Juntando os Heróis…

Depois da criação, a próxima tarefa era determinar como os heróis haviam se tornado um grupo, pois nessa roda as aventuras iriam começar com eles, embora no início de carreira, não sendo totalmente inexperientes e já com laços de amizade estabelecidos.

O chamado dos druidas

Voros recebe a missão de investigar o desaparecimento de Barnaktar

Na coração da Floresta Partida, vive um jovem dragão verde com um nome inusitado para sua raça, Barnaktar – “Jovem Guardião” na língua dos dragões. Talvez porque tenha crescido sozinho naquela região, talvez por alguma amizade com um dos druidas do círculo – Isso nunca ficou claro – Barnaktar sempre viveu em harmonia com a floresta. Por ser ainda jovem, não costumava se aventurar para longe desses domínios e vivia em uma caverna oculta no cânion principal que dava o nome da floresta. Diziam que as paredes de seu covil eram incrustadas com tantas jóias, que isso amenizou seu apetite por tesouros, tão famoso nos dragões. No final das contas, sua presença acabava por ajudar mais a proteger a floresta do que causar mal, fato que fez surgir ao longo dos anos uma certa cumplicidade, senão amizade entre o dragão e os druidas da floresta.

Porém, já havia algumas semanas que o dragão não era visto em lugar algum da floresta, e até mesmo seu covil dava sinais de abandono. Os druidas resolveram se dividir e procurar por Barnaktar, pois qualquer coisa que fosse capaz de fazer um dragão desaparecer sem deixar vestígios merece ser investigada. Enquanto procuravam na floresta, Illandra, uma jovem ambiciosa que rivalizava com Voros na ordem viu a oportunidade de tirar vantagem da situação. Levou ao conhecimento do conselho a amizade do jovem meio-elfo com os humanos de Polandis, e sugeriu que fosse ele o representante da ordem a buscar informação sobre o dragão entre os aventureiros da cidade. Assim, afastaria qualquer chance do seu jovem rival de conseguir obter êxito encontrando o dragão na floresta.

O conselho acatou a ideia da jovem druida, e lá foi Voros muito a contragosto para a cidade…

Nos mercados de Polandis

Os mercados de Polandis

A caminho da cidade Voros encontra Keifan, seu velho amigo, que estava retornando para Polandis para vender algumas peles de animais que caçou ao longo do inverno, e que nem fazia ideia da existência de Barnaktar, quanto mais de seu desaparecimento. Juntos, mal chegam na cidade e se dirigem para os mercados, onde tomando cerveja e ouvindo música estavam Wallace, Xistus e Toravin. Keifan faz as apresentações, e sem revelar exatamente o motivo, explica que Voros está visitando a cidade a mando dos druidas da Floresta Partida.

Sempre bem informado, Xistus tinha uma pista: Em uma taverna na cidade, a “Leão Manco”, várias vezes nas últimas semanas homens sinistros e discretos tentaram contratar jovens guerreiros fortes para uma tarefa na Floresta Partida, mas lhe chamou atenção de que o mais forte de todos rejeitou a oferta. Seu nome era Victor “Mão de Ferro”. Conhecido dessa forma por sua força descomunal, capaz de nocautear adversários com apenas um soco nos torneios de verão. Keifan já o conhecia também, e resolveram juntos ir ao encontro do guerreiro, por uma pista que levasse aos homens misteriosos.

Victor havia sido emboscado por um grupo grande de bandidos e embora já tivesse derrubado alguns, a ajuda dos heróis foi necessária para garantir a vitória. Voros notou que apesar de carregar consigo uma espada bastarda impressionante, Victor derrubou seus adversários usando uma espada longa comum, sem desembainhar aquela que parecia ser a sua melhor arma. Bastante peculiar.

Revistando os bandidos, encontraram uma ordem escrita para eliminar o guerreiro que havia se recusado a servi-los, não deixando pontas soltas. E em seguida para encontrarem-se com o “outro grupo” na entrada da Cripta da Rocha, no cemitério abandonado da colina ao sul de Polandis. E terminava o bilhete com um selo. Nenhum dos heróis reconheceu o símbolo, embora Wallace o achasse familiar. Sugeriu procurarem Linda, a guerreira sagrada de Kallas, que estaria no templo naquele dia. Ela era bastante estudiosa e conhecedora de heráldica.

Xistus, sorridente, foi o primeiro a concordar.

Do Templo do Sol para a Cripta Sombria

A entrada da Cripta da Rocha, no cemitério abandonado de Polandis

Os heróis se reuniram com a guerreira sagrada no templo de Kallas, que após uma consulta a algumas anotações que fizera nos estudos de heráldica, identificou o símbolo como de um obscuro culto a Loki, para espanto de todos. Procuraram orientação de Tordek, muito conhecedor de cultos e religiões extintas. O frei disse que este culto era muito forte na época das Guerras Esquecidas, principalmente nas terras do norte, foi responsável por muito caos e confusão naquela época, mas acredita-se que em algum momento foi dizimado pelos desmortos da Necrópole.

Os restos mortais dos últimos alto-seguidores deste culto, manifestações no plano material de entidades que servem às divindades, estariam sepultados em uma imensa cripta, escavada na rocha das colinas que circundavam o primeiro cemitério de Polandis, a cerca de um dia de viagem da cidade, e fora abandonado há quase 2000 anos, segundo as lendas por ser mal-assombrada e morada de fantasmas.

Como era de se esperar, resolveram se aventurar e acompanhar Voros, pois o mistério do desaparecimento de Barnaktar, os mercenários contratados na taverna e um culto desaparecido há três milênios formavam um chamado irresistível para jovens ávidos para provar seu valor e ajudar as pessoas. Logo, os sete formaram laços de amizade, e chegaram sem maiores problemas na entrada da Cripta, apenas um bando de goblins tentou atacá-los por seus pertences, erro fatal que fora o último desse bando.

Chegando na Cripta da Rocha, Keifan descobriu que houve grande movimentação em direção à Cripta, e Xistus identificou mecanismos de alarmes e armadilhas para avisar quando os portais fossem abertos. Desarmou os mecanismos e o grupo de heróis adentrou a Cripta, começando sua jornada pelas sombras.

Em seu caminho, encontraram sentinelas e criaturas não naturais, as quais foram vencendo cada vez mais sabendo usar seus dons em grupo. Chamou a atenção dos heróis, que quanto mais investigavam a cripta ancestral, mais percebiam que houve um esforço considerável para proteger o seu interior. Resquícios de materiais usados em rituais mágicos foram encontrados por Toravin, e Wallace podia sentir uma estranha energia permeando o lugar. Venceram os últimos sentinelas, e chegaram a uma grande câmara escavada no interior da montanha, adornada com restos mortais e inscrições profanas.

… No centro da câmara, encontraram o que buscavam.

O destino de Barnaktar e os Artefatos de Loki

Barnaktar capturado

Interrogando os últimos sentinelas que encontraram, descobriram que o culto havia ressurgido a alguns anos, e tramavam invocar um dos avatares do deus da trapaça. Passaram os últimos tempos juntando e recuperando artefatos mágicos que pudessem auxiliar nessa tarefa, e estavam prestes a terminar o último: Uma Orbe do Dragão.

Para isso, contrataram mercenários para juntar-se a eles, e somente com a ajuda dos artefatos, conseguiram capturar o jovem Barnaktar. Nesse momento, estavam fazendo o ritual de criação do artefato. Toravin foi o único a perceber a gravidade da situação e apressou o grupo, explicando para todos que na criação da Orbe um dragão era sacrificado, e sua alma aprisionada no artefato. Isso fez a todos se apressarem, e Voros ficou profundamente preocupado, pois tinha esperança de encontrar o dragão vivo ainda.

Infelizmente, os heróis chegaram ao término do ritual e Barnaktar já estava morto. Uma orbe do tamanho de um melão, feita de um cristal verde escuro, pulsava com energia como se tivesse vida própria. Os cultistas, surpreendidos, mas confiantes com o poder que detinham, atacaram os aventureiros assim que adentraram na câmara. Isso foi um grande erro.

A esta altura, os heróis já estavam coordenados, e lutavam com uma determinação férrea e precisão avassaladora. Particularmente Victor se destacou nesse momento, pois sacou sua magnífica espada bastarda, que na mão dele infligiu perdas devastadoras nos ranques cultistas, e junto com a saraivada de flechas de Keifan, Victor e Linda eram a própria vindicação divina encarnadas: intransponíveis e imparáveis.

Quando a batalha parou, queimaram os corpos e deram um funeral digno para o único dragão que já tinham visto, segundo os preceitos da ordem dos druidas: Com muito esforço levaram seu corpo para superfície, e uma vez distantes da Cripta da Rocha, Voros fez um ritual para que a terra o cobrisse, e uma semente de carvalho foi colocada junto ao seu corpo para que o ciclo se reiniciasse. Juntaram todos os artefatos do culto e os levaram para o conselho dos druidas.

No conselho, constataram que o espírito de Barnaktar estava adormecido na Orbe, e agora um artefato de grande poder, não poderia ser destruído facilmente, e enquanto não tivessem uma ideia de como desfazê-lo, não o queriam simplesmente guardado na Floresta Partida, para não atrair interessados em artefatos. Decidiram que Voros provou o seu valor na jornada, e deveria ser o guardião da Orbe, pelo menos por enquanto.

O conselho não tinha interesse nos artefatos recuperados do culto, e achou que seriam de mais utilidade se ficassem com os heróis que os obtiveram, até mesmo para ajudar Voros na sua tarefa de guardião da Orbe.


Victor ficou com um grande escudo de metal, usado por um dos mercenários derrotados, que ao pronunciar uma palavra mágica poderia desfazer qualquer coisa em que tocasse. Tal habilidade poderia ser usada uma vez por dia.

Toravin identificou um baralho de tarô mágico, que o simples ato de puxar cartas poderia liberar magias imprevisíveis. Certamente um aspecto caótico do deus da trapaça. Achou que este baralho estaria mais seguro nas mãos de alguém disciplinado para nunca cair em tentação de usá-lo. Linda se ofereceu para ser sua guardiã, e todos concordaram.

Mas o jovem elfo ficou curioso com uma varinha encantada como nunca vira antes. magias de todos os tipos emanavam dela. Se conseguisse estudá-la, avançaria anos em suas pesquisas arcanas! Como era o único que tinha capacidade para tal, ficou para si a responsabilidade de portar este estranho artefato. Com um cuidado redobrado, ao acidentalmente invocar um relâmpago na clareira dos druidas.

A garrafa do Efreeti

Uma garrafa ricamente ornamentada, que foi prontamente identificada por Wallace, que desde o começo da jornada intensificou os estudos sobre o culto a Loki: Diz a lenda que dentro dela havia um Efreeti, um gênio do plano do fogo, preso há milênios pelo deus da trapaça para forjar um anel mágico. O gênio tentou enganar o enganador, e acabou preso dentro dessa garrafa, que até então, nunca fora aberta. Keifan prometeu a todos que assim continuaria, enquanto ele fosse seu guardião. Os amigos confiaram nele, e a entregaram para o jovem rastreador.

O Anel dos desejos criado pelo gênio aprisionado estava intacto entre os artefatos mágicos. A mesma lenda da garrafa do Efreeti dizia que o gênio criou o anel para conceder 3 desejos. Cada um representado por um diamante mágico em sua face. Ao fazer o desejo, o diamante desapareceria. O gênio permeou o anel com seu rancor, de modo que qualquer desejo feito seria cumprido da forma mais inconveniente possível para o seu portador. A “traquinagem” não passou despercebida, e a liberdade do Efreeti foi o preço para tal. Wallace se ofereceu para carregar o anel, tendo em vista que era o melhor conhecedor da lenda, e o restante do grupo concordou.

Chegaram no derradeiro item, uma relíquia perdida há muitas eras, que ninguém fazia ideia de como o culto conseguiu recuperá-la. A famigerada “Caixa do Ragnarok”. Diz-se a lenda, que Corbus, o deus da noite, amaldiçoou uma fera que devorou sua coruja favorita com uma fome insaciável e eterna. A criatura estaria presa em uma caixa mágica, invisível para todas as formas de detecção, exceto para o olho nu. Uma vez solta, ela começaria pequena como um gafanhoto, e mataria aquele mais próximo a ela. Então, passaria para o próximo, e próximo… Enquanto tiver alguém a 20 metros da vítima anterior, ela continua matando… e crescendo de tamanho, até chegar ao tamanho do Destruidor de Civilizações. O fim de tudo. Xistus prometeu guardar e ocultar a caixa além de qualquer alcance, se perguntando se o deus da noite queria castigar a criatura, ou o mundo inteiro…

Quando o fim é na verdade, um novo começo…

O conselho dos druidas se encerrou, e os heróis, agora não mais iniciantes, se despediam por hora, cada um com seus afazeres. Os perigos que correram juntos forjaram um elo que não mais seria quebrado. Em um dos seus raros momentos de descontração, Voros sugeriu que adotassem para si um nome, que lembrasse de onde vieram e quando se uniram. Olhando as árvores próximas, majestosos pinheiros comuns na região e que em breve estariam brancos com a neve do inverno que se aproxima, sugeriu o nome de “Lanças de Prata”, que era como os belos pinheiros eram conhecidos por ali no inverno. O nome agradou a todos, e partiram para seus afazeres. Não sem antes prometerem se encontrar novamente, todos juntos, na taverna “Leão Manco” no início da primavera, para contar histórias e desfrutar de boa companhia.

E assim, o passado dos heróis foi contado, os Lanças de Prata se formaram, e as aventuras que mudariam Alderon para sempre estavam prestes a começar…