Primeira Temporada – Sessão Final

Anões, Gigantes & Vampiros

Motivados pela proximidade do fim da jornada, os Lanças Prateadas preparam-se para o maior desafio das suas vidas: Invadir a famigerada Necrópole em uma sessão que tem de tudo um pouco: Descobertas, tesouros, combates, revelações e mistérios…

Alarme, que Alarme?

Após uma breve pausa, os heróis continuaram sua avançando até encontrar a entrada da antiga cidade de anões, agora em ruínas. Com um pequeno lago à sua frente e a neve cobrindo toda a região, era difícil acreditar que a área estava tomada por um dragão branco e seus lacaios. Nem mesmo pegadas ou vestígios estavam à mostra, fato que impressionou bastante Keifan.

Externamente, pareciam ruínas de uma fortificação outrora majestosa, com um grande portal de entrada, agora sem nenhuma barreira, pois o que sobrou dos portões foi desfeito pela passagem do tempo, das intempéries do clima e ação de pilhagem dos muitos que habitaram essas ruínas desde sua queda, tantos anos atrás.

Movendo-se o mais furtivamente possível, os heróis adentram o grande Hall de pedra, e surpreendem-se com o que veem: A passagem vai aumentando de tamanho conforme se alonga pra dentro da montanha até chegar a um grande salão, onde podiam ver mais ruínas de construções imensas. Grandes colunas, estátuas e residências esculpidas na pedra bruta com tamanha habilidade e beleza que nem mesmo a passagem do tempo diminuiu a sua beleza. Embora bastante danificadas pelas batalhas travadas em seus domínios, as estruturas da cidade ainda assim continuavam majestosas e imponentes, arrebatando suspiros de admiração dos Lanças de Prata.

Conseguiram evitar duas patrulhas de gigantes de gelo, estes sem seus imensos lobos invernais para sorte dos heróis e se esgueiraram para o que parecia ser algum tipo de depósito utilizado no passado e agora permanecia vazio. Lá sentaram, descansaram e se alimentaram, antes de decidir continuar a exploração.

Toravin, curioso como sempre, se ofereceu para dar uma olhada em volta. Keifan ainda argumentou que ele seria o mais furtivo do grupo após Xistus, mas Toravin disse que usando de magia, ficaria invisível e poderia andar com mais segurança. Resolveram arriscar e o jovem elfo mago foi se aventurando para dentro das ruínas daquela que outrora foi uma grande cidade de anões naquele Norte gelado. Com cautela, não teve dificuldades para evitar os poucos gigantes que perambulavam pelas ruínas. Não sabia se eles estavam evitando a região próxima à cidadela por saber que seus senhores desmortos estavam retornando ou por medo do jovem dragão que havia tomado para si aquele território. Seja por qual motivo fosse, Toravin estava grato pela facilidade em se deslocar.

Chegou a uma pequena construção que parecia ter sido erguida há pouco tempo feita inteiramente de gelo. Pelas dimensões da entrada, obviamente era obra dos gigantes. Toravin entrou furtivamente observando seu interior quase vazio: Em um dos cantos havia um anão dormindo, preso a correntes. No centro da estrutura havia um pedestal com uma bola de cristal repousando em um almofada no centro, com diversas inscrições feitas em volta do pedestal e no próprio pedestal. Toravin era um estudioso de itens mágicos e já havia visto algumas raras bolas de cristal, muito valiosas para magos de alto poder, que dizem que são capazes de ver e achar lugares e pessoas com tal artefato, mas nunca tinha visto uma tão bela e cristalina como esta que repousava no pedestal.

Toravin e a bola de cristal encontrada

Não conseguiu se conter e resolveu levar esse tesouro. Decidiu que pegaria antes de tentar salvar o anão cativo, que provavelmente serviria de comida para os gigantes. Usando de suas magias, viu que uma aura poderosa emanava do bola, mas também auras mais fracas do pedestal e das runas no chão. Riu aliviado pelos saqueadores da cidade terem pouco domínio de magia e com confiança desfez as magias e do chão e do pedestal, se aproximou da bola de cristal e a pegou com segurança.

Foi nesse momento que um alarme disparou! Um toque alto como de vinte trombetas ecoava, emanando da própria bola de cristal! A poderosa aura mágica da bola ocultou a tênue aura mágica da magia de alarme, e agora ele tinha que se apressar!

O barulho acordou o anão que imediatamente se levantou assustado, mas que reagiu rapidamente ao compreender a situação. Toravin usou um encanto simples de abertura de mecanismos e abriu o cadeado que prendia o anão, que agradeceu com um aceno de cabeça e disse numa língua comum carregada de sotaque:

“Obrigado meu jovem! Deixe-me retribuir, siga-me depressa e o levarei para segurança!”

“Sim mestre anão! Mas precisamos encontrar meus amigos naquela direção!” – Respondeu Toravin, já apontando para a entrada da cidade, onde seus companheiros estavam naquela grande casa de gelo ainda.

O anão então tirou de dentro de sua veste um pequeno símbolo de martelo, pendurado em seu pescoço, entoou uma prece e de repente o som do alarme parou. Era um sacerdote de Moradin, o deus maior dos anões, que estava ali! Que sorte! Enquanto Toravin respirou aliviado, o anão deu um sorriso e falou:

“Me chame de Irmão Drognir rapaz e me acompanhe! Temos poucos momentos de vantagem, até eles chegarem aqui e virem que a bola de cristal sumiu! Mas temos tempo de buscar seus amigos, apenas teremos que correr!

E juntos correram de volta para a grande casa de gelo.

O Avatar Morto

Com o máximo possível de furtividade e aproveitando as habilidades mágicas de Toravin, os Lanças Prateadas adentraram nas ruínas da cidade, seguindo as orientações de Drognir. Enquanto andavam, Drognir se apresentou com mais calma. Ele vinha de Szecsa junto de seu clã, que fazia parte dos que fugiram da queda dessa cidade – Brandur – durante as Guerras Esquecidas, milhares de anos atrás.

O Anão, jovem para os padrões de seu povo, era um sacerdote de Moradin recém ordenado e na sua primeira noite como clérigo, teve um sonho com uma poderosa voz vindo da montanha ao norte chamando por ele e dizendo que o “O fogo liberta!!”. Mesmo sem entender exatamente o que tinha que significava, sentia que a vontade Moradin o direcionava de volta à antiga Badur. Juntou um grupo de voluntários do seu clã – Battonar – e partiu para a montanha, mas a inexperiência em aventuras fez com que fossem capturados antes mesmo de entrar nas ruínas.

Agora, conseguiram evitar as poucas patrulhas que ainda estavam alertas por causa do alarme de mais cedo e além do mais, uma consequência afortunada foi que os gigantes deixaram os anões prisioneiros sozinhos. Os heróis rapidamente soltaram a todos, e Drognir os guiou até uma grande parede de pedra que tinha o que seriam pedaços de um mosaico colorido em homenagem ao panteão dos Anões nos dias de glória daquela cidade.

Fazendo jus à habilidade de sua raça em túneis e minas, Drognir achou uma passagem secreta na parede sob os restos do mosaico. Rapidamente todos entraram e seguiram um túnel estreito, que terminava em um grande salão de pedra que tinha um imenso túmulo de pedra cuja esquife era um majestoso anão em armadura de combate, mas tinha o dobro de tamanho de um humano adulto!

O túmulo misterioso

Todos estavam chocados com a descoberta, mas ninguém tinha coragem de dizer nada, até que Drognir quebrou o silêncio:

“Moradin, meu senhor!” – suspirou o jovem sacerdote.

Respeitosamente, ele se aproximou, mas quando estava quase tocando no grande túmulo, Toravin o puxa pelo braço e avisa:

“Cuidado meu amigo, há uma magia profana emanando deste túmulo!”

Com muito cuidado e com a orientação dos utilizadores de magia presentes, Victor, Thoran e os anões ergueram a tampa do túmulo e viram o que seria um poderoso anão em armadura de combate, carregando um grande machado, mas que era de um tamanho muito maior do que um humano normal. Wallace disse que deveriam estar na presença de um corpo de um Avatar talvez do próprio Moradin. Fez uma prece silenciosa para Kallas, e se perguntou porque o corpo ainda estava ali. Avatares ao morrer se desfazem das suas formas materiais e retornam para o plano de existência da divindade. Por que este Avatar não retornou para Moradin?

Então perceberam que haviam runas e magias aplicadas no corpo, que estava com a garganta cortada. O sangue divino foi usado para algum propósito profano, sem dúvida, e usaram de magias profanas para impedir o real descanso do Avatar. O horror na face dos Lanças Prateadas só era menor que o presente nos rostos dos anões!

Depois de conversarem bastante sobre o que fazer (não se ouvia falar de avatares desde as guerras esquecidas e provavelmente este era desta época), Voros consegue convencer a todos que deveriam usar de fogo para queimar o Avatar. Assim o fazem e o fogo destrói as runas, quebrando as magias que aprisionavam a essência do Avatar. O corpo finalmente se desfaz, e os aventureiros respiram um pouco aliviados.

Então, na frente deles aparece uma imagem majestosa, que eles reconhecem com as feições presentes no esquife. Com uma voz poderosa mas reconfortante, ele se dirigiu a Voros (que foi quem teve a ideia de libertá-lo pelo fogo):

“Muito obrigado meu amigo! Sua ideia permitiu que eu me libertasse, e agora vou poder retornar à plenitude do meu ser! As energias desse Avatar estão se esvaindo, contudo posso lhe dar uma benção poderosa, ou dividi-la para todos vocês!”

“Muito obrigado senhor, mas não quero nada somente para mim! Ficarei alegre em dividir sua benção com todos.”

“Que assim seja!”

Bônus: Nesse momento o Avatar deu para todos os jogadores +2 para aumentar em qualquer atributo que desejassem. Foi o primeiro “boost” de atributos livres que os Lanças receberam!

Antes de partir, o Avatar de Moradin compartilhou com seus salvadores de que Brandur foi a primeira cidade a cair, pois os vampiros da necrópole o atacaram de surpresa através de um espelho mágico que estava na sala de tesouros e assim conseguiram surpreendê-lo e derrotá-lo. Seu sangue foi utilizado para rituais e os desmortos quase conseguiram seu objetivo. Foi ali o início da Guerra Profana.

Ensinou os heróis a palavra pra acionar o espelho, desejou boa sorte e partiu de volta para seu plano de existência.

A Batalha da Necrópole!

Rumaram imediatamente para a sala do tesouro, onde viram o espelho mencionado pelo avatar de Moradin. O que chamou atenção deles foi uma imagem de alguém que parecia muito com Victor (seria um antepassado?). Cautelosamente, usaram a palavra secreta que ativava o espelho, e as imagens refletidas se distorcem como se estivessem em um redemoinho, para desaparecer por completo e mostrar em seu lugar um outro aposento com uma arquitetura diferente da que viram até agora nas ruínas de Brandur.

Os Lanças de Prata se prepararam com magias de proteção, poções, óleos… Tudo o que poderia lhes dar uma vantagem em caso de encontrarem algum dos habitantes da necrópole, por mais improvável que fosse. Cruzaram o inusitado portal mágico e se infiltraram sorrateiramente na cidade maldita. Pela primeira vez em milhares de anos, os vivos pisavam novamente na capital dos mortos! Estavam em um aposento, agora abandonado, em algo que parecia ser uma torre. Havia luz entrando por uma janela com vitral, Voros se aproximou para ver de onde vinha e ficou surpreso em notar que grandes cristais espalhados pelas paredes e teto da gigantesca caverna pulsavam com energia mística. Chamou Toravin e perguntou o por quê daquele fenômeno e a resposta o deixou inquieto: “Algum ritual de magia poderoso está sendo preparado, os cristais reagem à magia sendo usada.”

Olhando de cima, o mago apontou para o que parecia ser uma praça em meio aos prédios arruinados, tanto pelo tempo quanto pela última batalha travada aqui, uma espécie de ritual estava se iniciando com alguns encapuzados, não mais do que uma dúzia. Porém, se fossem vampiros, isso já seria mais do que poderiam enfrentar. Foi quando Wallace puxou a Orbe do Sol, e disse: “É para isso que temos este artefato sagrado! Tudo o que precisamos é chegar próximo o suficiente deles para eu puxar a Orbe e utilizá-la, eles serão destruídos na hora, não importa quão forte sejam. ” – Concordaram com sacerdote de que apesar de arriscado, era o melhor plano que teriam, e resolveram se esgueirar pelas ruínas da cidade para chegar nessa praça sem serem notados.

Com Thoran um pouco à frente, os heróis vão se infiltrando entre as paredes e escombros, nas pequenas ruas e vielas que ainda tinham passagem. Quando repentinamente são surpreendidos pelo Ogre Mage que os emboscou anteriormente! O combate vai começar, todos se posicionam, mas Thoran ganha a iniciativa e arremessa o seu machado! Com uma rapidez e força impressionantes, ele arremessa um machado de mão, que vai direto para o meio da cara do monstruoso guerreiro místico, que tomba sem vida no chão! (maldito 20-20-18 no d20! 😉 )

Regra Opcional que uso: Quando o d20 dá um 20 natural em um ataque e 20 novamente na hora de confirmar o crítico, a gente joga mais uma vez, se der “hit”, INSTA-KILL do alvo (se for sujeito a crítico)!

Os Lanças prateadas se apressaram e seguiram adiante, quando depois de algumas construções, avistaram o que deve ter sido no passado uma praça de algum templo profano, onde estavam reunidos algumas figuras sinistras, que Wallace prontamente identificou como vampiros! A antiga ameaça estava de volta!

Mas algo parecia estar errado. Enquanto o que parecia ser o líder demonstrava confiança, os outros o cobravam pela perda do sangue de uma divindade… Mais uma das pequenas vitórias dos heróis.

De repente, eles começaram a lutar entre si, com o líder sendo morto por um de seus ajudantes, que numa cena grotesca, crava seus dentes no pescoço e se alimenta do próprio senhor!

Aproveitando o caos momentâneo, os Lanças de Prata se lançam ao ataque antes que os vampiros se recuperassem do combate, e graças aos poderosos artefatos que carregavam (em particular a Orbe do Sol), e pela segunda vez, as forças do mal são destruídas na Necrópole! Depois de 3000 anos, a luz toca novamente no solo da Cidade dos Mortos!

Mesmo cansados, os heróis vasculham as ruínas agora realmente desertas e recuperam diversos itens valiosos como ouro, joias e até mesmo objetos mágicos, enquanto se certificam que nenhum vampiro sobrou para ameaçar o continente de Alderon mais uma vez.

Exaustos, mas triunfantes, os Lanças de Prata partem da Necrópole para retornar para sua casa, no distante reino ao sul. Depois de um longo dia de marcha, resolvem passar a noite para descansar no esconderijo mágico invocado por Toravin, através de uma corda que leva a uma portinhola que uma vez fechada, desaparece e só pode ser reaberta por dentro, deixando a todos seguros em outra mini dimensão e qualquer um que estivesse seguindo seus rastros ficaria confuso com as pegadas na neve desaparecendo no topo daquela montanha no meio da cordilheira das Montanhas do Norte.

…E assim, descansam os heróis, até a próxima temporada! 🙂

Primeira Temporada – IV

Ogres, Gigantes e Ruínas

Satisfeitos por terem eliminado vampiros e salvo inocentes, o grupo continua sua jornada. Agora com um novo membro, Thoran – o bárbaro do Rex, para compensar a ausência da paladina e do ladino do grupo… Com espírito renovado, continuam a jornada a caminho da Necrópole…

Emboscados por Ogres? Sério Isso ?

Ainda eufóricos por terem eliminado os vampiros e descoberto um atalho secreto que facilitava como chegar ao ancestral reino dos anões do norte, os Lanças de Prata retornaram ao nível de entrada do fortim, apenas para serem surpreendidos por uma emboscada de ogres (Sim, emboscada! Não passaram em um check de percepção sequer!) aguardando por eles nos portões!

O combate foi intenso, Victor e Thoran penando para segurar os ataques poderosos dos ogres, enquanto Keifan, Voros, Wallace e Thoravin usavam suas magias à distância, dando suporte, curo e alguns ataques ao bando que os emboscava, virando a maré da batalha. E claro, lutando de forma surpreendente no meio deles, Thoran ajudou os Lanças Prateadas a vencer seus agressores, quase tão rapidamente quanto começou, a emboscada terminou, e os heróis estavam novamente no silencio das montanhas nevadas. Iam começar a examinar os corpos dos seus inimigos quando de repente tudo ficou escuro. Não como a noite, mas como se todos estivessem de olhos fechados. Ao mesmo tempo, ouviram uma voz ameaçadora ecoando em seus ouvidos:

“Então, vocês acham que seria fácil assim? Agora sei como lutam, tornaram mais fácil a minha vitória!”

Wallace desfaz as trevas invocando a luz do dia.

E Wallace sentiu um golpe cortante doloroso, que só não foi mais letal por que sua armadura diminuiu consideravelmente o impacto. Ele tentou reagir com sua maça, mas sem enxergar nada, golpeou o ar inutilmente. Voros tentou iniciar uma magia, mas a mesma foi contida por alguém nas sombras.

Os guerreiros não sabiam para onde atacar, e seus golpes não atingiam ninguém naquelas trevas sobrenaturais. Por um momento, os Lanças sofrem alguns ataques sem conseguir um único revide! Toravin e Voros tentaram invocar magias, mas ambas foram interrompidas novamente, enquanto Victor e Keifan tentavam achar o dono daquela voz naquela escuridão, desferindo diversos ataques a esmo, e em duas oportunidades, quase atingindo seus companheiros!

Apenas Thoran parecia ter alguma noção de seu oponente. Acostumado à lutar nas florestas e ermos nas noites escuras do norte, aprendeu a confiar em seus outros sentidos, e por duas vezes chegou a tocar seu oponente, mas este era muito ágil e forte e a todo momento se deslocava com grande agilidade, enquanto fazia magias ao mesmo tempo em que atacava os heróis, numa dança sombria, que cedo ou tarde acabaria por derrotá-los.

Nesse momento enquanto Thoran, Victor e Keifan atacavam em frentes diferentes ao mesmo tempo que Toravin e Voros tiveram suas magias frustradas, Wallace consegue se desvencilhar o suficiente para chamar a magia da luz do dia, que desfez as trevas e revelou o último remanescente do grupo que os atacou:

O primeiro Ogre-Mage a gente nunca esquece!

Passado o primeiro momento de susto, tanto para o Ogre-Mage, que não esperava que as trevas fossem desfeitas quanto para os heróis, que se depararam com uma figura maciça à frente, com uma espada enorme que já havia feito um estrago nos Lanças Prateadas, que por sorte não teve nenhum dos seus integrantes abatido até o momento.

O Ogre-Mage!

Já sem o elemento de surpresa, as bravatas ameaçadores não são mais ditas, e o Ogre teve muito mais trabalho para manter a pressão e atacar sem se expor demais às magias e armas dos jovens heróis. Um ataque mais forte em Victor, uma magia de Toravin negada… Mas ele não consegue manter o momento e decide bater em retirada. Antes que a batalha fosse decidida, se tornou invisível e desapareceu, mas não sem antes deixar uma ameaça no ar: “Isto não acaba aqui, crianças!” – Os Lanças Prateadas ficam exultantes, foi uma bela vitória para eles!

Agora, precisavam de um abrigo e de algum tempo para se recuperar, então eles seguem o caminho que descobriram com os vampiros que levava até uma cidade de anões encravada em uma cadeia de montanhas, ainda a algumas milhas ao norte. Keifan foi à frente, certificando-se de que não havia perigos aguardando por eles. Antes de escurecer, encontraram um abrigo em uma pequena gruta, mas já viam na distância a enorme entrada da cidade abandonada escavada na montanha. Resolveram descansar e se preparar ali, para o caso de outros terem feito das antigas ruínas seu lar.

Surpreendendo o Gigante de Gelo

O gigante de gelo no caminho para as ruínas

Revigorados e prontos, o grupo de amigos segue em direção às ruínas, ainda com Keifan a frente como batedor. Seguiram pela trilha na montanha, difícil de localizar, pois a neve e o desgaste do tempo fizeram com que a trilha quase desaparecesse por completo.

Nem precisaram andar muito para Keifan retornar bastante espantado: Cerca de uma milha adiante no caminho em direção ao cume, tinham algumas árvores, das quais ele se aproximou se esgueirando próximo de um grande guerreiro de pele clara e cabelos e barba azuis, com cerca de 3 metros de altura: Um gigante de gelo, que estava conversando com dois lobos enormes de pelo branco com um certo tom azulado. E o que chamou mais atenção do jovem rastreador era que os lobos tinham olhares inteligentes e pareciam entender o que o gigante dizia.

E o que o gigante disse preocupou a todos os Lanças Prateadas: Um dragão branco havia tomado para si as ruínas, forçando a tribo do gigante e seus companheiros (presumiu que os companheiros seriam mais lobos como aqueles que estavam com ele) o servissem e vasculhassem todas as ruínas da cidade em busca de tesouros que pudessem ter sobrevivido ao tempo.

Com um pouco de planejamento, resolvem emboscar o gigante e os lobos. Enquanto Victor partia no combate corpo a corpo, Voros e Keifan lidavam com os lobos, com flechas, magias e criaturas invocadas pelo jovem druida, antes dele se transformar em um grande urso e se juntar ao combate. Toravin também usava magias de fogo enquanto Thoran continuava desequilibrando o combate, com ataques poderosos e resistindo aos ferimentos como se nada fossem.

Uma vez vencido o combate, novamente para desgosto de Voros, Thoran saqueia o corpo dos vencidos, conseguindo alguns itens de valor para vender depois. Decidem continuar indo na direção das ruínas, afinal a chave para conseguirem chegar na Necrópole passaria por lá, seja lá como for. Apenas combinaram de fazer da forma mais sorrateira e segura possível, com magias para ocultar suas presenças e mascarar seus ruídos. Tentariam o caminho de evitar o dragão e seus lacaios, pois sabia que se confrontassem Voros, a influência da Orbe de Banaktar fatalmente faria com que qualquer chance de conversação voasse pelos ares.

O Destino dos Lanças Prateadas estava próximo, e eles ainda não faziam ideia do que estava em jogo…

Primeira Temporada:

Primavera Sombria!

Agora, com todos os personagens criados, o mundo inicialmente definido, divindades e backgrounds, nós estávamos prontos para começar a jogar. Combinamos que cada rotação, o mestre tentaria fechar o arco em 5-8 sessões, e passaríamos para o próximo. O problema é que a primeira temporada do meu jogo (e dos outros também), eu anotava só superficialmente o que aconteceu na aventura, e não gravava as sessões ainda… Em 2013!!!

Então, vou tentar descrever os acontecimentos em poucos posts, mas prometo que a partir da segunda temporada, tudo melhora! 😉

Juntos no Leão Manco

A primavera chegou e os heróis se reuniram na taverna “Leão Manco”, como combinaram anteriormente. Trocaram experiências, novidades, risadas e piadas. Sentiam-se bem todos eles juntos novamente. Havia muito o que compartilhar e a taverna, que já estava cheia, ficou ainda mais animada com a comemoração dos Lanças Prateadas

Leão Manco em noite de festa
A lança de prata

Voros aproveitou a ocasião e presenteou seus amigos com um singelo pingente de prata que encomendou para cada um dos 7 amigos. Todos ficaram bastante tocados com a gentileza do jovem aprendiz de druida, geralmente tão reservado quando na sua ordem, mas que parecia ter encontrado um lugar especial de alegria perante jovens heróis como ele.

Claro que isso não impediu que entrasse em discussões acaloradas com Wallace e Toravin sobre a natureza, magia, deuses e a vida, para deleite de Xistus e Victor, enquanto Linda rolava os olhos para os céus, durante o embate interminável regado a cerveja, pernil e pão.

A noite transcorreu com alegria e diversão, e somente depois de bastante tempo os heróis notaram uma dupla destoando daquele ambiente festivo: Dois homens sombrios conversavam furtivamente em uma mesa em um dos poucos lugares vazios, próximo a um dos cantos ao lado da entrada da taverna. Prontamente Xistus reconheceu algo de suspeito e avisou seus companheiros para repararem na cena que se desenrolava.

A negociação na taverna

Foi quando um dos homens entregou um pergaminho para o outro, que tinha uma bolsa de moedas na mão. Foi nesse exato momento que ao invés de entregar as moedas, o homem deu um rápido golpe no pescoço do primeiro, que caiu no chão com a cabeça praticamente separada do seu corpo. Enquanto a taverna explodia em reação ao movimento, o misterioso comprador fugiu para as ruas carregando consigo o documento.

Os heróis seguiram o comprador e conseguiram interpelá-lo, mas ele não quis conversar e partiu para o combate. Por um momento, foram surpreendidos pelo fato de que o homem possuía longas garras no lugar das unhas e as usou para matar o contrabandista na taverna… Sob a luz da lua perceberam que estavam enfrentando a cria de um vampiro!

Mas com a liderança de Wallace e Linda derrotaram a criatura das sombras, que virou pó ao fim do combate. Sim, os heróis haviam encontrado uma cria de vampiro, 3 milênios depois da Guerra da Necrópole! Inspecionaram os pertences que ficaram para trás e encontraram moedas, o pergaminho e um diário.

O conteúdo do diário era aterrador… Contava que seu dono havia sido recrutado por vampiros descendentes dos senhores da Necrópole, que finalmente iram retornar para a cidade maldita e todos os servos dos novos Senhores Vampiros deveriam procurar os mapas restantes espalhados pelas cidades para guiar seu retorno.

E isso era o conteúdo do pergaminho: Um mapa que mostrava como chegar na Necrópole. Imediatamente concordaram que tinham que visitar o lugar, pois se os vampiros estavam se reunindo novamente, o mundo não estava pronto para outra guerra como aquelas. Polandis não era uma cidade muito grande e aventureiros dispostos a se arriscar rumo ao norte do continente eram tão pouco experientes quanto eles. No final, os Lanças de Prata seriam uma alternativa tão boa quanto possível. Sem maiores delongas, juntaram os suprimentos necessários e partiram em jornada naquele mesmo dia.

“Tormenta” na Estrada…
… Ou Quando Estranhos Se Ajudam

Os Lanças de Prata seguiram viagem e rapidamente deixaram Polandis para trás, seguindo pela estrada na planície que levava às terras do norte. Tiveram um primeiro dia tranquilo e sem grandes eventos, cruzando com uma ou outra caravana em direção aos mercados da cidade e fazendeiros levando ou trazendo mantimentos.

No segundo dia, enquanto ainda descansavam, um grupo de cavaleiros, com pesadas armaduras de diferentes tipos e fortemente armados passou por eles. Lançaram olhares hostis ao grupo e seguiram viagem. Durante uma das paradas para descansar os heróis conversaram sobre o estranho grupo, e concordaram em ficar alertas para possíveis reencontros. Voros resolveu seguir os cavaleiros, usou seus poderes de druida e transformou-se em um falcão. Seguiu os homens de armadura por algumas horas e viu quando eles abordaram um velho guerreiro sentado à beira da estrada. Pousou em uma árvore próxima e ouviu uma estranha conversa entre eles, os quatro chamavam o ancião de “Tormenta” e o chamava para dominar “Os macacos”. Quando o velho recusou, os cavaleiros foram embora com desprezo no olhar. Voros então retornou aos seus companheiros e os encontrou no cair da noite.

Tormenta, o velho na estrada

Ao final do terceiro dia, quando a tarde de primavera tornava-se ainda mais fria e com nuvens de chuva se aproximando mais rápido do que o esperado naquela época do ano, chamou atenção deles que o homem sentado na pedra na beira da estrada permanecia no mesmo lugar onde Voros o encontrara no dia anterior. Parecia ser um guerreiro veterano, seus cabelos e barbas completamente brancos. Usava uma armadura leve bastante surrada, apoiava-se em um bastão de madeira e olhava fixamente para o grupo de heróis. Algo chamava atenção de Wallace, mas não sabia o que ainda… (Espírito de porco como os jogadores eram, passaram e voltaram pelo velho umas quatro vezes antes de resolver parar pra conversar com ele, e só fizeram isso porque não acharam a trilha dos cavaleiros de armadura)

Logo que começaram a conversar, Wallace entendeu o que estava lhe intrigando: O velho guerreiro se apresentou como Tormenta, disse que era um dos servos de Thor, o deus do trovão. Wallace reconheceu o homem e após saudá-lo respeitosamente, explicou aos seus amigos de que no passado, contam as lendas que os deuses caminhavam entre os mortais na forma de poderosos avatares. E que estes avatares tinham a seu serviço espíritos que encarnaram em forma mortal, vindos dos domínios celestes onde os deuses habitam. Tormenta confirmou que sim, era um deles, e lutou na Guerra da Necrópole, 3.000 anos atrás, para defender os mortais ao lado de seu deus. Os Lanças de Prata ficaram boquiabertos de estarem encontrando um enviado de um deus pessoalmente… Mas porque eles?

Tormenta explicou que depois da guerra, os deuses desapareceram e não conseguia mais se comunicar com Thor no plano material. Foi quando caiu em um sono profundo. Há pouco tempo despertou, mas estava cansado e sozinho, e queria encontrar sua contraparte. Sua companheira eterna era Ingra, uma serva da Lady Sif, a deusa consorte do poderoso Thor. Ela também adormeceu por isso, pediu a ajuda dos heróis para buscá-la de modo a ficarem juntos novamente.

Ingra, serva de Sif

Mas Voros estava incomodado, pois sentia que algo faltava. Pediu a palavra e perguntou para Tormenta: “Porque nós? Porque você mesmo não foi atrás dela? E por último: Quem eram aqueles homens de armadura que lhe chamavam para dominar os macacos?” – Embora os companheiros de Voros tenham ficado surpresos na maneira direta do druida falar, Tormenta não aparentou contrariedade ou surpresa, e respondeu as perguntas do jovem meio-elfo.

“Os cavaleiros de armadura são servos, assim como eu, mas de avatares de diferentes divindades da guerra. Eles também despertaram recentemente, mas diferente de mim, o impulso que sentem é de guerrear e dominar. Ainda procuram outros como eu, e relíquias que aumentem seu poder para se libertar das regras que nos impedem de ferir mortais. Quando isso acontecer, temo pelo seu mundo. Quanto a eu não ter ido em busca de minha amada, é porque diferente de mim, ela adormeceu em um lugar sagrado, onde servos como eu também adormeceriam, e ficaríamos assim até o retorno dos deuses, além de acabar mostrando o caminho para outros que estivessem me seguindo. Não quis arriscar revelar a localização para possíveis mercenários a serviço dos espíritos da guerra. Esse inclusive é um dos motivos que me fez escolher vocês: Já ouvi falar de seus feitos, e sua reputação é de heróis promissores. Se conseguirem resgatar a minha Ingra, eu lhes direi onde está a minha relíquia que tanto interessa a eles. “

Indagado ainda sobre que regras seriam essas que os tais espíritos encarnados da guerra ansiavam quebrar, Tormenta explicou: “Para garantir que estaríamos aqui no plano terrestre para ajudar aos mortais ao invés de lutarmos entre si, ou nos espalharmos pelo mundo, todos nós que viemos para cá estamos sujeitos a três regras: “

  • Não podemos lutar entre nós;
  • Não podemos atacar os mortais, a menos que nos ataquem;
  • Não podemos nos aproximar das relíquias dos outros deuses, a menos que nos permitam.

“Esses mandamentos estão gravados em nossas essências, nada menos do que um grande poder divino poderia quebrá-los. E eu suspeito que é por isso que os Angorin – assim somos chamados pelos nossos mestres – estão buscando outros, para reunir nossas relíquias nesse propósito maligno. Não posso compactuar com isso, mas tenho que ter certeza de que quem vai guardar minha relíquia tem condições de protegê-la.”

Os servos dos deuses da guerra, os Angorin guerreiros

A sinceridade e honestidade de Tormenta impressionou a comitiva de amigos, e Linda não sentiu maldade alguma no coração daquele velho guerreiro. Sem precisar ponderar muito, decidiram que aquele poderia ser um começo de uma trama que ficaria bem sinistra, e resgatar Ingra não atrasaria muito a jornada para a Necrópole. Concordaram então em ajudar esse estranho, que talvez pudesse ajudá-los também. Afinal relíquias divinas tendem a ser poderosas ferramentas contra mortos-vivos. Pegaram a localização onde Ingra estaria, e rumaram para lá. Não sem antes ouvir um aviso de Tormenta para que tomassem cuidado, afinal era bem provável que o local tivesse um guardião protegendo o sono da serva de Sif…