou atacá-los por seus pertences, erro fatal que fora o último desse bando.

Chegando na Cripta da Rocha, Keifan descobriu que houve grande movimentação em direção à Cripta, e Xistus identificou mecanismos de alarmes e armadilhas para avisar quando os portais fossem abertos. Desarmou os mecanismos e o grupo de heróis adentrou a Cripta, começando sua jornada pelas sombras.

Em seu caminho, encontraram sentinelas e criaturas não naturais, as quais foram vencendo cada vez mais sabendo usar seus dons em grupo. Chamou a atenção dos heróis, que quanto mais investigavam a cripta ancestral, mais percebiam que houve um esforço considerável para proteger o seu interior. Resquícios de materiais usados em rituais mágicos foram encontrados por Toravin, e Wallace podia sentir uma estranha energia permeando o lugar. Venceram os últimos sentinelas, e chegaram a uma grande câmara escavada no interior da montanha, adornada com restos mortais e inscrições profanas.

… No centro da câmara, encontraram o que buscavam.

O destino de Barnaktar e os Artefatos de Loki

Barnaktar capturado

Interrogando os últimos sentinelas que encontraram, descobriram que o culto havia ressurgido a alguns anos, e tramavam invocar um dos avatares do deus da trapaça. Passaram os últimos tempos juntando e recuperando artefatos mágicos que pudessem auxiliar nessa tarefa, e estavam prestes a terminar o último: Uma Orbe do Dragão.

Para isso, contrataram mercenários para juntar-se a eles, e somente com a ajuda dos artefatos, conseguiram capturar o jovem Barnaktar. Nesse momento, estavam fazendo o ritual de criação do artefato. Toravin foi o único a perceber a gravidade da situação e apressou o grupo, explicando para todos que na criação da Orbe um dragão era sacrificado, e sua alma aprisionada no artefato. Isso fez a todos se apressarem, e Voros ficou profundamente preocupado, pois tinha esperança de encontrar o dragão vivo ainda.

Infelizmente, os heróis chegaram ao término do ritual e Barnaktar já estava morto. Uma orbe do tamanho de um melão, feita de um cristal verde escuro, pulsava com energia como se tivesse vida própria. Os cultistas, surpreendidos, mas confiantes com o poder que detinham, atacaram os aventureiros assim que adentraram na câmara. Isso foi um grande erro.

A esta altura, os heróis já estavam coordenados, e lutavam com uma determinação férrea e precisão avassaladora. Particularmente Victor se destacou nesse momento, pois sacou sua magnífica espada bastarda, que na mão dele infligiu perdas devastadoras nos ranques cultistas, e junto com a saraivada de flechas de Keifan, Victor e Linda eram a própria vindicação divina encarnadas: intransponíveis e imparáveis.

Quando a batalha parou, queimaram os corpos e deram um funeral digno para o único dragão que já tinham visto, segundo os preceitos da ordem dos druidas: Com muito esforço levaram seu corpo para superfície, e uma vez distantes da Cripta da Rocha, Voros fez um ritual para que a terra o cobrisse, e uma semente de carvalho foi colocada junto ao seu corpo para que o ciclo se reiniciasse. Juntaram todos os artefatos do culto e os levaram para o conselho dos druidas.

No conselho, constataram que o espírito de Barnaktar estava adormecido na Orbe, e agora um artefato de grande poder, não poderia ser destruído facilmente, e enquanto não tivessem uma ideia de como desfazê-lo, não o queriam simplesmente guardado na Floresta Partida, para não atrair interessados em artefatos. Decidiram que Voros provou o seu valor na jornada, e deveria ser o guardião da Orbe, pelo menos por enquanto.

O conselho não tinha interesse nos artefatos recuperados do culto, e achou que seriam de mais utilidade se ficassem com os heróis que os obtiveram, até mesmo para ajudar Voros na sua tarefa de guardião da Orbe.


Victor ficou com um grande escudo de metal, usado por um dos mercenários derrotados, que ao pronunciar uma palavra mágica poderia desfazer qualquer coisa em que tocasse. Tal habilidade poderia ser usada uma vez por dia.

Toravin identificou um baralho de tarô mágico, que o simples ato de puxar cartas poderia liberar magias imprevisíveis. Certamente um aspecto caótico do deus da trapaça. Achou que este baralho estaria mais seguro nas mãos de alguém disciplinado para nunca cair em tentação de usá-lo. Linda se ofereceu para ser sua guardiã, e todos concordaram.

Mas o jovem elfo ficou curioso com uma varinha encantada como nunca vira antes. magias de todos os tipos emanavam dela. Se conseguisse estudá-la, avançaria anos em suas pesquisas arcanas! Como era o único que tinha capacidade para tal, ficou para si a responsabilidade de portar este estranho artefato. Com um cuidado redobrado, ao acidentalmente invocar um relâmpago na clareira dos druidas.

A garrafa do Efreeti

Uma garrafa ricamente ornamentada, que foi prontamente identificada por Wallace, que desde o começo da jornada intensificou os estudos sobre o culto a Loki: Diz a lenda que dentro dela havia um Efreeti, um gênio do plano do fogo, preso há milênios pelo deus da trapaça para forjar um anel mágico. O gênio tentou enganar o enganador, e acabou preso dentro dessa garrafa, que até então, nunca fora aberta. Keifan prometeu a todos que assim continuaria, enquanto ele fosse seu guardião. Os amigos confiaram nele, e a entregaram para o jovem rastreador.

O Anel dos desejos criado pelo gênio aprisionado estava intacto entre os artefatos mágicos. A mesma lenda da garrafa do Efreeti dizia que o gênio criou o anel para conceder 3 desejos. Cada um representado por um diamante mágico em sua face. Ao fazer o desejo, o diamante desapareceria. O gênio permeou o anel com seu rancor, de modo que qualquer desejo feito seria cumprido da forma mais inconveniente possível para o seu portador. A “traquinagem” não passou despercebida, e a liberdade do Efreeti foi o preço para tal. Wallace se ofereceu para carregar o anel, tendo em vista que era o melhor conhecedor da lenda, e o restante do grupo concordou.

Chegaram no derradeiro item, uma relíquia perdida há muitas eras, que ninguém fazia ideia de como o culto conseguiu recuperá-la. A famigerada “Caixa do Ragnarok”. Diz-se a lenda, que Corbus, o deus da noite, amaldiçoou uma fera que devorou sua coruja favorita com uma fome insaciável e eterna. A criatura estaria presa em uma caixa mágica, invisível para todas as formas de detecção, exceto para o olho nu. Uma vez solta, ela começaria pequena como um gafanhoto, e mataria aquele mais próximo a ela. Então, passaria para o próximo, e próximo… Enquanto tiver alguém a 20 metros da vítima anterior, ela continua matando… e crescendo de tamanho, até chegar ao tamanho do Destruidor de Civilizações. O fim de tudo. Xistus prometeu guardar e ocultar a caixa além de qualquer alcance, se perguntando se o deus da noite queria castigar a criatura, ou o mundo inteiro…

Quando o fim é na verdade, um novo começo…

O conselho dos druidas se encerrou, e os heróis, agora não mais iniciantes, se despediam por hora, cada um com seus afazeres. Os perigos que correram juntos forjaram um elo que não mais seria quebrado. Em um dos seus raros momentos de descontração, Voros sugeriu que adotassem para si um nome, que lembrasse de onde vieram e quando se uniram. Olhando as árvores próximas, majestosos pinheiros comuns na região e que em breve estariam brancos com a neve do inverno que se aproxima, sugeriu o nome de “Lanças de Prata”, que era como os belos pinheiros eram conhecidos por ali no inverno. O nome agradou a todos, e partiram para seus afazeres. Não sem antes prometerem se encontrar novamente, todos juntos, na taverna “Leão Manco” no início da primavera, para contar histórias e desfrutar de boa companhia.

E assim, o passado dos heróis foi contado, os Lanças de Prata se formaram, e as aventuras que mudariam Alderon para sempre estavam prestes a começar…

Os Lanças Prateadas!

Depois de um tempinho fora por problemas técnicos, voltamos à nossa programação normal… Agora que já definimos o básico do mundo de Alderon e sua mitologia, já podíamos começar a desenhar o grupo de heróis que iriam desbravar os mistérios das Crônicas das Guerras Esquecidas:

Heróis da primeira temporada:

 

Victor Ironhand

Victor

Apesar da pouca idade, o jovem guerreiro humano já é bastante conhecido na região pela sua habilidade e coragem.  Especialista em diversas armas e formas de combate, sempre está pronto para defender os mais fracos, que comparando com ele, é a grande maioria das pessoas.

Conhecido por seu grande coração e temperamento impulsivo, tem fama de jamais recuar e não tem medo de entrar em combates, embora raramente use sua herança de família, a espada bastarda demoníaca que havia sido confiada a seus antepassados. Indestrutível e com lâmina afiada como nenhuma outra, diz a lenda que consequências terríveis aconteceriam se fosse para o combate e  não desse pelo menos um golpe fatal. A ironia de usar um item maligno para fazer o bem sempre divertiu o grande guerreiro.


Voros Weatherson

Voros

O “Filho da Tempestade”, era assim que o jovem druida meio elfo era conhecido. Sempre discreto e  reservado, morava com sua mãe na floresta partida, e apesar de não se incomodar com o apelido, não falava muito sobre sua origem.  Sua mãe, uma bela elfa que o criava sozinho na floresta, costumava dizer que o rapaz havia sido concebido em uma forte tempestade de verão, embora nunca tivesse revelado quem era seu pai.  Sereno e ponderado, era frequentemente chamado da voz da razão pelos seus companheiros.

O jovem fazia parte do círculo de druidas da floresta partida e apesar da pouca idade em comparação com seus pares, foi confiado ao jovem meio-elfo um verdadeiro tesouro: Uma orbe das tempestades, que ele sempre carregava consigo, apesar de não usá-la, por receio do que poderia fazer o grande poder desse artefato.


Wallace Lightbringer

Criado no orfanato da ordem de Kallas em Polandis, no reino de Tarpas, o menino Wallace cresceu muito apegado à sua fé, e como era de se esperar, se identificou com a vida simples e desprendida dos sacerdotes. Sentiu o chamado divino e se tornou um dos iniciados mais novos na ordem do deus do sol, aos cuidados do frei Tordek e do Alto Sacerdote Targos. 

Está sempre disposto a ajudar o próximo sem esperar recompensa, e desde cedo acompanha os aventureiros da região em torno de Polandis. Em sua primeira missão, ao ajudar um famoso mercador da região, ganhou uma cota de malha encantada, tão fina quanto seda, e que lhe permitia alçar pequenos vôos, com asas místicas que podiam ser invocadas três vezes ao dia (sim, estou falando de uma Armadura Celestial!). 


Linda Fairheart

Linda também foi criada no orfanato da ordem de Kallas, daí vem a sua longa amizade com  Wallace Lightbringer. Inseparáveis desde a infância, trilharam o caminho do chamado divino de formas distintas. Conhecida pela, grande compaixão e coragem, é uma guerreira talentosa e determinada.

Assim que foi sagrada cavaleira, ganhou do próprio Alto Sacerdote uma relíquia de posse dos clérigos do templo de Kallas em Polandis: Kallapraen –
“Presença de Kallas” – uma espada bastarda mágica com o poder do próprio sol, forjada ainda na época da Grande Cruzada contra os desmortos, que sempre fora empunhada por um campeão do deus-sol. Tão raros são esses campeões, que fazia 200 anos que ela estava aguardando no templo alguém digno de empunhá-la. 


Keifan, o Rastreador

 Um dos jovens rastreadores mais promissores da região, Keifan é tão habilidoso com o arco que várias vezes perguntaram-lhe se possuía sangue élfico. Esta pergunta sempre arrancava boas risadas do rapaz, que se orgulhava de tal prestígio, muito alto para um humano. 

De temperamento explosivo, várias vezes se meteu em confusões por querer ajudar os outros mas a forma precipitada de agir às vezes atrapalhava  mais do que ajudava. Leal e generoso, sempre pronto para colocar suas cimitarras mágicas, conseguidas na sua primeira caçada contra invasores orcs, em defesa da bondade e justiça.  Inquieto, passa pouco tempo parado no mesmo lugar, e alterna com constância entre a cidade e as florestas, sempre buscando a companhia de amigos. 


Xistus  

Xistus é o sujeito que todos gostam, mas poucos podem contar. O rapaz tem um coração gentil, mente afiada, mas muito distraído. Talvez por conta de sua extensa rede de amizades, talvez por uma habilidade singular de passar despercebido por qualquer lugar, o fato é que Xistus, bem quisto por todos, não cria raízes em lugar algum por muito tempo. Apesar disso, passa muito tempo junto de Keifan, Wallace e Toravin, o quarteto é visto com alguma frequência na taverna Leão Manco, palco das reuniões dos jovens aventureiros, prestes a partir em missões arriscadas, e muitas vezes, gloriosas. 

De fala mansa e olhar determinado, Xistus costuma agir nas sombras para defender seus amigos e o povo de Polandis, demonstrando que por trás da aparência desinteressada, bate um valoroso coração bom. Muito inteligente, Talvez seja o único do grupo que rivalize com Toravin, e apesar da pouca idade, tem muito conhecimento nas mais diversas áreas, tornando-o um companheiro essencial para lidar com as diferentes dificuldades das aventuras dos nossos heróis. 


Toravin 

O jovem, pelo menos para os padrões élficos, mago Toravin já era conhecido em Polandis quando os seus companheiros humanos ainda eram bebês. 

Inteligente, gentil e inventivo, fazia parte de uma das poucas famílias élficas da região, tendo seu clã um parentesco remoto com a mãe de Voros, fato que o fez sempre olhar seu amigo druida como se fosse um irmão mais novo. 

Sempre tirando livros e papéis do seu embornal mágico, onde parecia que havia lugar para tudo, traz consigo sempre boas idéias e conhecimento obscuro que o raríssimo – entre elfos –  dom da curiosidade aguçada lhe deu.  


Thoran

O último a se unir ao grupo dos lanças-prateadas – pelo menos, nesse primeiro ano –  por um acaso do destino, o bárbaro Thoran. Apesar do exterior taciturno, não é difícil encontrá-lo nas tavernas buscando uma boa música, boa bebida e mulheres desinibidas.

Alterna comportamentos heróicos com um hedonismo feroz, nenhum dos seus companheiros consegue entender a mente rebelde do jovem bárbaro.  

Oriundo de uma das tribos além das montanhas ao norte, sua presença é sempre encarada com desconfiança, herança das Guerras Esquecidas, pois desde os tempos da Necrópole, apenas aqueles que fogem de alguma coisa ou aqueles que renegam a civilização vivem naquelas terras inóspitas.

 Às vezes, por não se adaptar totalmente aos costumes das cidades, é  complicado de se lidar,  mas habilidoso no combate e experiente caçador, provou ser um aliado valoroso diversas vezes, exceto para Voros, que nunca confiou totalmente nesse bárbaro.

Alderon… O prelúdio!

Bem, no início do nosso grupo já tínhamos definido uma ordem, o sistema escolhido, jogadores, mestre, lugar… Faltando uma semana pra começarmos, nossa roda já tinha tudo pronto… menos uma ambientação! Como assim?

… Bem, eu tenho um mundo criado desde 1993 onde já criei umas cinco campanhas diferentes em meia dúzia de continentes, tudo com muita história, muito detalhe, e alguns jogadores não estavam familiarizados com isso. Então, resolvi criar um cenário novo, tão novo que nem nome tinha (O Ximu que sugeriu Alderon, quase um ano depois!),  e começar a aventura de uma forma bem local, e à medida que os heróis fossem explorando, mais iriam saber do mundo, de uma forma que tudo fosse uma novidade tanto para jogadores, quanto para seus personagens. Seria divertido!

Então, por onde começar…  Eu gosto de estruturar o mundo de “cima pra baixo”, vou primeiro criando os grandes fatos, e estes vão me ajudando a definir os menores em sequência, até eu já ter um “esqueleto” básico do mundo onde meus jogadores estão. Assim foi como comecei…

Criando Alderon

dims

O jogo seria no continente de Alderon, uma larga massa de terra, com o tamanho aproximado da América do Norte. Cercado de ilhas menores, e com uma massa gelada no extremo norte. Nossos heróis estariam no noroeste do continente (Até então não tinha nem nome, imagina mapa! Publico isso nos próximos posts).

A civilização nunca havia se recuperado de uma guerra devastadora que aniquilou 90% de todos os reinos do continente 3000 anos atrás. Dizem que antes dessas guerras, os deuses viviam entre os mortais, e as civilizações floresceram e conviviam em paz. Reinos élficos, anões, humanos, entre tantas outras raças fantásticas compartilhavam o vasto continente. Exceto uma cidade isolada ao norte. A Necrópole.

A Necrópole, segundo as lendas, era uma cidade subterrânea, onde viviam vampiros tão velhos quanto os primeiros reinos. Poderosos, ardilosos e sedentos por poder ainda mais do que por sangue, eles arquitetaram um plano: Usariam seus poderes para capturar um deus e beber seu sangue, a imortalidade não era nada, queriam provar do poder que corria na veias divinas. Tal plano parece loucura, mas fazendo um paralelo com outro sistema, esses vampiros seriam como Antediluvianos do Mundo das Trevas, mas ainda mais poderosos.

Conseguiram consumir o sangue de um deus menor, e sentiram o gostinho do poder. E sua ambição despertou. Se conseguissem repetir o processo com outros deuses, poderiam ascender à condição divina, e se livrar para sempre das amarras mortais. Seriam indestrutíveis, e não dependeriam mais de beber vastas quantidades de sangue para sobreviver. A Necrópole marchou para a guerra.

Essa guerra durou séculos e se estendeu por todo continente. Os deuses interviram diretamente, e junto com seus servos, mortais e imortais, campeões e comuns, lutaram lado a lado contra as hordas da Necrópole.

Por fim, todos os vampiros foram vencidos e destruídos, mas todos os reinos foram afetados, e cerca de 9 em cada 10 mortais pereceram nessa guerra. Para sobreviver na terra desolada que o continente se tornou, os sobreviventes se juntaram e novos reinos surgiram. Misturados, heterogêneos e sem a identidade nacional comum dos jogos de fantasia. Não havia mais “O reino dos elfos”, “o reino dos anões”.  Haviam um punhado de reinos, muitas cidades-estado independentes e uma extensão imensa de terra selvagem e cheia de perigos para se aventurar.

Três mil anos curaram a maior parte da terra, a xenofobia clássica entre raças foi trocada por desconfiança de estranhos, um pouco de isolacionismo e tendências a aventuras locais. O Todo foi sendo esquecido em prol da sobrevivência das partes.

Essa integração, mistura dos povos sobreviventes me levou ao segundo passo, quando fui criando…

O Panteão

Olimpian Gods

Tenho um panteão bem definido ao longo de mais de 25 anos de RPG, que está presente em várias das minhas ambientações, funcionando como alguns dos deuses do AD&D, que se repetem em mundos diferentes, mas alguns dos jogadores não conheciam meus deuses,  então eu deixei em aberto escolherem quem quisessem, que “tinha espaço pra todo mundo”,  dado os eventos que criaram a civilização em que viviam.

A origem do mundo foi perdida na grande guerra há cerca de três mil anos no passado. Segundo os sacerdotes quando os deuses viviam entre seus fiéis, cuidando do mundo que criaram, contavam com ajuda de poderosos espíritos que encarnaram assim como seus senhores em formas humanas. Era uma era dourada de paz e harmonia. Mas quando as hordas da Necrópole queimaram inúmeros reinos até as cinzas, quase todo conhecimento foi perdido.

Após a guerra, os deuses triunfaram, mas deixaram o mundo e voltaram para as estrelas. Alguns dizem que foi por medo de outro levante, outros por entender que sua mera presença entre os mortais influenciava-os mais do que imaginavam, tanto para o bem quanto para o mal. Outros ainda dizem que se assustaram quando um dos seus caiu nessa guerra contra aqueles que julgavam reles mortais. Qualquer que seja o motivo, eles partiram e fizeram um pacto de nunca mais influenciar diretamente o mundo material. O controle do destino dos mortais era dos próprios.

Começaram o jogo na cidade de Polandis, nesta região, os deuses mais cultuados eram o deus do sol, a da natureza, a deusa protetora das família e a deusa da fertilidade e agricultura, Kallas, Adriel, Lael e Kashma, a “Família Divina”,  todos do meu panteão. Mas não seriam incomuns deuses nórdicos (como Odin), dos elfos e outros humanoides. Tudo meio misturado, como consequência do processo que criou aquele mundo, e os jogadores ficaram a vontade de escolher suas divindades, ou nenhuma até, se quisessem.

A maioria dos malfeitores e patifes cultuavam Loki (sim, ele mesmo), Set ou Corbus (esse é do meu panteão), divindades associadas desde a traquinagens até assassinatos e torturas das mais cruéis. Ser reconhecido como devoto de um desses seria um estigma pesado, e quase certamente pedir para que autoridades e justiceiros fossem ao seu encalço ao menor sinal de problemas.

Também haviam muitos, muitos outros deuses, mas os aventureiros iriam descobrir mais a respeito do mundo à medida que explorassem a região. A modesta cidade de Polandis não tinha uma população grande o suficiente para abrigar uma quantidade elevada de templos para muitos deuses. Tanto que na cidade o maior templo era para “a Família Divina”, aos cuidados do Alto Sacerdote Targos e do Frei Torpek, e era onde os adoradores dos 4 deuses mais populares conviviam e oravam em harmonia, embora pequenos oratórios para os outros deuses fossem comuns na cidade.

Em volta da cidade haviam montanhas e florestas, onde havia um culto de druidas, que prezavam a vida isolada e tranquila da Floresta Partida (tinha esse nome porque uma enorme fenda cortava léguas de floresta, sem ninguém saber como ela surgiu). Tinha uma estrada que cortava o vale entre as montanhas, que levava ao pequeno Reino de Tarpas, de onde vinha a maioria do comércio da região.

Era uma cidade do interior, mas que tinha algum movimento de viajantes. Florestas, montanhas e místicos por perto. Com possibilidades de personagens de todos os tipos e origens básicas de fantasia…

…E assim, o cenário básico estava armado, o próximo passo… Os personagens!!! 😉

lancadeprata